Jundiaí

Sebos contam com auxílio da tecnologia para continuarem ativos


JORNAL DE JUNDIAI
Solange Serapião conta que objetivo das vendas é angariar fundos para ONG
Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

O começo da pandemia trouxe preocupação para o setor literário, pois a quantidade de venda de livros não era animadora. Contudo, esse cenário mudou e apresentou crescimento nos últimos meses. De acordo com informações divulgadas pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Nielsen Bookscan Brasil, que apura as vendas das principais livrarias e supermercados no país, houve crescimentos de 25% em volume e 22% em valor dos livros vendidos, comparado a 2019.

Os sebos, ainda mais que as livrarias, precisaram encontrar alternativas para não fecharem as portas. Em Jundiaí, o Sebo Jundiaí, consolidado o maior do interior do Brasil, é exemplo disso. O professor Maurício Ferreira, responsável pelo local, conta que o começo foi difícil, mas se deparou com uma grata surpresa. "Logo que a quarentena começou, tomei um susto grande, pois tive que fechar a loja. Tinha custos e três colaboradores para pagar. Eu ficava olhando todo aquele acervo, mais de 100 mil livros, 30 mil gibis e HQs, 15 mil discos de vinil, 18 mil CDs e DVDs, inúmeras partituras e pensava 'de portas abertas é um dos maiores acervos do Brasil, com as portas fechadas não somos nada'. Tive que afastar dois colaboradores e fiquei com um para me ajudar nas vendas on-line. Conforme o tempo foi passando tive uma grata surpresa. Essas vendas pela internet aumentaram 200% em relação ao período antes da pandemia", revela.

Ferreira explica que o sebo só conseguiu se manter por conta da internet. "As vendas pela internet cresceram muito e isso nos ajudou na missão de levar leitura e cultura a população de uma maneira sustentável e com preço acessível. Temos clássicos a partir de um real e outros centenas de exemplares a cinco ou dez reais. A tecnologia dos aplicativos foi fundamental. Trabalho com Mercado Livre há mais de 18 anos. Além disso, temos um número de WhatsApp para consulta do acervo e também uma página do Facebook. Essas redes bombaram bastante. Os leitores assíduos faziam de tudo para conseguir comprar. O jeito que achamos foi enviar as opções e a relação de livros e combinávamos as entregas com data e hora marcada", explica.

Além das tradicionais compras de livros, o professor conta que muitas pessoas levaram exemplares ao local. "As pessoas trouxeram livros. Provavelmente pelo fato de a pandemia fazer com que as pessoas ficassem em casa, muita gente aproveitou para fazer uma 'limpeza'. Armários, guarda-roupas, sótãos, garagens e espaços com livros acumulados. Fizemos centenas de compras e trocas. Inclusive de lotes, coleções e bibliotecas inteiras. Muitos deles sem saídas comerciais, que encaminhamos para outros locais. As pessoas trouxeram muito mais itens nesse período que em épocas normais", afirma.

SEBO SOLIDÁRIO

O Grupo Sol da Cidadania, em Jundiaí, é uma ONG que pratica uma série de ações em benefício de diversas entidades assistenciais e também em casos isolados. Uma de suas ações é a biblioteca comunitária que aproveitou o período de pandemia para se ressignificar.

A alternativa que as voluntárias responsáveis pela biblioteca encontraram para passar pelo período foi criar um sebo solidário. Solange Serapião, uma das responsáveis, afirma que a ideia surgiu para angariar fundos para a ONG. "Com essa reestruturação da biblioteca, eu e outra voluntária estávamos separando os livros que iam ficar. Não aceitamos mais livros didáticos, só histórias para jovens e adultos. Doamos muitos livros didáticos e sem saída e os exemplares em melhor qualidade foram para o sebo on-line. A partir disso, consultamos os preços na Estante Virtual, tiramos as fotos e colocamos no ar semana passada", relata.

Solange ressalta que o objetivo das vendas é promover o incentivo à leitura e ainda angariar fundos para a ONG continuar ajudando entidades. "Precisamos movimentar a biblioteca, as vendas são para isso. Todo o lucro será para investimentos. Não temos livros caros, justamente ao contrário, pois quando você compra um livro ou qualquer item de uma ONG, você ajuda, acima de tudo, uma causa", revela a voluntária.

Como tudo é muito recente, a maior dificuldade é em relação à entrega. "Para facilitar, os residentes de Jundiaí podem retirar os livros na própria ONG e aproveitar para conhecer o trabalho. Quem mora em outras cidades, demos a opção de combinar data e hora de retirada, para não restringir a compra", explica.

Para adquirir um livro, basta acessar a página do Facebook do sebo e conferir o acervo disponível. Logo após, é só contatar os voluntários pelo chat para combinar os detalhes.

Para adiquirir os livros

Sebo Jundiaí:

WhatsApp: (11) 98842-9914

Facebook: Sebo Jundiaí

Grupo Sol da Cidadania:

Facebook: Sebo do Grupo Sol

(Mariana Checoni)


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