Jundiaí

Pessoas comuns ganham dinheiro na Bolsa de Valores

INVESTIMENTOS Com a pandemia, a B3 se tornou atrativa para pessoas físicas e o número de investidores aumentou 92% em comparação com 2019


ALEXANDRE MARTINS
A influencer Laura Buoro, de Jundiaí, começou a investir na Bolsa de Valores durante a pandemia do coronavírus
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A perspectiva de mercado mudou em 2020, com a pandemia da covid-19. Mais pessoas enxergaram uma oportunidade de negócios na Bolsa de Valores e, com isso, o número de investidores quase dobrou. Foram 92% de crescimento no total de contas ativas de pessoas físicas na B3. Em Jundiaí não foi diferente, pessoas comuns se arriscaram no mundo dos investimentos e, para alguns, isso se tornou sua principal fonte de renda.

Em dezembro de 2019 havia 1.681.033 contas ativas na B3, a Bolsa de Valores brasileira. No final de 2020, no entanto, esse número saltou para 3.229.318. Esse movimento de procura pelo mercado financeiro também foi motivado por haver mais pessoas falando sobre o assunto na internet e nas redes sociais. Canais como o "Me Poupe", da Nathalia Arcuri, "O Primo Rico", do Thiago Nigro, e outros têm ganhado cada vez mais popularidade.

Para Guilherme Cunha, professor e educador financeiro, esse interesse repentino das pessoas está ligado à falta de rendimento de outras formas de investimentos. "A taxa de juros do Brasil, hoje, é a mais baixa da história. O brasileiro estava acostumado com taxas altas que valorizavam poupança, CDBs e outros produtos tradicionais. Em 2020 houve baixa ou até rentabilidade negativa e aí a Bolsa de Valores começou a chamar a atenção."

O que o surpreendeu foi a variedade de faixas etárias e perfis de alunos que buscaram entender melhor esse universo. "Temos alunos de 16 a 70 anos, todos querendo aprender sobre ações."

DURANTE A PANDEMIA

A jornalista e influencer digital Laura Buoro, 31 anos, mergulhou na Bolsa de Valores durante a pandemia. Seu marido, Bruno, já investia antes e foi motivada por ele que procurou o primeiro curso na área. "Foi bem básico, mas aprendi sobre Taxa Selic (a taxa básica de juros), que eu até então nem sabia o que era. Também aprendi sobre onde era possível aplicar dinheiro e os caminhos para isso. Acabando esse curso eu estava com a cabeça a mil e querendo começar a investir, mas foi exatamente quando começou a quarentena", relata.

Mesmo assim ela não quis parar e ingressou em um curso de Day Trade, uma imersão de sete dias on-line. "Eu me apaixonei e já emendei em um curso de ações", conta. "No Day Trade você opera no mercado futuro e é muito arriscado, pode ganhar muito rápido ou perder mto rápido, por isso também queria saber sobre ações a longo prazo e as outras modalidades, que são Swing Trade e By Hold."

Buscar informações sobre o mercado financeiro tornou-se uma rotina diária. "Eu opero de manhã na bolsa e todos os dias analiso o que é melhor. Cheguei a fazer muito Day Trade, mas quando o mercado está muito volátil prefiro pegar ações a longo prazo." Aprender antes de investir foi fundamental para a jornalista. "Você vai aprendendo quais as melhores oportunidades, principalmente para não seguir um comportamento de manada e ficar apenas comprando ações que um influencer ou outro indicou. Se você só segue essas pessoas, elas ganham dinheiro e você continua sem entender nada."

Guilherme alerta sobre isso. "Muitas pessoas ganharam dinheiro em 2020, mas nem sabe como. Isso é arriscado no longo prazo. Sabemos que 95% das pessoas perdem dinheiro na Bolsa de Valores, por isso você precisa entender porque uma ação sobe ou desce e porque a esta comprando ou vendendo."

DAY TRADE

Para Cunha, a modalidade de Day Trade, que é a compra e venda de ações rápidas, em operações que podem durar até mesmo alguns segundos, é na verdade uma forma de geração de renda. "A gente nem classifica como investimento, porque as pessoas podem fazer ganhos diários."

Essa é uma das modalidades em que o jovem Leandro Gabriel Marques, de 18 anos, atua. Ele fez o primeiro curso de ações aos 16 anos e hoje fatura em média R$ 300 por dia. "Eu trabalhava em uma transportadora e ouvia bastante gente falando sobre isso, me interessei e fui procurar aprender mais", conta.

No ano passado ele pediu demissão do emprego e passou a trabalhar apenas como trader. "Eu observo o mercado e pego as melhores oportunidades", diz. Para isso, ele continua estudando todos os dias. Agora está estudando para tirar uma certificação na área como AAI (agente autônomo de investimentos), profissão de pessoa física ou jurídica que distribui ativos mobiliários por uma corretora de valores. O objetivo é, daqui a dois anos, se tornar um analista CNPI, que é a pessoa certificada para oferecer recomendação para os ativos na Bolsa de Valores, como ações, fundos imobiliários e outros.


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