Jundiaí

Com produção exclusiva de uvas, Benedito Storani aguarda recurso

VITIVINICULTURA A estrutura, construída na unidade, recebeu um investimento de R$ 9 milhões e agora espera verba para aquisição de equipamentos


ALEXANDRE MARTINS
O professor Adilson Amatto diz que por enquanto não há venda do produto
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Finalizado desde 2016 com um investimento de R$ 9 milhões, o prédio projetado exclusivamente para o curso técnico de vitivinicultura, prática da produção de vinho, montado dentro da Etec Benedito Storani (EtecBest), está parado por falta de investimento do governo. De acordo com o professor de enologia Adilson Amatto, a unidade aguarda a espera da verba para os equipamentos para poder iniciar o curso aos alunos que se interessarem.

"Tudo foi projetado para a produção de vinhos finos. O Ministério da Agricultura regularizou tudo, mas veio o corte do convênio entre os governos do Estado e Federal e impediu que os equipamentos fossem comprados. Acredito que precisamos de R$ 6 milhões", explica.

Enquanto a verba não chega, para que a produção de uvas não seja perdida, os laboratórios funcionam com a ajuda dos alunos e do professor, em um processo feito artesanalmente. Uvas inclusive plantadas na própria sede da escola, como a Sauvignon Blanc, usada para fazer vinhos brancos, a Malbec e a Syrah.

O curso beneficiaria alunos e produtores de uva de Jundiaí e da Região. "Os três tipos são usados na produção de vinhos finos, por conta da qualidade da uva e o sabor que ela proporciona à bebida. Hoje, nós temos a única plantação de uvas como essas da região", conta.

CURSO E PRODUÇÃO

O objetivo do curso, segundo explica o coordenador, é ensinar os alunos todo o processo de produção do vinho. Eles terão acesso ao plantio e cultivo das uvas nas parreiras, colheita, maceração, fermentação e engarrafamento do vinho.

Amatto conta sobre o processo que a uva passa até virar bebida. "Após a colheita, as uvas vão para uma câmara fria, a cerca de 11 graus, e passam por um processo chamado maceração. Em seguida elas vão para outro recipiente e começa o processo de fermentação, de sete a oito dias. A liberação do gás carbônico faz com que as cascas das uvas fiquem por cima do recipiente", conta.

Depois que as cascas sobem, o líquido é transferido desses recipientes para barris e depois de dois meses, passados para as garrafas. "Nas garrafas ocorre um processo de refermentação, que cria um resíduo. As garrafas ficam 36 meses viradas para baixo, maturando, e após esse período, o bico da garrafa é congelado e assim, a pressão permite expelir esse resíduo. Depois é só completar com mais vinho e colocar a rolha", explica.

Uma curiosidade que poucos sabem, é que o vinho branco pode ser produzido de uvas roxas. "Se a uva for pressionada levemente, a cor não passa para o vinho e assim, é possível produzir o branco", conta.

O produto ainda não pode ser comercializado, mas acaba sendo distribuído entre os familiares dos alunos de agronomia, que nesta fase de teste, ajudaram a desenvolver os rótulos para as garrafas. "Por conta das regras de comercialização, ainda não podemos vender o vinho, mas nós damos de presente para algumas pessoas e até podemos inscreve-los em um concurso. Seria muito legal um vinho da região ganhando algum concurso", afirma.

 


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