Jundiaí

Denúncias no Disque 100 e Ligue 180 aumentam 30%


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Casos podem vir mais à tona por causa de mudanças na plataforma
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Dados da ouvidoria do Disque 100 e do Ligue 180 mostram que houve um aumento de 32,9% na quantidade de denúncias de violência contra mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiências realizadas entre janeiro e setembro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2020 foram contabilizados 237.992 registros, em 2019 foram 179.051 casos.

O ouvidor nacional de Direitos Humanos, Fernando Ferreira, relata que parte deste aumento é justificado pela nova metodologia adotada. "Antes havia uma subnotificação. Cada ligação era registrada sob um número de protocolo, que comportava apenas uma denúncia. A partir da unificação das centrais, cada protocolo passou a comportar mais de uma denúncia, definida pela relação entre suspeito e vítima", reforça ao lembrar que os índices de violência foram mantidos na prática, mas a quantidade de registros aumentou.

Ainda na prática, a moradora de Jundiaí, Beatriz de Oliveira Ferraz Ramos, que recentemente sofreu violência familiar de um cunhado, fala que, de fato, a denúncia é simples, mas a Justiça não ajuda.

"Pelo menos no meu caso foi rápida a denúncia e a medida protetiva saiu no mesmo dia, mas ele ficou preso um mês, saiu e fez a mesma coisa. Agora ele foi preso de novo, mas ele vai ficar pouco tempo de novo e quando sair pode acontecer algo pior. Eu acho que é bom denunciar, só que seria bom também a Justiça levar a sério. A gente denuncia, mas o poder público não faz a parte dele", reclama.

Para ela, muitas pessoas também têm medo de fazer a denúncia por causa desta desproteção que ficam em relação ao agressor. "Ele sabe que se for preso, vai ficar só um mês na cadeia. Então, ele pode sair depois e acabar fazendo coisa pior porque aumenta a ira com a denúncia", lamenta.

TEMOR

O defensor público de Jundiaí, Fábio Sorge, fala que percebe o aumento das denúncias realizadas. "Acho que o assunto vem sendo amplamente divulgado, em especial para as mulheres que sofrem violência. Como aumentou a convivência doméstica, também aumentaram os casos de violência em casa. Desentendimentos entre familiares são normais, mas não é normal terminar em violência", diz.

Sorge acredita que muitas pessoas evitam realizar a denúncia por se tratar de casos familiares. "Em relação a denúncias de violência doméstica, acho que há uma apuração melhor hoje em dia e normalmente vai para frente, mas em questão sexual ainda há um receio. Primeiro porque é desagradável contar o caso e as pessoas já estão descrentes das instituições públicas, da Justiça também", conta Sorge sobre a falta de denúncias por temor de que não haja Justiça. Caso que acontece com Beatriz, que denuncia, mas acha injusto o sistema que não protege completamente a vítima.

(Nathália Sousa)


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