Jundiaí

MDMA é a droga estimulante da vez, principalmente entre jovens

Esta anfetamina em forma de cristal, vem ganhando mais espaço em outros ambientes


COLABORAÇÃO: ANTONINHO PERRI/UNICAMP
Luís Fernando Tófoli conta que a substância tem empregos terapêuticos
Crédito: COLABORAÇÃO: ANTONINHO PERRI/UNICAMP

O MDMA (3, 4 - metilenodioximetanfetamina) é uma droga estimulante, consumida, principalmente, em festivais de música, como raves, pois, além de manter o usuário mais 'alerta', também deixa os sentidos mais aguçados. Mas esta anfetamina em forma de cristal, irmã do ecstasy, vem ganhando mais espaço em outros ambientes além dos festivais.

Historiador, pesquisador da alimentação, das bebidas e das drogas e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Henrique Carneiro, explica que "o MDMA surgiu no início do século XX, como um remédio para diminuir o apetite. Mas descobriram que o efeito colateral era o estimulante, que era até mais interessante. Nos anos 80, Alexander Shulgin, desenvolveu várias moléculas análogas de anfetaminas."

"É uma droga muito usada em festas rave, se popularizou quando essas festas começaram a surgir, nos anos 80. É uma anfetamina psicodélica que faz com que se tenha a sensação de bem-estar, é até chamada de droga do amor. Até por isso, já foi usada como remédio para tratar o estresse pós-traumático, por soldados que voltavam da guerra", conta o historiador.

Carneiro diz que a anfetamina não costuma ser produzida no Brasil, o que faz com que seja cara e de acesso mais difícil. "Eu acho que o ecstasy está associado à classe média, é até cosmopolita. Agora há laboratórios no Brasil, mas sempre foi uma droga trazida de fora em viagens", diz ele.

Para Carneiro, a legalização do MDMA seria uma boa alternativa para que a colateralidade da droga não exista como há hoje. "O MDMA é uma droga boa no sentido de ter usos positivos e tem uma toxicidade bastante baixa, as chances de causar uma overdose, por exemplo, são baixas. Mas, no comércio atual, o que vendem não é MDMA porque adicionam adulterantes. Muito do MDMA que circula não é MDMA e pode ter efeitos colaterais que o MDMA não teria, como a overdose. Por isso que hoje a proibição cria um problema, porque a pessoa não sabe o que está consumindo, o que seria diferente se houvesse uma regulamentação."

EFEITOS

Psiquiatra, pesquisador de psicoativos e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Luís Fernando Tófoli, diz que a forma de consumo é novidade, mas a substância nem tanto. "O MDMA, que também é o princípio ativo do ecstasy, não é uma substância nova. Ela ficou conhecida com esse nome recentemente no Brasil na forma de pó ou cristal, mas na forma de comprimidos (o ecstasy) é usada há bastante tempo."

"Ela é uma substância com propriedades entactógenas, ou seja, facilita as interações sociais. Também é uma substância estimulante (tira o sono e dá energia), ao mesmo tempo em que, na maior parte das vezes, traz uma tranquilidade. Há também algumas alterações leves na percepção visual, auditiva e do tato, trazendo, por vezes, sensações agradáveis com determinados tipos de iluminação e música. Ela pode também alterar a regulação térmica do corpo, causando aumento de temperatura, o que em doses inadequadas pode ser perigoso", explica Tófoli.

O psiquiatra diz ainda que "o MDMA é usado frequentemente entre os mais jovens, o que é comum de acontecer com as drogas sintéticas há muito tempo. Isso não tem uma relação única com o preço -cocaína, por exemplo, não é uma droga barata-, mas também com as culturas e locais de uso", explica.

Tófoli diz que a substância também é um fármaco, mas, assim como outros, em doses exageradas pode ser perigosa. "Neste momento, a psicoterapia assistida por MDMA é o tratamento mais promissor para o transtorno do estresse pós-traumático. Foram feitos estudos experimentais em diversos países e seu uso controlado é bastante seguro. Por outro lado, o MDMA também é uma droga recreativa, que em doses muito altas pode causar sintomas graves e, eventualmente, a morte. Esses casos, no entanto, são relativamente raros", diz ele, que também acredita que a proibição é um fator de risco, pois cria o consumo sem o devido conhecimento.

CONTROLE

Delegado da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Jundiaí, Marcel Fehr diz que O MDMA, geralmente consumido em raves, não tem muito espaço na Região, uma vez que não é comum que haja este tipo de festa. "Ela é uma droga bem menos consumida que outras mais conhecidas, como maconha, cocaína, crack e o lança-perfume, que são as drogas mais apreendidas. É consumida geralmente em festas rave, mas como não é comum esse tipo de festa na nossa região, não há um público-alvo para esse tipo de droga", diz ele, pois há um trabalho das forças de segurança e da própria Justiça que impede que estes eventos ocorram na Região.

"Laboratórios não encontramos na região, mas em 2020 fizemos algumas apreensões de pessoas que encomendavam a droga para revender para um público bem seleto. Em um flagrante que fizemos, quem encomendou a droga foi um mecânico, é uma droga que custa várias vezes mais que maconha e crack, mas não é consumida só por pessoas de classe média, geralmente quem consome é quem frequenta festas rave mesmo. O MDMA pode custar de R$ 50 a R$ 150 a porção, que costuma ser uma pipeta, um cristal muito pequeno. A última apreensão que fizemos foi de 50g, que seriam vendidos para dezenas de pessoas", explica o delegado.

(Nathália Sousa)

 


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