Jundiaí

A pandemia parou o voleibol, mas não interrompeu os treinos

Treinamento O isolamento social fez a modalidade não ter disputas e campeonatos temporariamente, porém os atletas continuam o preparo físico


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Eduardo precisou adaptar sua casa para praticar os exercícios
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O voleibol é uma prática esportiva bem popular no país, tanto para assistir como praticar, com uma modalidade fora do ginásio, que é o vôlei de praia. Porém, a pandemia de coronavírus fez com que algumas práticas fossem paralisadas para evitar o possível contágio. Com o isolamento social, os atletas de vôlei em Jundiaí precisaram interromper as atividades e, consequentemente, não poderão jogar até a segunda ordem, mas seguiram treinando fortemente.

Eduardo Sousa tem 21 anos, é operador de loja, mas atua no esporte há 10 anos em quadra e dois na areia no Time Jundiaí. Ele conta que foi muito ruim ter que parar de jogar, já que teve que interromper a rotina. "Virou outro mundo para a gente. Essa quebra de rotina, de termos que ficar em casa sem poder sair, tendo que se readaptar ao horário, com alimentação, enfim, tudo mudou."

E não foi apenas a rotina que se transformou. O treinamento também sofreu as consequências. Atualmente, os jogadores fazem preparo físico em casa com as orientações do treinador, mas os exercícios táticos foram interrompidos, já que é necessário ter outra pessoa na atividade.

"Estou seguindo as orientações do meu treinador, faço exercícios com alguns pesos em casa que a gente improvisa. Até consigo fazer com a bola, mas não são todos que tem essa possibilidade", disse Eduardo.

A adaptação foi fundamental para o atleta, mas não foi fácil no começo. "Mesmo praticando os exercícios físicos com peso e correndo pela casa, isso reduz o nosso espaço e o uso dos aparelhos físicos. Então foi necessário nos readaptar para chegarmos próximos à nossa performance", contou o atleta.

O treinamento de um jogador de vôlei de praia é diferente do de quadra, pois a forma de disputa é diferente. O piso mais duro da quadra faz com que o impacto seja maior do que o piso fofo da areia.

"No jogo, a disputa é 70% física. Além dos treinamentos de fortalecimento que a gente acaba perdendo, tem a questão técnica de habilidade, diminui bastante o reflexo e, infelizmente, precisamos recomeçar a preparação do zero", contou.

Quem também está passando pela mesma situação de Eduardo é Alanis Abdo Barbalho, estudante de Educação Física, de 19 anos, que joga vôlei desde os oito anos.

Ter que parar de jogar foi um verdadeiro baque para Alanis, pois o único momento que ela não está nas quadras é nas férias. "Você parar de treinar e jogar nas férias é normal, mas por tempo indeterminado é estranho, porque a gente não sabe quando vamos voltar. Inclusive, meu condicionamento físico mudou e provavelmente vamos ter que começar a parte técnica tudo de novo", disse.

A atleta não treina apenas em casa, ela vai à academia por considerar que, mesmo a preparação caseira sendo efetiva, ainda falta um incentivo. "O vôlei é uma motivação, você se exercita, levanta peso, para jogar o esporte. Tem pessoas que podem estar competindo uma posição contra você, mas de forma saudável, claro".

Para quem sempre treinou nas quadras, a mudança brusca de ambiente foi difícil para Alanis e Eduardo, mas a adaptação teve sucesso, com as indicações de seu técnico.

COMANDO EM HOME OFFICE

Não foram apenas os jogadores que precisaram interromper as suas atividades. Os técnicos também estão em isolamento social.

Carlos Calabresi é o professor de Alanis e Eduardo. É ele quem dá as instruções para o preparo físico de cada um e conta como é esse processo. "Os atletas são orientados a realizar treinamento físico por pelo menos três vezes na semana em casa, com o objetivo de minimizar perdas do condicionamento físico causadas pela parada, manutenção da qualidade da saúde".

"Eles têm liberdade para executarem as tarefas físicas no período que não estão tendo atividades escolares ou de trabalho. Contudo, a manutenção da prática do exercício físico tem oscilado muito devido a situação de cada família ou estado emocional, ainda mais que não estamos com treinamentos específicos da modalidade, no caso na areia", explicou Carlos.

Mas o treinador também não para. Ele buscou adquirir mais conhecimento durante o período de pandemia. "Eu tenho feito a minha parte física, que é importante, tenho ido à academia que está aberta agora. Mas eu fiz o curso Nível 4 da CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) para vôlei de quadra e na próxima segunda-feira (23) inicio o curso Nível 1 de vôlei de praia", concluiu.


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