Jundiaí

Donos de bares e restaurantes esperam por medidas urgentes

Empresários pedem ações imediatas como a prorrogação do prazo para começar a pagar empréstimos


ALEXANDRE MARTINS
PROPRIETÁRIO
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Após o governo federal sinalizar que estuda medidas para ajudar o setor de bares e restaurantes, um dos mais afetados com as restrições impostas, empresários pedem ações imediatas como a prorrogação do prazo para começar a pagar empréstimos.

Recentemente, uma hashtag começou a ser compartilhada na internet. A #janteàs18h tem o objetivo de ajudar os restaurantes a manterem as portas abertas. 

Segundo o sócio de uma choperia em Jundiaí, Marco Cesar do Carmo, só medidas urgentes podem ajudar o setor. "O governo federal pode ajudar muito o setor de bares e restaurantes e, uma das medidas que poderiam aplicar para nos ajudar neste momento, é a postergação do início do pagamento dos empréstimos. Alguns restaurantes conseguiram empréstimos da linha de crédito do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) a custo subsidiados pelo governo, entretanto para algumas pessoas, a primeira parcela está programada para fevereiro deste ano e sabemos que ainda teremos um período de pelo menos seis meses pela frente para que a receita volte ao normal."

Para Diego Henrique Celerino, sócio de um restaurante também no Centro, desde que Jundiaí regrediu para a Fase Laranja do Plano São Paulo houve uma queda de 20% no número de pedidos. "Nós estamos sobrevivendo basicamente de delivery e mesmo assim, depois que entramos na Fase Laranja, o faturamento caiu em 20%. Com o movimento que temos hoje, as contas empatam, não lucramos nem nos endividamos, o desafio maior vai ser começar a pagar o empréstimo que fizemos do Pronampe que começa no meio do ano", lamenta.

PATRONAL

Segundo José Haroldo Monteiro Veigas, presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores), é tempo dos governos reconhecerem a importância do setor. "Acreditamos que é hora do governo federal e outros governos estaduais e municipais reconhecerem o setor de serviços de alimentação fora do lar como um dos segmentos de maior transformação dinâmica, empreendedorismo e oportunidades de emprego no Brasil. As medidas de governo são muito bem vindas e mostram uma sensibilidade para um setor estratégico e que muitas vezes é abandonado politicamente, e que merece medidas extraordinárias em função do momento atípico."

Viegas ainda destaca que medidas importantes precisam ser tomadas. "Medidas de extensão à redução de jornada de trabalho, apoio ao pagamento da folha salarial, financiamento de capital de giro pelos bancos públicos e por fim, um incentivo a um acordo nacional de horários de funcionamento que atendam demandas de saúde, mas ao mesmo tempo não estrangulem o funcionamento de maneira a acabar incentivando o congestionamento ainda mais em menos tempo de abertura das unidades precisam ser tomadas."

Ele lamenta sobre o funcionamento clandestino e o não respeito de alguns poucos que acaba penalizando a categoria como um todo e colocando em risco a economia do setor, as empresas e os empregos.

Sem ajuda dos governos, donos de bares e restaurantes tiveram que se adaptar. "Não tem como minimizar os prejuízos porque nós tivemos que nos adaptar. Estamos vivendo um momento em que a grande maioria dos pedidos são por delivery, pelo menos 85% dos nossos pedidos são através de aplicativos de entrega. Então é preciso investir em marketing, em plataformas digitais, se adaptar a essa nova era", afirma Celerino.

Para Valdeci Magalhães, diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Motéis, Restaurantes, Bares,Lanchonetes e Fast-food de Jundiaí e Região, não há nada de concreto em relação à ajuda para o setor. "É muito difícil. Tem o lado da empresa e do empregado e por enquanto não há informações concretas sobre nenhum auxílio. Nós estamos orientando nas questões trabalhistas, mas não há muito o que se fazer, estamos aguardando por medidas com urgência."

(Daniela Fernandes)

 


Notícias relevantes: