Jundiaí

Galinhas ornamentais raras são os novos pets


ALEXANDRE MARTINS
O pequeno Otto Bueno tem uma galinha como animal de estimação
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de estimação (Abinpet), o Brasil tem a segunda maior população de cães, gatos e aves canoras e ornamentais em todo o mundo e é o terceiro maior país em população total de animais de estimação.  Somada a esta estatística está o jundiaiense criador de galinhas ornamentais, Alan Bueno, de 39 anos, que há dois anos está se aquecendo no mercado, com a venda dos animais raros e de seus ovos. Mas, o início desta profissão advém da paixão do seu filho, o pequeno Otto Venâncio Bueno, de 3 anos, por galinhas.

"Tudo começou pela paixão no nosso filho por galinhas, a vivência na chácara e no sítio que temos aproximou ele dos animais, mas galinha são as preferidas. Nós tínhamos uma espécie bem arisca que chegou até a bicar o Otto, então começamos a busca por novas raças que fossem mais dóceis e então descobrimos outras espécies de galinhas ornamentais que possuem essa característica de serem mais mansas", explica Bueno.

Alan ressalta que, apesar de a criação de galinhas exóticas começar impulsionada pelo filho, aos poucos a oportunidade de se aventurar no mercado de venda destes animais foi se tornando realidade e uma opção de renda. "Seis meses antes de começar a trabalhar com a criação de galinhas para o nicho comercial, estudei muito, para entender as peculiaridades de cada espécie e como era a demanda do setor e percebi que muitas galinhas são raras e possuem características particulares, o que aumenta a procura por elas. São animais de estimação, vendidos com esse fim, e às vezes, até com o intuito até de 'colecioná-las' por serem animais exóticos", completa Bueno.

MERCADO

Dentre as espécies que possui como a galinha Brahma, a Ayan Cenan uma espécie da Indonésia que é toda preta inclusive a sua carne, a Serama da Malásia que possui uma postura ereta diferente, a Sedosa do Japão que aparenta ter pelo e não penas e a galinha Espanhola  ou Cara de Palhaço; o preço pode variar entre R$ 150 a R$ 3.000 a venda de um casal. "Encontramos outro nicho também que é a venda dos ovos férteis destas espécies, para clientes que desejam fazer a reprodução em incubadoras, e posterior ao nascimento cuidar do animal como um pet. Vendemos os ovos para todos os estados do país de acordo com a demanda", diz Bueno.

Quanto à venda dos ovos, o lucro acaba sendo mais significativo se comparado a venda de ovos de galinha caipira, reforça Alan. Uma dúzia de ovos de galinhas exóticas pode ser vendido de R$ 100 a R$ 600 dependendo da espécie. "Claro que os cuidados com esses animais têm de ser mais atencioso, pois são raças que exigem maior atenção em relação ao vento e à umidade diferente das galinhas caipiras que são criadas soltas no quintal. Muito mais do que uma oportunidade de mercado, é um zelo poder ter contato com esses animais", argumenta.

HERANÇA AFETIVA

As primeiras galinhas de estimação da família recebiam o nome de acordo com a cidade de que vinham como o galo Boituva, por exemplo, e cada um tem sua espécie preferida. "Eu particularmente tenho admiração pela raça Ayan Cena, meu filho gosta da Brahma e minha esposa da Serama da Malásia", diz Bueno.

Para Bueno, o intuito da criação de galinhas ornamentais é deixar uma herança e memória afetiva para o pequeno Otto. "Nós temos uma raiz, o cuidado de animais foi passado de geração em geração e ter um filho que passa mais tempos com os animais, brincando com eles, do que estar na TV ou jogando videogame é algo satisfatório. Espero que um dia ele siga esses passos e a paixão pelos animais se perpetue até mesmo após a sua infância", completa.

(Nádia Antunes)


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