Jundiaí

Qualidade de sono e sonhos influenciam na saúde


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Viviane Pereira adotou o consumo de chás quentes antes de dormir
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O sono é uma parte muito importante da vida de um ser humano. Um adulto passa, aproximadamente, um terço do dia dormindo e, por conta disso, a falta dele ou a má qualidade pode gerar problemas para a saúde física e emocional.

O neurologista da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Richard Montgomery, explica a importância de uma boa noite de sono. "Do ponto de vista neurológico, o sono serve para um descanso dos neurônios. É um preparo para que o cérebro possa atuar durante o dia de forma satisfatória. Uma noite mal dormida ou uma sequência delas pode causar problemas como alteração na frequência cardíaca, na pressão arterial e na produção de cortisol, que é o hormônio do estresse", afirma.

Montgomery afirma que um adulto precisa de seis a oito horas de sono por dia. "Alguns precisam de mais, e raramente, outros precisam de menos. Contudo, a média de sete horas seria o ideal", diz.

O sono possui uma "arquitetura", ou seja, fases que a pessoa precisa passar várias vezes durante a noite para ter um descanso. Muitas pessoas mantêm hábitos ruins, que podem prejudicar o sono e o relaxamento. Para conseguir dormir melhor, é importante realizar a higiene do sono. "Esse termo se refere a retirar todos os estímulos que prejudicam o sono. Luminosidade de aparelhos eletrônicos, consumo de cafeína, bebidas alcoólicas e comidas gordurosas e atividades físicas intensas logo antes de dormir são alguns hábitos que prejudicam o descanso", ressalta o neurologista.

A diretora pedagógica Viviane Brykcy Vicente Pereira, 37 anos, sentiu na pele o que os maus hábitos antes de dormir causavam. "Comecei a ter problemas para dormir nos últimos anos, era muito difícil conseguir relaxar a mente, não parava um segundo. Por isso, ia dormir às 2h e acordava às 4h todos os dias. Consequentemente, isso afetava minha produtividade e minha saúde emocional", conta.

Viviane explica que sua rotina era como a que aprendemos quando crianças, mas não havia preocupação com os hábitos. "Escovar os dentes, colocar pijama e ir pra cama. Com o tempo essa rotina foi acumulando outras ações como ficar no celular olhando as mídias sociais, televisão ligada o tempo todo, levar trabalho pra cama, comer na cama ou por causa da rotina muito pesada eu acabava comendo muito tarde e deitando logo em seguida. Isso tudo impedia que meu cérebro entendesse que estava na hora de dormir e que podia relaxar", explica.

Por conta da insônia, a diretora pedagógica começou a se consultar com uma profissional que ensinou sobre a higiene do sono. "Hoje tenho meu ritual noturno bem estabelecido, assim vou dando sinais para meu cérebro que está chegando a hora de dormir. Deixo sempre a cama arrumada, fecho as cortinas e abro um pouco a janela para ventilar e deixar um clima agradável no quarto. Acendo uma vela aromática e sempre tomo um chá quente depois que visto o pijama e deito com meus gatos. Não uso o celular ou assisto a televisão no mínimo 30 minutos antes de deitar, comprei um abajur com controle de luz, não trabalho e não como mais na cama e ainda coloquei o Google Assistente para fazer um ritual antes de desligar o celular", conta.

Apesar de parecerem hábitos simples, Viviane ressalta que é preciso ter disciplina para conseguir cumprir a rotina. "Quando comecei a analisar meus hábitos noturnos percebi que muitos deles eu fazia desde a adolescência, o que dificulta um pouco. No começo eu ainda fugia muito dessa rotina criada, mas é uma constante tentativa de acerto, até que você comece a perceber os benefícios", afirma.

SONHOS

Os sonhos são pensamentos fragmentados que ficam no consciente da pessoa e por conta disso, podem influenciar na saúde do sono. A psicóloga Ana Paula Rocha explica como os sonhos podem alterar uma noite de descanso. "Quando dormimos, a mente relaxa e sai do estado de atenção. É nesse momento que os sonhos aparecem. Algumas vezes, surgem sem a censura que o cérebro impõe quando estamos acordados e unem fragmentos de momentos que vivenciamos durante o dia. Por isso temos sonhos que parecem sem sentido ou impossíveis de acontecer", afirma.

Ana Paula revela que pessoas que dormem mal possuem pensamentos muito acelerados ou transtornos de ansiedade e depressão tendem a ter sonhos negativos, prejudicando ainda mais a qualidade do sono. "Quase sempre, essas pessoas têm sonhos conturbados que as fazem acordar no meio da noite. Isso faz com que a qualidade do sono seja pior, já que o descanso é prejudicado por ser fragmentado, deixando a pessoa com sensação de exaustão no dia seguinte. Isso se torna uma bola de neve, pois os sonhos ficam ainda mais conturbados por que a pessoa está muito cansada ou ansiosa. Nesse momento é preciso fazer uma avaliação médica", afirma.

(Mariana Checoni)


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