Jundiaí

Gás de cozinha tem novo reajuste e é mais um gasto nesta pandemia

Petrobras estabeleceu no começo do mês reajuste de 5% no preço do produto


ALEXANDRE MARTINS
Luiz Roberto Taveira teve de pagar R$ 4 a mais na última troca de botijão
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A Petrobras, responsável por mais de 90% da produção de gás liquefeito de petróleo (GLP) no Brasil, estabeleceu no início do mês mais um reajuste no preço do produto, de 5%. Com este aumento, o valor do GLP já acumula alta de mais de 16% no ano e é mais um fator de encarecimento da alimentação.

O preço para o consumidor final deve ter alta, uma vez que nas distribuidoras do gás de cozinha, além do reajuste, é contado o gasto com impostos, mão de obra e operações logísticas. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que regula as práticas do setor no Brasil, mas não regula os preços desde 2002, as refinarias e distribuidoras são as responsáveis pelos implementos nos preços, sendo a Petrobrás a principal empresa do setor no país.

Para o proprietário de uma lanchonete no Vianelo, Luiz Roberto Taveira, a última troca de botijão já foi mais salgada. "Comprei um botijão de 13 quilos na segunda (9) já com aumento. Pagava R$ 74 e foi para R$ 78, isso porque a revendedora faz um preço melhor para lanchonetes. Agora uso bem pouco porque com as escolas fechadas o movimento caiu. Se tivesse normalizado, seria um custo alto", diz ele sobre o estabelecimento localizado ao lado de uma escola grande de Jundiaí.

Ele fala que quando o preço do gás aumenta, interfere no que chega ao consumidor final. "Tem que repassar o custo porque o lucro já está pouco. Não tem jeito, acaba afetando o consumidor final."

DOS MALES, O MENOR

Já para o proprietário de um restaurante do Centro, Oscar Valentim Neto, o último reajuste do gás ainda não chegou, mas não é o que mais preocupa. "Para mim, não subiu nada ainda. A última vez que aumentou foi antes da pandemia. Eu pagava por dois cilindros de 47 kg, R$ 570 e passou para R$ 590, mas agora não subiu ainda. O gás não é o que mais preocupa, mas sim os alimentos, o arroz e o óleo. O gás eu pego em um revendedor parceiro e quando aumenta é pouca coisa", explica.

Neto conta ainda que tenta segurar os reajustes e não passá-los ao consumidor final. "Quando tem aumento, eu tento segurar. Sobe tudo, mas tem que fazer uma avaliação do que cada item que aumenta representa no meu custo, se repasso, é um valorzinho no total que não faça muita diferença. Não ganho mais, mas faço um repasse do valor que sobe", diz ele sobre tentar ajustar as contas de acordo com os custos.

Proprietária e gerente de uma lanchonete, Camila Valério fala que também não sentiu diferença, já que há pouco tempo voltou a utilizar o gás de cozinha. "A gente tem forno elétrico e durante a pandemia não servíamos almoço, então não estávamos usando gás e não senti diferença. Tivemos diminuição do uso. O faturamento também diminuiu, mas o consumo do gás encanado não aumentou. A energia sim, mas o gás não", conta, já que faz uso majoritário de equipamentos elétricos.

Segundo a ANP, a produção nacional de GLP em metros cúbicos entre janeiro e setembro aumentou 15,9% do ano passado para este. Ainda assim, a importação do produto aumentou 0,07 e a exportação diminuiu 66,4% no mesmo período mencionado, do ano passado para este.


 


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