Jundiaí

13º deve injetar cerca de R$ 80 milhões em Jundiaí

PAGAMENTO Como quase tudo neste ano, o benefício será mais enxuto por influência da pandemia


JORNAL DE JUNDIAI
José Claudecir de Lima pensa em utilizar o dinheiro para viajar porque não tem dívidas acumuladas
Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

Por lei, a primeira parcela do 13º salário deve ser paga até o dia 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro, mas como o ano foi atípico, o tão esperado dinheiro do beneficiário dever movimentar a economia local, porém diferente do ano passado. Segundo estimativa do economista jundiaiense Mariland Righi, cerca de R$ 80 milhões deve ser injetado na economia.

"Houve uma queda em relação ao ano passado porque algumas pessoas, principalmente os aposentados, receberam o valor no começo do ano. Jundiaí tem um potencial enorme daqui para frente e, provavelmente, não haverá lugar melhor no país para investimento do que na Região. A partir do momento em que acabar o susto da pandemia, vamos crescer pesadamente", afirma Righi sobre o crescimento brecado pela pandemia que deve voltar depois.

Mesmo que haja injeção de capital, não pode se esperar muita expressividade porque muitas pessoas devem usar o dinheiro para quitar as dívidas. "Não podemos chamar R$ 80 milhões de aquecimento da economia. É um aquecimento curto do consumo. É como dizem normalmente que em fevereiro o Carnaval ativa a economia, isto é uma mentira porque ele ativa o consumo e, quando acaba, acabou", relata.

DESTINO

O gasto com o 13º salário será atípico, assim como foi a economia ao longo do ano. A maioria das pessoas deve pesquisar mais antes de gastar o abono. Este é o caso do metalúrgico Rafael Paulino Fonseca que já pensa em quitar as dívidas.

"Costumava guardar uma parte para reserva e outra para pagar as contas. Neste ano eu já tive alguns gastos, então acumulou alguma coisinha por isso vou pagar dívidas e começar no verde o próximo ano. Eu tive contrato de suspensão por alguns meses neste ano, mas a minha empresa se comprometeu a pagar o valor integral do 13º salário", conta ele sobre a suspensão que permite a subtração do benefício os meses em que os funcionários não trabalharam.

A vendedora Aldenir Alves dos Santos Batista já sabe que terá menos do que o ano passado. "Tivemos o contrato de suspensão, então acho que vai vir menos, mas sempre é bem vindo. A maior parte é para pagar conta ou guardar, mas mesmo na pandemia foi um ano bom."

O repositor José Claudecir de Lima se preveniu durante o ano e não precisou comprometer o benefício antes de receber. "Vou utilizar meu 13º para passear. Muita gente pega para pagar dívidas, mas eu não. Se eu não gastar na viajem, vou comprar outra coisa. Às vezes uso o abono para pagar contas, mas não dá para esperar o final do ano para pagar as dívidas", diz ele, que prefere quitar os débitos mês a mês.

ADIANTADO

A aposentado Elza Rezagui fala que receber o 13º no início da pandemia, em abril e maio, foi ruim. "Agora, fim de ano, não tenho nada. Não precisava pagar antes, não adiantou nada receber mais cedo, preferia receber agora", lamenta.

O presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região, Fé Juncal, diz que muitos aposentados não gostaram do adiantamento.

"Não houve consulta dos aposentados. Foi feito através de um decreto em razão da pandemia que começou em março. O aposentado se prepara para receber no final do ano e agora com a chegada do Natal irá fazer falta. Paralelo a isso, está correndo a história dos consignados que têm uma margem maior e deixa os aposentados endividados", diz ela sobre os empréstimos que oferecem mais dinheiro aos aposentados agora.

Para ela, o ideal seria a aprovação do 14º salário aos aposentados. "É um projeto de lei de iniciativa popular. Foi enviado para o senado e a comissão de Direitos Humanos acatou, mas está parada. A chance de sair o 14º neste ano é mínima", conta ela lamentando o fato do desamparo aos aposentados quanto às contas do início do ano.


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