Jundiaí

Com desemprego alto e fim do auxílio, busca por vagas dispara

GANHA-PÃO Pessoas que não têm fonte de renda agora precisam de um emprego para a subsistência, mas, mesmo com oferta, nem todos são contemplados


ALEXANDRE MARTINS
Michele Ferreira diz que a busca por emprego iniciou o ano com força total
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com o fim do Auxílio Emergencial, muitas pessoas ficaram sem renda no país e agora 'correm' atrás do prejuízo. Segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), cerca de 2,95 milhões de domicílios brasileiros sobreviveram, em novembro de 2020, apenas com o auxílio emergencial de R$ 300, mas neste início de ano, segundo agências pesquisadas pelo JJ, a procura por uma vaga tem sido grande.

Segundo a assistente comercial da agência de empregos Rhadar, Vanessa Aquino, a procura por uma colocação neste início de ano aumentou consideravelmente. "Nós sentimos essa diferença principalmente na primeira semana útil de janeiro. Precisamos até organizar a fila por causa do distanciamento, mas esse movimento veio caindo ao longo do mês e acho que seja pela reclassificação do estado no Plano São paulo."

Ela afirma ainda que o fim do Auxílio Emergencial é um fator determinante para muitas pessoas que buscam uma vaga neste momento. "Isso já foi verbalizado por alguns candidatos que agora voltaram a procurar por uma recolocação no mercado de trabalho", diz.

A assistente comercial da agência, Michele Ferreira, diz que as vagas disponíveis no mercado exigem níveis de qualificação que muitas pessoas não têm. "Tem bastante vaga, porém a mão de obra tem sido o problema. Quando há a oportunidade, às vezes as pessoas não querem por questão salarial ou por ter que trabalhar de final de semana. A experiência conta bastante, mas o requisito da escolaridade é bastante pautado."

Vanessa explica que, justamente essas pessoas que têm menos escolaridade, são as que mais precisam de um emprego, mas não conseguem. "Aquelas pessoas que efetivamente necessitavam do auxílio serão bastante prejudicadas se não tiverem essa recolocação no mercado de trabalho. Quem realmente precisou do auxílio agora carece de um emprego."

BUSCA

Aos 27 anos, Mara Railane não chegou a receber o auxílio, mas busca uma vaga porque saiu recentemente do trabalho temporário. "Saí dia 13 de uma firma e vim fazer entrevista para entrar em outra. Achei mais fácil conseguir agora, antes estava mais difícil, mas eu acho que tem bastante gente procurando até porque passou final de ano, Black Friday, e muitos temporários foram mandados embora", conta ela que procura vaga na área de logística.

Gilvan Santana Nunes, de 45 anos, atualmente trabalha como vendedor ambulante de frutas, mas gostaria de ter o registro em carteira. "Procuro emprego. Esse trabalho é bom, é assim que ganho meu sustento, mas é humilhante, toda hora tem fiscal correndo atrás. Trabalhei registrado pela última vez há 10 anos, mas agora está muito mais complicado para conseguir. Não pedi o auxílio porque não tenho estudo para mexer na internet", relata ele.

Nayara Vital, de 20 anos, perdeu o emprego em setembro e, de lá para cá, está me busca de uma recolocação. "Eu trabalhava em uma lanchonete e reduziram a jornada, inclusive pagando metade do salário. Fui em uma agência para uma vaga há umas duas semanas e a fila estava enorme, com pelo menos 150 pessoas", conta.


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