Jundiaí

Retorno recebe apoio de pais, alunos e profissionais

AULAS PRESENCIAIS Especialistas defendem que é hora de voltar pelo baixo risco de contaminação


JORNAL DE JUNDIAI
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Crédito: JORNAL DE JUNDIAI

As aulas presenciais retomaram nesta segunda-feira (8) para 3 milhões dos 3,3 milhões de alunos da rede estadual de São Paulo, inclusive em Jundiaí. De acordo com a secretaria da educação, as escolas estão autorizadas a funcionar com 35% da capacidade, em sistema de rodízio dos alunos, definido por cada escola.

Pais, alunos e profissionais da saúde defendem o retorno, contanto que a escola cumpra todas as regras estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde. A carga horária foi adaptada na maioria das escolas para o cumprimento das normas e em Jundiaí não foi diferente.

Mesmo com um movimento tímido na frente das unidades, pais e alunos estão satisfeitos com o retorno. Catarina Lira Maffez Martha, de 15 anos, iniciou o primeiro ano do ensino médio em uma tradicional escola do centro de Jundiaí que aplica o ensino em tempo integral. "Antes da pandemia, a gente não via a hora de sair da escola, mas esse ano sem frequentar a aula vimos o quanto a escola faz falta. O ensino remoto não é a mesma coisa que uma aula presencial, com os professores e os alunos", revela.

Ela diz que todos os cuidados estavam sendo tomados. "Tinha álcool em gel, máscaras, distanciamento nas aulas e no almoço. Foi ótimo. Nunca tinha estudado em escola integral e gostei muito da experiência", afirma.

A pedagoga Kelly Martha, mãe de Catarina, afirma que a escola passou toda a segurança quando conversou com os pais dos alunos. "Eles respeitaram quem preferiu ficar em casa e deram toda a assistência para quem iria voltar. Além de todas as medidas de proteção, criaram uma sala completamente preparada e isolada para que qualquer aluno que apresente sintomas de coronavírus permaneça até que os pais busquem", revela.

O governo do Estado autorizou a abertura das unidades escolares mesmo nas fases mais restritivas do Plano São Paulo, colocando a Educação como serviço essencial. A decisão é baseada em experiências internacionais para garantir a segurança dos alunos e professores, bem como o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças e adolescentes.

HORA DE VOLTAR

A pedagoga e professora do primeiro ano do ensino fundamental, Chaiene Camargo Savietto, afirma que voltar a rotina é muito importante para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. "A gente percebeu com o retorno das crianças que a parte social é muito importante para a formação do adulto. Do jeito que é possível, com todas as regras, eles interagem e conversam um com o outro. Nesse ano, percebemos que muitos que moram em apartamentos e não saíram na pandemia têm o desenvolvimento motor prejudicado. Além disso, alguns deles chegaram mais tímidos e com medo de interagir com a gente e os amigos e agora, na segunda semana, eles já estão mais soltos. Percebemos a felicidade das crianças. É extremamente importante que a escola receba os alunos de maneira diferente", afirma.

Para o infectologista e pediatra do Hospital Universitário (HU), Saulo Passos, defende que a escola oferece um risco muito baixo de contaminação. "Se todas as medidas forem cumpridas pela escola, é pouco provável que as crianças ou funcionários se contaminem. Inclusive, estudos comprovam que países que mantiveram as aulas não apresentaram maior número de infecções", afirma.

O infectologista ressalta que está na hora de voltar "As crianças já estão sofrendo um prejuízo pedagógico muito grande por serem afastadas das escolas. É hora de voltar, seguindo todas as medidas. Atividades ao ar livre, salas arejadas, distanciamento e uso de máscaras e álcool em gel são essenciais para evitar a infecção", explica.

GREVE

Apesar da autorização, a volta era incerta. Isso porque o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) aprovou na última sexta-feira (5) uma greve contra o retorno até que os profissionais da educação estejam vacinados.

De acordo com o diretor da Apeoesp Jundiaí, Wilder Cássio de Freitas, não foi possível dimensionar a greve na região. "Se os professores não aderirem ao sindicato, não temos como saber quantos estão em greve, mas acredito que seja pontual e a maioria não tenha aderido", explica.

Freitas ressalta que o sindicato não é contra o retorno, e sim que ele aconteça quando for seguro. "As escolas sempre ficaram abertas, inclusive na pandemia, para tirar dúvidas dos alunos. A questão é o preparo das escolas para receber alunos e funcionários", explica

Segundo a Secretaria de Educação de São Paulo, os alunos que não puderem acompanhar as aulas nas escolas devem fazê-las remotamente no Centro de Mídias da Educação de São Paulo. E até mesmo quem retornar à rotina de aulas terá apoio.

MEDIDAS

Todas as escolas da rede estadual e municipal precisam obedecer a uma série de critérios para receber alunos, professores e servidores. Ao adentrarem nas unidades, todas as pessoas terão a temperatura aferida, estudantes e servidores devem lavar as mãos com água e sabão ou higienizar com álcool em gel 70% ao entrar na escola e é obrigatório o uso de máscara de tecido dentro da escola.

 

Rede municipal voltou há uma semana

Amanda Sena conta que a filha Ana Lice não saía de casa desde março
Amanda Sena conta que a filha Ana Lice não saía de casa desde março
Crédito: JORNAL DE JUNDIAÍ

A rede municipal de ensino em Jundiaí retornou presencialmente há uma semana, com rodízio de turmas, mesmo assim, pais e crianças estão satisfeitos com o retorno presencial.

A autônoma Juliana Moraes, de 37 anos, tem dois filhos em uma escola municipal no Centro, o Enrico Moraes Pereira, de oito anos e Manuela Moraes Pereira, seis anos.

As crianças têm aula presencial duas vezes por semana e de acordo com a mãe, ficam ansiosas para ir a escola. "Eles estão com aulas em horário reduzido desde a semana passada, mas está sendo muito bom. Ficamos um pouco apreensivos por ainda não ter vacina, mas a felicidade deles compensou tudo. No domingo, eles dizem que querem dormir cedo para chegar logo o dia de ir para a escola", relata.

Amanda de Almeida Sena, de 25 anos, conta que foi julgada por permitir que a filha, Ana Lice de Almeida Sena, 5 anos retornasse. "As pessoas falavam 'você está em casa, por que não fica com ela?', mas é completamente diferente. Por mais que ela tivesse com aula remota, o aprendizado é muito diferente. É importante essa interação com outras crianças e professores", conta.

O retorno tem obedecido critérios de medidas de segurança. (M.C.)


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