Jundiaí

Com nova suspensão, volta às aulas ainda gera dúvida

SEGURANÇA O retorno foi novamente suspenso, mas governo do estado diz que vai recorrer


ALEXANDRE MARTINS
Thalita Kattar Pereira levará Théo para a aula a depender das restrições
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

O retorno às aulas previsto para o dia 1º de fevereiro nas escolas municipais iria coincidir com o novo agravo da pandemia, mas na tarde desta quinta-feira (28), o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a autorização para a retomada das atividades presenciais nas escolas públicas e particulares em todo o estado de São Paulo.

O governo de São Paulo por sua vez informou que irá recorrer da decisão liminar, pois contraria as orientações do Plano São Paulo. O Estado não foi notificado ainda, então não há alteração de cronograma até o momento.

Mesmo com este impasse de retorno, mães ainda temem sobre os riscos e, claro, pelo desenvolvimento social dos filhos após quase um ano de isolamento. O infectologista e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Roberto Focaccia, diz que a questão da volta às aulas ainda é discutível, pensando-se no déficit das crianças e no risco da infecção.

"Acho que se aumentou casos críticos em crianças foi muito pouco. O maior risco é a transmissão para professores, funcionários da escola e de levar o vírus para casa", fala ele reiterando a importância da vacinação de professores neste caso.

Sobre o risco para as crianças em si, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), observada em crianças que tiveram covid-19 e pode ter relação com a doença, Focaccia explica que a observação dos casos ainda é clínica.

"Essa síndrome era muito rara e os profissionais da saúde de todo o mundo têm verificado um número maior de casos, e tem-se atribuído isso às mutações que vêm ocorrendo do coronavírus, mas não é algo confirmado", explica.

PONDERAÇÃO

Dividida entre o temor ao vírus e o desenvolvimento do filho Bernardo, de três anos, Liani Salgado da Silva Costa acha que, neste momento, optaria pelo retorno às aulas. "Estou receosa. Meu marido é do grupo de risco por ter lúpus, mas também está indo trabalhar. Sinto que o Bernardo precisa frequentar a escola. Acho que a necessidade dele está maior do que o medo neste momento", diz ela ressaltando o desenvolvimento social do filho e da necessidade de estar com outras crianças.

Para ela, os cuidados do filho, como a máscara e a higienização das mãos, são um costume desenvolvido, portanto, não há o controle total. "Estou confiando no policiamento da escola. Meu filho sabe que precisa lavar a mão, mas ele faz por questão de costume, não por entender a necessidade", diz ela.

Thalita Kattar Pereira, mãe do Théo, também de três anos, acha que as escolas deveriam voltar como antes da pandemia ou não voltar. "Voltar com máscara, dia sim, dia não, com horário reduzido, acho que não previne a contaminação. Voltando as aulas, meu filho vai, acho que covid não é uma sentença de morte, na minha casa ninguém é do grupo de risco", explica.

Thalita acha que restrições rígidas não vão funcionar. "Meu filho não está preparado. Se for para ficar longe dos amiguinhos, não vai ficar. Vou ver quais são as medidas exigidas, se for para brincar de máscara, em espaço aberto, tudo bem, mas se tiver alguma medida como ficar longe, sem poder brincar com os amiguinhos, não vou mandar."

SEGURANÇA

Ainda segundo a Secretaria da Educação, a prioridade é a segurança e saúde de todos os estudantes e servidores da educação. Cerca de 1,7 mil escolas estaduais em 314 municípios retornaram com atividades presenciais no Estado desde setembro de 2020, sendo 800 na capital paulista.


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