Jundiaí

De volta ao ninho, os jovens que não saem mais da casa dos pais

A proporção de jovens brasileiros que mora com os pais aumentou


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Jacqueline Mendes voltou a morar com a mãe, Solange de Oliveira
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Jovens que compõem a chamada "geração canguru" são reflexo de uma busca mais acentuada pela estabilidade até que haja independência financeira e responsabilidade suficientes para uma vida sem a tutela dos pais.

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que em 10 anos, de 2002 a 2012, a proporção de jovens brasileiros entre 25 e 34 anos que morava com os pais foi de um a cada cinco para um a cada quatro. Desses jovens que ainda vivem com os pais, 60% são homens.

Por conta disso, alguns cientistas já defendem que o período de adolescência, antes até os 19 anos, agora seja considerado dos 10 até os 24 anos.

A psicóloga Marilene Zignani diz que os jovens estão um pouco mais imaturos e tendem a prolongar a adolescência. Antes saíam de casa e constituíam famílias mais cedo. "Eu percebo que eles não gostam de sair de casa para passar aperto. Sentem que, se vão sair da casa dos pais, o patamar de vida pode cair. Eles preferem esperar para ter uma condição financeira melhor, mas isso demora."

Para ela, há jovens que têm boas condições financeiras, porém preferem gastar com outras coisas que não as despesas domésticas. "Alguns preferem investir em outras coisas em vez de aluguel. Eles viajam mais na própria formação e isso é interessante também porque conseguem se qualificar mais".

REGRESSO

Muitos jovens até chegam a sair de casa, mas, por algum motivo, acabam voltando. Este é o caso da estagiária de comunicação Jacqueline Mendes, de 23 anos, que morou em outra cidade enquanto cursava a faculdade, mas voltou para a casa dos pais neste período de pandemia. "Eu morava em uma quitinete, ao lado da faculdade e, por ser um espaço muito pequeno, preferi voltar para a casa dos meus pais e passar a quarentena com eles. Eu gostaria de voltar a morar sozinha para ter mais espaço e privacidade, porém só faria isso quando não tivesse mais pandemia e também tivesse uma renda maior para morar em um lugar um pouco melhor e com mais infraestrutura do que uma quitinete", explica.

Para sua mãe, a aposentada Solange Jesus Mendes de Oliveira, de 52 anos, que saiu da casa dos pais aos 19 anos, não há problema da filha permanecer por perto mais tempo, muito pelo contrário. "Acho bom porque a gente fica uma família completa e juntas na casa por mais tempo. Acho que hoje os jovens preferem se qualificar profissionalmente primeiro e ter esses gastos com estudos antes de sair de casa", diz ela sobre muitos jovens, inclusive Jacqueline, que preferem investir na qualificação.

Jacqueline acredita que as pessoas procuram morar sozinhas quando atingem uma certa maturidade. "Existem certas regras de convivência quando você mora com alguém, especialmente com os seus pais", diz a estagiária.

Kassius Guilherme Mirandola, de 26 anos, estagiário de engenharia clínica, voltou a morar com a mãe e o irmão em Jundiaí depois de cursar uma faculdade em São José dos Campos. "Não tinha como me manter lá, então eu resolvi voltar para Jundiaí, mais perto do meu estágio, em São Paulo. O aluguel também estava pesado. A ideia era focar totalmente no estágio fazendo a rotina de São Paulo a Jundiaí todo dia."

A convivência entre ele e a mãe Rosemary Mirandola, de 61 anos, tem sido boa. "Não acho nenhum problema filhos morarem com os pais, desde que haja amor e respeito mútuo. De tempos diferentes, defendo que ambos, pais e filhos, respeitem suas diferenças e necessidades".

Para ele, sair de casa exigiu independência. "A maturidade é um fator importante, mas isso a gente ganha com o passar do tempo. Como está cada vez mais difícil essa independência financeira atualmente, é necessário um tempo maior para ter essa estabilidade, conseguir seguir em frente, construir uma família, morando sozinho e tudo mais."

(Nathália Sousa)

 


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