Jundiaí

Se organizar financeiramente será o trunfo para os desafios de 2021

CONTAS Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita em dezembro, 66,3% dos consumidores estão endividados


DANIEL TEGON POLLI
Claudia Roque sentiu a necessidade de organizar suas finanças
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

As contas que geralmente se acumulam no mês de janeiro, como Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), matrícula de escola e material escolar têm um gosto mais amargo após um ano como 2020. Para as pessoas que perderam seus empregos ou tiveram salários reduzidos, o pagamento das contas e a organização financeira tornaram-se uma tarefa difícil.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) feita em dezembro, 66,3% dos consumidores estão endividados. Para a especialista em finanças pessoais e palestrante economista, Gislaine Tonetti Martini, apesar da dificuldade, é possível se organizar diante da diversidade.

"A pessoa que perdeu emprego ou teve seu salário reduzido tem que reavaliar seus gastos, ver o que é possível cortar. Muitas vezes a situação é momentânea e neste caso é necessário mudar o estilo de vida, morar em um imóvel menor, vender um carro para fazer caixa, mudar os filhos de escola. Só que abrir mão dos prazeres da vida, das coisas que para você são de qualidade é mais difícil. As finanças comportamentais dizem isso, a gente quando lida com dinheiro, não somos razão, somos emoção. Então não é um processo fácil."

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no Brasil atingiu 14,1 milhões de pessoas de agosto a outubro de 2020 e, para muitos, 2021 exigirá planejamento e controle.

NA PONTA DO LÁPIS

A empresária Isabela Regina Silva segue o exemplo dos pais e possui uma rotina de controle financeiro. "Eu não sou de exatas, mas sempre gostei de uma planilha, ou pelo menos manter todas as contas possíveis escritas na agenda. Até hoje meus pais têm o tal caderninho de anotações anual. Lembro que, quando pequena, minha mãe falava o que era para escrever e eu anotava para ela. Cresci como esse mesmo método, de anotar todas as contas, entradas e saídas".

Isabela destaca que a organização financeira só traz benefício. "É importante saber que, trabalhando bem a organização, você terá outros benefícios como uma viagem adicional em seu ano, a compra de algo que não compraria se não tivesse esse valor e assim por diante."

Já para a dentista Claudia Marques Oliveira Roque, o planejamento e organização vieram da dor. "Em 2004, eu e meu marido estávamos afundados no cheque especial, cartão de crédito, carro financiado com prestações atrasadas, enfim. Negociamos todas as dívidas, quebramos os cartões, rasgamos talão de cheque e passamos a usar apenas dinheiro vivo. Se tinha comprava, se não tinha não comprava. Levamos em torno de um ano para nos organizarmos e quitar todas as nossas dívidas."

ORGANIZE-SE

Para o planejamento financeiro, é possível lançar mão de ferramentas tecnológicas, como aplicativos e programas de computador que oferecem praticidade na tarefa de controlar os gastos. Mas há também que prefira agendas e cadernos para não perder o domínio.

O contador José Carlos Rodrigues dá algumas dicas para quem quer começar a se organizar neste ano. "Todos almejam uma vida financeira saudável e equilibrada. Através do planejamento financeiro, ferramenta simples de controle, pode-se atingir essas metas sem grandes traumas. O planejamento financeiro possibilita saber antecipadamente o cenário do quanto terá de entradas de dinheiro e das saídas, e ainda mostra de forma quase precisa a posição da situação financeira pessoal. Esta ferramenta também lhe mostrará se terá uma folga financeira para novos gastos e se deverá frear novos compromissos", lembra José Carlos, também delegado do CRC-SP e sócio-fundador da Pró Jurídiico Contabilidade.

A especialista em finanças pessoais Gislaine Tonetti tem algumas orientações. "A grande maioria da população se perde nas contas porque não se tem o hábito de controle financeiro. Hoje o básico é saber tudo que se ganha, porque muita gente não sabe nem quanto ganha de salário bruto, quanto ganha de salário líquido, quanto paga de imposto, quanto paga de plano de saúde. Tudo é descontado na folha de pagamento. Então a primeira coisa é fazer um check up financeiro. Anotar quanto ganha, quanto gasta, todas as contas, gastos com lazer e se tem espaço ou não para reduzir consumo, e fazer isso todos os meses."


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