Jundiaí

Venezuelanos firmam-se em Jundiaí mais de um ano após imigração

Crise que começou em 2013 na Venezuela acentuou-se em 2018 e a cidade virou destino procurado


ARQUIVO PESSOAL
Angelyz Portuguez veio para Jundiaí com o marido e os dois filhos
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Questões políticas e econômicas fizeram com que milhares de venezuelanos deixassem seu país natal a caminho do Brasil, em uma crise que começou em 2013, mas se acentuou em 2018. Com a maioria deles em Roraima, o estado começou também a entrar em crise e muitos deles deixaram o local e Jundiaí foi um dos destinos finais.

A Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS), da Prefeitura de Jundiaí, não dispõe de dados gerais dos imigrantes venezuelanos no município, sabe apenas quantos deles estão inscritos em programas sociais, que hoje são 31 e em novembro de 2019 eram 24.

Muitos dos venezuelanos que chegaram no município já firmaram residência e estão empregados. Em parte, graças ao Centro Scalabriniano de Promoção ao Migrante (Cesprom). A responsável pelo local, a irmã Maria Cléia Franca Santos, acredita que há mais haitianos do que venezuelanos em Jundiaí, mas que, mesmo durante a pandemia, a imigração do país vizinho não parou.

"Com a pandemia, damos aulas on-line de português, organizamos a documentação com a Polícia Federal e assim que o imigrante está regular, fazemos o currículo. Temos uma voluntária que cuida disso, procura vagas e divulga para eles", explica Cléia.

Sem conhecer os venezuelanos que pedem ajuda nas ruas, ela diz que está pronta a ajudar. "Já comentaram comigo que havia venezuelanos em semáforo pedindo e até gostaria de ter o contato, mas não vi nenhum ainda", relata.

VIDA NOVA

A nutricionista Nel Barrios de Cabrera está em Jundiaí há 16 meses e ainda tem dificuldades com a língua, mas se adapta e diz que recebe a ajuda de muitas pessoas. "Morei primeiro no Mato Dentro e ficamos lá temporariamente até conseguir algo. Depois meu marido e meus filhos começaram a trabalhar e conseguimos alugar um apartamento no Eloy Chaves. Eu e meu marido somos graduados e lamentavelmente temos que trabalhar fora da área, mas imigrante precisa sobreviver", diz ela que hoje trabalha em um supermercado, emprego bem diferente do que tinha na indústria petroleira da Venezuela, mas que pagava apenas três dólares por mês em meio à crise.

Rita Contreras também veio com a família para Jundiaí. "Meu esposo veio quatro meses antes para o Brasil, depois viemos eu e meu filho. Sou química e meu marido é agrônomo, trabalhava no porto da Venezuela, mas a situação estava difícil, o que ganhávamos só dava para comer e era difícil ter medicamentos. Meu marido está em uma empresa e eu faço bicos. Em Boa Vista, cheguei a trabalhar cinco meses como professora. Eu gosto de Jundiaí, moro em um lugar bem tranquilo", relata.

Já Angelyz Portuguez chegou a Jundiaí em 2019 acompanhada do marido e dois filhos. Chegou ao Brasil por Roraima, ainda grávida, mas pretendia apenas dar a luz e voltar à Venezuela, porém acabou ficando e se mudando. "Temos ajuda de várias pessoas em Jundiaí. A dificuldade que tenho é com o idioma, mas estou amando Jundiaí. "Trouxeram a gente para uma casa que já tinha alguns móveis e tínhamos a proposta de emprego para o meu marido", diz ela que atualmente não trabalha, mas que recebeu ajuda da Cáritas Diocesana.

(Nathália Sousa)

 


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