Jundiaí

Em meio à pandemia, mais de 6 mil bebês nascem em Jundiaí

ESPERANÇA Famílias não se deixam abalar e continuam a crescer, fazendo com que pequenas alegrias surjam em meio às dificuldades dos dias atuais


ALEXANDRE MARTINS
Paola de Moura Silva segura nos braços seu tão aguardado filho, Joaquim
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A pandemia durante 2020 não foi motivo suficiente para barrar o crescimento das famílias. De acordo com os dois Cartórios de Registro Civil em Jundiaí, no período de abril a dezembro de 2020 o total de nascimentos na cidade foi de 6335. Este ano, no mês de janeiro já nasceram 730 bebês e engana-se quem presume que os números diminuíram. O Hospital Universitário informa o nascimento de 3600 bebês em 2019 e 3612 bebês no ano passado. A mãe tem direito a acompanhante durante toda a estada no hospital e continua sendo liberada após 48 horas. No entanto, as visitas estão suspensas para todos, sem exceção.

Apesar de os registros se manterem constantes, isso não significa que as mamães não ficaram preocupadas durante a gestação. Paola de Moura Silva, 30, é fisioterapeuta e seu filho, Joaquim, nasceu em abril do ano passado. "Nosso bebê foi planejado antes da pandemia. Em março eu fui afastada enquanto meu marido ainda trabalhava. Foi um último mês de gravidez muito angustiante, isolado e pouco aproveitado", conta. "Era tudo novo, eu tinha medo de não ter um acompanhante na maternidade, mas meu marido ficou comigo. Não tivemos nenhuma visita", completa Paola.

Os pediatras têm orientado as mães sobre como agir durante este período. "Depois da alta, tivemos o mínimo contato com as outras pessoas. Os avós conheceram Joaquim rapidamente, sem contado físico, depois de 20 dias. Os três primeiros meses éramos só nós dois e o nosso filho", diz Paola. "Depois desse tempo, deixamos que os avós nos visitassem mais ou menos uma vez no mês, todos de máscara e pouquíssimo contato físico".

O fechamento das creches durante este período prejudicou muitos pais, para conciliar família e home office ou voltar ao trabalho e deixar os filhos aos cuidados de alguém. "Eu precisei retornar ao trabalho e meu filho fica com a minha sogra desde então. O contato continua cauteloso, com muito uso do álcool em gel e máscaras, por parte da família do meu marido e da minha também", conta a mãe. "Joaquim só conhece os avós e tias, todos de máscara. Ele vai fazer dez meses e nossos amigos nunca o viram pessoalmente".

SURPRESA

Larissa Maria da Silva, 19, é atendente de telemarketing e seu filho, Lucas Gabriel, nasceu em novembro do ano passado. "Descobri que estava grávida em abril do ano passado, meu filho não foi planejado mas em meio a pandemia ele foi a nossa alegria", conta a mãe.

Larissa conta que ficou bastante preocupada em descobrir a gravidez durante esse período. "Tenho asma e esse problema respiratório já me incluía no grupo de risco e, sendo gestante, o cuidado triplicou. Eu me cuidei muito bem, evitava aglomerações, e quando precisava sair usava máscara e álcool em gel o tempo todo", diz.

A jovem compartilha o que mais a incomodava na época. "A gente se preocupava principalmente com o nascimento dele. Ficar em um hospital no meio de uma pandemia não é nada reconfortante. Tive meu bebê no Hospital Universitário e tudo correu bem", conta Larissa.

A mãe conta como tem sido a rotina do recém-nascido. "O Lucas só sai de casa para as consultas de rotina ou para tomar vacina. Se alguém da nossa família precisa sair de casa, ao chegarmos não tocamos nele até tomarmos banho e trocarmos de roupa".

Larissa se emociona "Devido à pandemia, não realizamos um chá de bebê tradicional. Aderimos a 'Charreata', os familiares e amigos participaram em seus carros e foi tão incrível quanto um chá de bebê convencional".

O ginecologista e obstetra Francisco Pedro Filho, fala sobre o risco de gestantes contraírem o vírus. "A pandemia de covid-19 é nova, estamos todos aprendendo sobre essa doença. Esse vírus é diferente do H1N1, que era mais perigoso para gestantes e fazia com que elas estivessem no grupo de risco", aponta o médico. No geral, gestantes correm os mesmos riscos que os demais grupos. "Em casos mais leves, o tratamento é para melhora dos sintomas. Se a mãe tiver alguma doença, respiratória ou não, o feto pode ter problema de baixa de oxigênio. Nestes casos, o parto é feito para garantir o oxigênio do bebê", explica.

"Acompanhei o pré-natal de algumas pacientes, mas todas com quadro leve de sintomas, os bebês nasceram normais", afirma. "O protocolo para elas é o mesmo já orientado: evitar aglomerações, usar máscara e álcool em gel", encerra o médico.

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: