Jundiaí

Fibromialgia exige tratamento contínuo e multidisciplinar

Lembrada pelo Fevereiro Roxo, a fibromialgia é uma doença que não tem cura e exige atenção constante


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A fibromialgia causa dores no corpo todo e não tem cura só tratamento
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Lembrada pelo Fevereiro Roxo, a fibromialgia é uma doença que não tem cura, sendo assim, exige tratamento constante. Em Jundiaí, os pacientes são acompanhados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), em geral por médicos clínicos, mas não há um acompanhamento em grupo e nem trabalhos específicos com estes pacientes.

Também chamada de patologia de dor generalizada, a doença é conceituada pela Sociedade Brasileira de Reumatologia como uma condição que se caracteriza por dor muscular generalizada, crônica, pois dura mais que três meses, mas que não apresenta evidência de inflamação nos locais de dor. Esse conceito demonstra a dificuldade de diagnóstico, visto que não existem, atualmente, marcadores laboratoriais que confirmem a fibromialgia.

Para a aposentada Patricia Marques Vieira, de 42 anos, ter fibromialgia é sentir dor diariamente. O diagnóstico demorou para ser concluído. "Fiquei 30 anos sofrendo com a dor sem saber o que eu tinha. Há 20 anos, vi uma reportagem em que uma reumatologista falava sobre a fibromialgia e tudo o que ela disse fez sentido para mim. Fui em um profissional e há 10 anos descobri o que eu tinha. Ia de médico em médico e eles não acreditavam nas dores que eu tinha", lamenta.

Por ser uma doença sem cura, Patrícia precisou aprender a conviver com a fibromialgia. Ela reforça que o acompanhamento psicológico é fundamental porque quem tem fibromialgia é muito comum ter depressão.

"É um tratamento multidisciplinar. Tomo remédio, faço terapia com psicóloga, fisioterapia, mas ainda preciso fazer mais coisa, como caminhada ou atividades físicas na água. Nesses 30 anos, já tive fases de ansiedade e depressão várias vezes. Com o tratamento, a qualidade de vida não muda tanto, mas você aprende a conviver e aceitar a fibromialgia porque não tem cura. Quando está bem forte, é complicado até levantar da cama. O sono, quando você acorda, parece que não descansou, mas isso a medicação melhorou para mim", explica ela.

Ainda sobre o tratamento, Patrícia diz que é importante o acompanhamento constante. "Eu acho que a pessoa que tiver sintomas deve procurar um clínico e, se ele indicar, procurar um reumatologista. No diagnóstico, ele aperta 18 pontos do corpo, 11 têm que doer muito para ser diagnosticada a fibromialgia. Depois, é preciso procurar uma equipe multidisciplinar de exercício, alimentação e terapia."

CONTROLE

O reumatologista do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), José Celso Giordan Cavalcanti Sarinho explica que a fibromialgia é um dos 120 tipos de reumatismo. É uma doença não inflamatória, mas causa muita dor no corpo todo. Frequentemente é associada ao transtorno depressivo ou de ansiedade, pois é uma alteração neurormonal, desencadeia essas causas. Também é caracterizada por um sono sem qualidade, a pessoa não tem a sensação de descanso.

"Não tem cura, mas é passível de um controle completo de sintomas, com atividade física regular, medicação, em geral utilizamos antidepressivos, e analgésicos, corticoides. O agravamento não tem relação com a idade e sim com o estresse, sono desregulado, parar de se exercitar ou de tomar a medicação. A gente teve uma demanda reprimida de pacientes em Jundiaí, temos um número reduzido de reumatologistas na cidade. Os pacientes são atendidos normalmente nas UBSs", fala o médico sobre a inexistência de grupos de tratamento em aparelhos da saúde pública.

A Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) informa que, dentre os medicamentos utilizados pela unidade, estão os antidepressivos, inibidores da receptação de serotonina e noradrenalina e podem ter benefício na redução da dor, além de auxiliarem no tratamento das comorbidades, tais como ansiedade e depressão. A prefeitura não respondeu, porém, sobre a oferta do tratamento completo aos pacientes.

(Nathália Sousa)

 


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