Jundiaí

Classe cultural continua se reinventando em 2021


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O radialista Leandro Lopes ficou desempregado por sete meses e precisou investir em pesquisas musicais
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O ano de 2021 chegou e com ele a incerteza do que esperar da pandemia de covid-19. A expectativa pela vacina é alta e vários setores se preparam para encarar o ano. Com a cultura não é diferente. O setor foi um dos mais afetados e os artistas tiveram que se reinventar para continuar se mantendo.

O radialista, DJ e locutor do programa "My Inspiration", que vai ao ar todo sábado às 18h na Rádio Difusora Jundiaí, Leandro Lopes, 38 anos, conta que o setor onde atuava ia muito bem até a chegada da pandemia. O faturamento das emissoras gerou grandes demissões.

"Fiquei 7 meses desempregado, porém neste período mergulhei nas pesquisas musicais no acervo de LPs que eu tenho. Isso que tirou minha ansiedade e me fez desligar das notícias atuais. A maior dificuldade que enfrentei foi a de atuar em um ramo que é essencialmente coletivo de modo solitário, por conta do isolamento social. O maior aprendizado foi que a necessidade mostra o caráter de cada um", revela.

Vivendo no meio cultural há muitos anos, o DJ lamenta o descaso do governo federal com uma área tão importante, como a cultural. "Áreas como música, cinema, dança e artes plásticas sofreram boicotes depois que o presidente extinguiu o Ministério da Cultura. Alguns lugares como São Paulo e outros municípios estão tomando providências para ajudar, mas mesmo com o auxilio é pouco para suprir uma cadeia econômica tão complexa como a cultural. Não são apenas os artistas, mas cinegrafistas, técnicos e pessoal de apoio que ficaram sem assistência", afirma.

Jundiaí é um exemplo de município que incentiva a classe artística e os espaços culturais. De acordo com o gestor da Unidade de Cultura (UGC), Marcelo Peroni, desde o início, políticas de incentivo foram instaladas na cidade para que os artistas não ficassem desamparados no período em que as apresentações precisaram ser suspensas. "Quando falamos de cultura, é difícil pensar em realizar eventos no formato que estávamos acostumados sem gerar aglomeração. Por isso, esse período foi de grande aprendizado e inovação para toda a classe artística. Foi um trabalho que uniu esforço e paciência, pois os artistas aprendem a lidar com o público e agora, precisam adaptar a linguagem e lidar com uma nova ferramenta, a câmera. Para isso, sempre buscamos maneiras e incentivos para ajudar os artistas da cidade, inclusive fazendo o possível para preservar os espaços culturais", ressalta.

O futuro da cultura ainda é incerto, mas o gestor já adianta que nada e ninguém ficará sem atividades. "Para esse primeiro semestre vamos continuar com ações on-line e inserir algumas ações híbridas, ou seja, considerando alguns espaços que deem segurança tanto aos artistas, quanto ao público. Nossa ideia nesse primeiro semestre é dar continuidade para programas on-line e futuramente, de acordo com o avanço de fase do Plano São Paulo, mesclar o virtual com o presencial em espaços mais abertos como os parques municipais", afirma o gestor. 

ADAPTAÇÃO

O dançarino Lucas Martineli, 28 anos, acredita que o momento foi de renascimento, descobertas e muita evolução. "Nunca fui acomodado, mas esse período foi o que mais me motivou a buscar novas alternativas, tanto enquanto professor de dança quanto diretor de uma escola. Coreografar é minha grande paixão, e foi um desafio extremo. Estou acostumado a estar próximo dos bailarinos em sala de aula e produzir esses trabalhos on-line me fez tirar o melhor dos bailarinos. Analisar friamente os fatos, acreditar nos meus instintos e seguir confiante fizeram toda a diferença durante esse período", revela.

Para o dançarino, a arte nunca vai morrer e é ela que nos mantém vivos e esse período serviu para mostrar isso. "Nós precisamos da arte para sobreviver, para nos alegrar, para nos movimentar. Dentro da Premiere, minha escola de dança, nos aprofundamos na tecnologia para a dança não parar. Fizemos muitas aulas de dança on-line, buscamos alternativas de modalidades, temas e exercícios para nossos alunos e abusamos dos vídeos. Foi o período que mais produzimos conteúdo digital e isso foi incrível", afirma.

COLHENDO FRUTOS

Lucas se orgulha de como ele e os alunos se mantiveram nesse período. O conteúdo on-line gerou um dos maiores frutos para a carreira, a série "Balé além dos palcos" que, por meio de lives pelas mídias sociais, contextualiza as principais obras dos Balés de Repertório. "Esse projeto deu tão certo que através da Lei Aldir Blanc irá ser apresentado nas Emebs de Jundiaí, levando assim o Balé de Repertório para crianças que não tem um acesso tão fácil a essa vertente da dança. Percebi que muitos se encorajaram a começar a dança depois que ficaram um grande tempo isolados. Muitas pessoas passaram a se privar menos, deixaram o preconceito de lado e foram atrás dos sonhos", conta.

(Mariana Checoni)


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