Jundiaí

COLUNA DO MARTINELLI: 20 de janeiro, Dia do Fusca: O Fusca fez parte dos valores e dos sonhos de muita gente


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Crédito: Reprodução/Internet

Conversando recentemente com um amigo de longa data e recordando nossos tempos de juventude, surgiram lembranças de um carro que nos contagiava à época, o fusca (Volkswagen). Realmente, quem que já passou dos cinquenta anos de idade que não tem uma história com ele para contar? Um automóvel que foi de tudo: radiopatrulha, ambulância, táxi, veículo de entrega, de concessionárias de serviços públicos etc., mas principalmente de passeio.

No uso particular, os “carrinhos” geralmente recebiam apelidos carinhosos e passavam a fazer parte de muitas famílias. No mundo inteiro, foi eleito “o carro do século XX” e até hoje tem um enorme número de admiradores, embora não seja mais fabricado. Em nosso país, ao lado dos poucos usuários cotidianos, uma grande quantidade de pessoas se reúne em associações ou não, para cultuarem e trabalharem pela manutenção de suas ricas memórias.

O Fusca possui duas datas comemorativas. No dia 20 de janeiro é celebrado o Dia Nacional do Fusca, informalmente decretada pelo Fusca Clube do Brasil em parceria com a montadora Volkswagen do Brasil de São Bernardo do Campo e festejada anualmente com extensa programação. Na cidade de São Paulo, inclusive, ela é oficial, estabelecida pela Lei n.° 12.202/96. Por outro lado, em vários países do mundo, a solenidade em sua homenagem ocorre a 22 de junho, tido como o Dia Mundial do Fusca, pois no ano de 1934, nessa ocasião foi assinado o contrato entre Ferdinand Porsche e a Federação da Indústria Alemã para o desenvolvimento do seu projeto.

É o primeiro e talvez o único automóvel que tem uma efeméride formal num município brasileiro. E ele merece: um pequeno carro, de motor pouco potente, mas que obteve enorme êxito. Além do carinho e afeto especiais que lhe devotamos como seus ex-usuários e simpatizantes, ele foi mola propulsora do progresso da indústria automobilística no Brasil. Desbravou fronteiras e serviu praticamente todos os brasileiros. Foi moda, teve projeção internacional, estrelou filmes – quem não se lembra do Herbie do “Se Meu Fusca Falasse” – contracenou com uma série de produtos nas propagandas destes e dele mesmo.

Embora seja visto em desfiles, exposições e promoções diversas realizadas por seus apreciadores mais fanáticos, esse simpático veículo deixou muita saudade, principalmente naqueles que viveram os chamados anos dourados, que para nós atravessam as décadas de 50 a 70. Por isso, sabemos que crescer não é só ter sucesso, poder e dinheiro. Na hora da morte, ninguém leva os bens consigo. Leva as vivências, as emoções e os sentimentos que cultivou. Diante dessa realidade, o Fusca fez parte dos valores e dos sonhos de muita gente.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas ([email protected])


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