Jundiaí

Isolamento social faz casos de dengue caírem em 2020

doença No ano passado foram confirmados 105 casos em Jundiaí, cerca de 3,6% do registrado em 2019


DANIEL TEGON POLLI
Locais com atividades que favorecem criadouros têm mais atenção
Crédito: DANIEL TEGON POLLI

Depois do susto de 2019, quando Jundiaí registrou uma morte e 2.885 casos confirmados de dengue, o ano passado foi um ano um pouco mais ameno, com 105 casos confirmados da doença e nenhuma morte. Ainda assim, o número é superior ao de 2018, quando apenas 12 casos foram registrados. Uma das explicações para a queda nos registros é a outra epidemia que vivemos: a do coronavírus.

Segundo o veterinário da Vigilância em Saúde Ambiental (Visam), Luiz Gustavo Grijota, a queda 96,3% pode ter sido por causa da permanência maior das pessoas em casa devido ao isolamento. "As pessoas ficaram mais em casa e se preocuparam em limpar melhor os quintais e calhas", diz.

No ano passado, os bairros com mais casos de dengue foram Jardim Tamoio, Vila Cristo Redentor e Jardim São Camilo, com quatro cada. Grijota diz que, com as vistorias realizadas regularmente pela Visam, há a tentativa de mapear e evitar os casos em locais específicos, com potenciais criadouros do Aedes aegypti. "Todo caso suspeito é notificado e, quando vai para o médico, ele faz a notificação para a vigilância epidemiológica, que faz a investigação de cada caso para saber onde a pessoa pegou a doença, em casa, no trabalho ou em outro local."

Só no ano passado foram feitas 3.136 vistorias para averiguação de focos de reprodução do Aedes aegypti, média de 261,3 vistorias por mês. Nestas vistorias foram coletadas 272 amostras de larvas de mosquitos ou pernilongos e deste total 202 amostras tiveram resultado positivo para Aedes aegypti, quase 17 por mês.

"No ano passado foram quase mil notificações e 105 casos confirmados, sendo 59 autóctones e os outros 46 são importados. Como se trata de uma doença sazonal, quando há um aumento de casos, há uma maior investigação. Com isso você consegue antecipar as ações", explica Grijota.

FISCALIZAÇÃO

Proprietário de uma espaço de armazenamento de materiais recicláveis onde a Visam realizou uma vistoria na tarde desta quarta-feira, José Carlos da Silva diz que se preocupa com os focos pois os materiais ficam descobertos. "Agradeço pela ajuda do pessoal da prefeitura que vem sempre aqui. Eu sigo o que dizem e, graças a Deus, nunca tive dengue. Quando chove a gente já vai virando tudo para não acumular água."

Mesmo com as chuvas intensas dos últimos dias, não havia nenhum recipiente com larvas de mosquitos nos materiais do local.

Este é um dos 158 pontos cadastrados na prefeitura para visita regular da Visam. "Todo tipo de espaço como este, no qual a atividade desenvolvida pode favorecer um criadouro de Aedes aegypti, a gente cadastra como ponto estratégico. O trabalho da Visam é visitar e vistoriar o espaço e passar orientações ao proprietário", explica Grijota.

BOLETIM

Segundo o último boletim epidemiológico, divulgado na quinta-feira (7) pela Prefeitura de Jundiaí, além dos dados da dengue, foram registrados 15 notificações de chikungunya, sendo três confirmações: todos importados. Uma notificação de chikungunya aguarda resultado de exames. O zika vírus teve apenas uma notificação em 2020.


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