Jundiaí

Infecções e óbitos por covidaumentam entre os idosos

PERIGO O cuidado nas faixas etárias maiores de 60 anos deve continuar, já que têm mais risco de óbito


Peter Ilicciev/FioCruz
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Crédito: Peter Ilicciev/FioCruz

No mês de janeiro, óbitos de idosos causados pela covid-19 aumentaram 13% em relação a agosto, mês similar em números na pandemia, em Jundiaí. A faixa etária de vítimas do vírus registrada em 2021 é mais velha, 87% de pessoas acima de 60 anos, contra 74% em agosto de 2020.

Janeiro pôde ser comparado a agosto de 2020 com relação aos óbitos gerais, 62 registros em cada, sendo os de janeiro concretizados até o dia 31, uma vez que ainda pode haver informações de óbitos de jundiaienses ocorridos em outros municípios.

Segundo a Prefeitura de Jundiaí, apesar da maior exposição ao vírus, consequentemente, apresentar risco de agravamento em maior número de pessoas, com ou sem comorbidades, o maior número de óbitos ocorre neste momento nas pessoas com mais de 60 anos, efetivamente as faixas etárias que tiveram crescimento na contaminação. Idosos estão falecendo mais pelo coronavírus ao passo em que se contaminam mais neste momento. Em relação às comorbidades não houve alterações.

Com relação ao número de casos positivos registrados, o mês de janeiro teve queda se comparado a dezembro. O crescimento no mês dezembro em relação ao mês de novembro foi registrado em todas as faixas etárias entre 15 anos e 89 anos, com maior diferença nos grupos de maior idade, como 80 a 89 anos (77%), 70 a 79 anos (63%) e 60 a 69 anos (57%), mas outras faixas etárias mais jovens também tiveram aumento, como 40 a 49 anos (61%), 50 a 59 anos (44%) e 15 a 19 anos (41%).

Na comparação com o mês de janeiro, houve redução no número de casos positivos em todas as idades. No total do mês, em dezembro foram registrados 3.578 casos positivos contra 2.596 casos positivos no mês anterior, ou seja, crescimento de 37%. Já em janeiro, foram 2.238 casos positivos, ou seja, redução de 37,45% em relação ao último mês do ano passado.

A oferta de leitos também cresceu na cidade, ao passo em que o sistema de transbordo exigiu. Ainda assim, os 98 leitos disponíveis para o tratamento da doença ficaram abaixo dos mais de 120 utilizados durante o pico da primeira onda e o hospital de campanha do 12º GAC não precisou ainda ser reativado.

EXCEÇÃO PERIGOSA

No último sábado (30), o município registrou dois óbitos por conta da covid-19. Dois deles foram homens sem comorbidades com idades de 49 e 50 anos.

Para as pessoas mais velhas, o risco é maior. No entanto, jovens também podem ter elevado risco de agravamento do quadro, caso sejam infectados pelo coronavírus. Contrariando as estatísticas, Marcelo André da Silva Martins, de 36 anos, chegou a ficar em internação intensiva durante 35 dias.

"No dia que eu tive alta, teve um rapaz que saiu junto comigo. Ele ficou 40 dias na UTI e era mais novo que eu. É agravante para pessoas novas sim."

Ele conta que a evolução da doença foi rápida e agressiva. "Fui para o hospital cego. Quando cheguei na UPA, me mandaram direto para o Hospital São Vicente (HSV). Fui intubado e meu rim parou, aí peguei bactéria hospitalar, meu pulmão ficou 100% comprometido. Também tive anemia, precisei fazer transfusões de sangue, tive três paradas cardíacas. Fui tido pelos médicos como um milagre. Foi Deus. Quando fiz traqueostomia, comecei a ter melhora. Eu ainda faço tratamento para a trombose que tive, mas acaba hoje", relata Martins que, curiosamente, não teve sequelas devido à doença, apesar de ter desenvolvido a forma grave.

Também paciente fora da faixa etária mais perigosa, Adilson Coelho, de 52 anos, diz que usava remédios para controle da pressão, mas nada descontrolado. Ele passou 50 dias na UTI. "Sou de Itupeva e aqui me deram remédios e me encaminharam para Jundiaí. Fiz uma tomografia em um hospital particular e me mandaram para casa. Piorei e fui para o São Vicente. Lá pediram a minha tomografia e disseram que eu já deveria estar internado."

Coelho acabou tendo sequelas da doença e hoje ainda precisa de tratamento fisioterápico. "A sequela que tenho é na musculatura. Saí do hospital sem andar e hoje ainda ando com dificuldade, tenho muita dor e não consigo correr, por exemplo. Tive só 25% do meu pulmão funcionando", fala ele, que ouviu relatos de pessoas jovens que não tinham quaisquer comorbidades e faleceram em decorrência da doença.

BOLETIM

O município informou nesta segunda-feira (1) o registro de cinco mortes causadas pelo coronavírus. Com isso, o número de óbitos, desde o início da pandemia, subiu para 563.

As vítimas foram três mulheres, uma de 91 anos, uma de 89 anos e uma de 59 anos e dois homens, um de 73 e outro de 72 anos.

Também foram contabilizados 171 casos de covid-19, chegando a 22.679 infectados na cidade, com 590 casos ativos e 21.526 recuperados.

 


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