Jundiaí

A importância de um Plano Arbóreo em Jundiaí

URBANISMO A relação entre o meio ambiente e a cidade precisa de apoio da população e do poder público para prosperar em harmonia


ALEXANDRE MARTINS
A engenheira agrônoma Dorothea Antonia Pereira Monteiro se preocupa com a educação ambiental da cidade
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Em meio à selva de asfalto e concreto, árvores e espaços verdes necessitam de cuidados e atenção, tanto da população quanto do poder público. Jundiaí ainda não possui um Plano de Arborização público e se encontra na 74ª posição no ranking do Programa Município VerdeAzul realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, com avaliação de 654 cidades. O embate, entretanto, é diário de quem quer cortar árvores para um mero desejo comercial ou por não querer ver a calçada suja e os ambientalistas, que querem preservar o verde urbano.

Segundo a engenheira agrônoma, Dorothea Antonia Pereira Monteiro, cidades ou locais, que possuem mais áreas verdes, têm melhor qualidade de vida e do ar, além de garantirem um conforto térmico. "Cada vez mais, nós percebemos a importância das políticas públicas para incentivar e conscientizar as pessoas da importância das árvores em nossa cidade", comenta.

A "arborização urbana" é um termo usado para definir a distribuição de árvores dentro do espaço urbano. Entram nesse grupo as árvores plantadas nas ruas, praças, parques e jardins privados.

Cada município pode ter um plano de arborização urbana criado por especialistas. E, nesse documento, são especificadas várias recomendações para garantir a segurança, organização e beleza dos espaços arborizados.

Segundo a Prefeitura de Jundiaí, o Plano de Arborização foi concluído e segue os trâmites administrativos para ser publicado no 2º semestre de 2021 e irá indicar os critérios de arborização em vias públicas.

Goiânia é a cidade mais arborizada do país, segundo o Censo Demográfico de 2010 do IBGE, a cidade possui 89,5% de arborização, com cerca de 1.200 árvores espalhadas pelo município. E, devido a ótima reputação, recebeu o título de "Capital Verde do Brasil".

Dorothea pontua sobre a importância das árvores no meio urbano, no qual trazem inúmeros benefícios. "É necessária uma integração entre as árvores e a infraestrutura da cidade", diz.

Além de nos fornecerem sombras, as árvores diminuem a questão do efeito sonoro e diminuem a velocidade das gotas de água da chuva, prevenindo enchentes. As copas funcionam como uma caixa d'água, pois elas transpiram, liberando água para o ar e auxiliam na manutenção da umidade relativa. Na cidade, a região da Malota e do Gramadão são as que apresentam maior densidade arbórea.

As ruas e avenidas muitas vezes dificultam o estabelecimento do sistema florestal da cidade e, com isso, cenas de copas atrapalhando o sistema de fiação elétrica, raízes quebrando calçadas e quedas de árvores inteiras acabam sendo costumeiras.

Por isso, é importante conhecer quantitativamente as características do espaço urbano, para poder ser estabelecido a mais eficiente cobertura arbórea para a cidade. As árvores têm que conviver com toda a infraestrutura do município, portanto também é necessário conhecer as espécies para que possam ser úteis no cotidiano da cidade, favorecendo todo o ecossistema urbano. "Não existe árvore errada, existe árvore plantada em local errado", afirma a engenheira agrônoma.

Em Jundiaí, não é recomendado que os moradores cortem ou podem as árvores por conta própria. Para isso, a Unidade de Gestão de Infraestrutura e Serviços Públicos, por meio do Departamento de Parques, Jardins e Praças, promove a avaliação das árvores, realizada por engenheiro agrônomo. E um laudo é criado, para indicar se é possível fazer tratamento para a recuperação da árvore ou se é necessária a supressão e substituição.

Para Rosana Ferrari, arquiteta e urbanista, a configuração urbana de uma cidade, muitas vezes não comporta árvores plantadas em vias e calçadas estreitas, portanto não se deve permitir o plantio de espécies de árvores com porte e altura inadequadas para determinados locais.

"Outro ponto importante, é que regiões mais adensadas e áreas históricas com vias estreitas não devem receber árvores. Que deverão ser destinadas às praças, aos parques urbanos e às vias mais largas", comenta.

De acordo com a arquiteta, é preciso ter um plano e colocá-lo em prática, nem que para isso algumas árvores tenham que ser sacrificadas para dar lugar a espécies mais adequadas. Com coerência, análise de técnicos do meio ambiente e bom senso para substituí-las, almejando sempre os ganhos ambientais que isso irá proporcionar.

A Prefeitura de Jundiaí informou que recebe, em média, 20 processos com solicitações referentes a árvores por dia. Mas o corte de árvores é prioritário quando são recebidas avaliações de risco iminente de queda.

Mas para obter sucesso nessa estreita relação entre meio ambiente e a cidade. É importante que a população tenha consciência da arborização urbana e de seus efeitos. "Campanhas de educação ambiental se tornam valiosas, tanto nas escolas quanto na população em geral, para que não coloquemos culpa nas árvores pela sujeira das ruas, mas sim na poluição", afirma Dorothea.


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