Jundiaí

Avanço da pandemia freia geração de empregos

DEMISSÕES 2020 teve saldo negativo de empregos, mesmo após uma retomada, que foi interrompida


JORNAL DE JUNDIAI
Eva Maria Bezerra Pereira foi efetivada no emprego temporário
Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o mês de dezembro em Jundiaí teve o pior índice dos últimos meses fechando em um saldo negativo de 547 vagas. Com a possível influência da nova onda de contágios da pandemia de covid-19, houve registro negativo nos setores de Serviços (-452), Indústria (-296), Agropecuária (-48) e Construção (-44). O Comércio, no entanto, conseguiu um bom saldo positivo, com 293 vagas geradas a mais que as suprimidas.

Com o resultado, os índices de geração de empregos, que vinham em crescimento acentuado desde julho de 2020, foram interrompidos. A espera de que o último mês do ano passado fosse de recuperação para o mercado esbarrou em demissões. Sendo assim, o ano de 2020 em Jundiaí terminou com saldo de -907 vagas no mercado de trabalho.

TEMPORÁRIOS

Apesar do Comércio ser o único com saldo positivo de empregos em dezembro, em todo o ano foi negativo com -459 postos de trabalho. O setor deve parte das contratações do mês passado ao emprego temporário, característico do fim de ano. Uma das pessoas que foram contatadas para uma vaga temporária, mas conseguiu ser efetivada, foi a operadora de caixa Eva Maria Bezerra Pereira.

"Entrei como temporária por uma agência. Depois do período de contratação me dispensaram pela agência, mas na semana passada a loja me contratou. Estou feliz demais. Fui dispensada do emprego que eu tinha em abril do ano passado por causa da pandemia e fiquei procurando até o final do ano passado, quando consegui aqui", comemora.

Para o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e Região (Sincomerciários), Milton de Araújo, o momento da pandemia é ruim porque muitas pessoas perderam, mas também houve as que ganharam.

"O comerciário estava sofrendo, mas de outubro para cá houve uma crescente. Em outubro, novembro e dezembro de 2020 tivemos um acréscimo de 5,9% nas vendas em relação ao mesmo período de 2019. Na pandemia também teve bastante empresa que veio para Jundiaí, mercados por exemplo. A crise, com fé em Deus, será coisa do passado", explica ele.

Para Edison Maltoni, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL), a situação positiva é fruto de esforço. "Encerrar o ano marcado pela pandemia de covid-19 e diversos desafios com um saldo positivo de contratações no comércio, sem uma destruição líquida de empregos formais, é motivo para comemorar. Também podemos considerar como reflexo das contratações temporárias para as festas de final de ano. Estes dados reforçam a força do comércio no desenvolvimento econômico e na geração de empregos", pontua.

Já o presidente da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí, Mark William Ormenese Monteiro, acredita que os temporários elevaram o índice do setor, mas a manutenção destas vagas de emprego para os próximos meses vai depender muito das ações do governo do estado em relação à pandemia. Medidas como a redução do horário de atendimento não vão resolver. A situação do comércio é muito dramática e ações como está só vão prejudicar ainda mais a economia, aumentando o fechamento de empresas e as demissões."

A Prefeitura de Jundiaí informa que o saldo de 2020, em comparação aos últimos oito anos, ficou em quarto lugar, mesmo com a pandemia. Ao todo, o PAT ofereceu 3.236 vagas no município e empregou 1.588 pessoas. Em 2021, a oferta também já é significativa.

GERAL

Para a indústria, setor com saldo positivo no ano (87), dezembro não foi bom, mas o diretor de comercio exterior do Ciesp Jundiaí, Marcio Julio Ribeiro, explica que a tendência ainda é boa. "A gente começou a ter uma recuperação da indústria por volta dos meses de outubro e novembro. A tendência, se o fluxo econômico se mantiver, é que esses empregos gerados devam levar a indústria, talvez em dois ou três meses, a um nível de recuperação total."

Ele acredita que os números estão dentro do esperado. "A gente espera algumas análises, como a análise de custo de insumos, que afeta o custo de produção e a capacidade de consumo das famílias. Estamos percebendo que a gente vai entrar num fluxo de inflação que não sabemos qual é ainda, mas acredito que, até o momento, a perspectiva não é de todo ruim. Está dentro de uma normalidade."


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