Jundiaí

Com alta do IGP-M, a saída é negociar aluguel

REAJUSTE índice atingiu 24,52% de inflação acumulada, seis vezes maior que em novembro de 2019


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IGP-M é utilizado como referência na correção de valores de contratos
Crédito: ARQUIVO JJ

A alta no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) tem assustado quem mora de aluguel e precisa renovar contrato. Nos últimos 12 meses, o índice atingiu 24,52% de inflação acumulada, número seis vezes maior do que o acumulado em novembro de 2019, segundo atualização da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Neste cenário, especialistas recomendam cautela, tanto por parte do inquilino quanto por parte do proprietário. Segundo José Pedro Menten, vice-presicente do Grupo Imobiliárias da Proempi (Associação das Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região), é preciso estar atento ao mercado.

"Com raras exceções, há negociação entre as partes. A maioria dos proprietários está sensível à situação econômica dos inquilinos, principalmente com a crise causada pela pandemia. Claro que cada caso deve ser analisado separadamente, mas é importante se atentar ao mercado. É melhor negociar do que perder o inquilino e ter seu imóvel desocupado. É possível, por exemplo, aplicar o reajuste do aluguel por outros índices, como o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo)", orienta.

CÁLCULOS

O IGP-M é utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis. Ele sofre uma influência considerável das oscilações do dólar, além das cotações internacionais de produtos primários, como as commodities e metais.

Em Jundiaí, com a oferta e procura por imóveis, há que prefira negociar antes de assinar o contrato. "É o caso do empresário Ismael Caires Gondim, proprietário de uma construtora, que experimentou as duas situações. Ele é inquilino de um imóvel residencial em Jundiaí e proprietário de alguns imóveis comerciais e residenciais em São Paulo e Cajamar.

"No aluguel da minha casa aqui em Jundiaí, três meses antes antes do vencimento eu negociei com o proprietário e chegamos a um acordo de reajuste de 50% do valor do IGP-M. Para isto, reuni reportagens que falavam sobre acordos entre inquilinos e proprietários para me ajudar. Já nos meus imóveis, decidi manter o valor do ano passado sem reajuste. Analisei a situação de cada um, porque se o imóvel ficasse parado o prejuízo seria maior. Também fiz uma pesquisa de mercado e vi que imóveis semelhantes aos meus estavam com preços iguais ou menores."

Segundo Danilo Sequeira, sócio de uma imobiliária em Jundiaí, muitos contratos estão sendo renegociados individualmente. "Nós conciliamos as necessidades dos nossos clientes. Não sugerimos nenhum percentual fixo, mas na conversa quando o locador nos pergunta o que está sendo praticado, tudo é ponderado. Falamos sobre inflação, que as pessoas estão com dificuldade de absorver toda essa diferença, que não era esperada. Tem o fator pandemia e também explicamos que existe um risco em aplicar o IGPM integral e ter o imóvel desocupado. Mesmo assim, tivemos casos em que o proprietário não aceitou nenhum desconto. Mediamos contratos com 80% do IGPM, mas a média está em 50%."

O IGP-M é um dos principais indicadores para reajustes contratuais por ser divulgado ainda dentro do mês de referência. Para facilitar o cálculo do novo aluguel, o Secovi-SP divulga mensalmente o fator de atualização, que no caso é de 1,2314. Para atualizar um aluguel de R$ 1.500 que vigorou até dezembro de 2020, realiza-se a multiplicação de R$ 1.500 por 1,2314, que resultará em R$ 1.847,10 a ser pago no final do mês de janeiro ou início de fevereiro de 2021.

 


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