Jundiaí

Procura por cuidador de idosos cresce na pandemia

EM ALTA Neste período de isolamento, principalmente para os mais velhos, o cuidado é necessário


ALEXANDRE MARTINS
Aos 56 anos, Isabel Roncati fala do prazer em cuidar dos idosos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A pandemia de coronavírus mudou muitas coisas na sociedade e uma delas é a necessidade de haver um cuidado voltado aos idosos, os mais suscetíveis à covid-19 e, por segurança, tendem a ficar mais isolados neste momento. Apesar de não haver números de quanto são estes profissionais cadastrados, quem está na área relata a procura excessiva pelos seus serviços.

Segundo o enfermeiro e proprietário de uma empresa que oferece cursos de capacitação para cuidadores de idosos, André Oliveira, fala da carência do mercado.

"A demanda surgiu no período pré-pandemia, mas a pandemia sem dúvida aumentou a demanda. A necessidade já era crescente devido ao envelhecimento populacional e pelo fato de as pessoas precisarem deixar seus idosos em casa para poderem trabalhar", diz.

Para ele, o cuidador de idosos precisa se qualificar. "Criei a minha empresa antes da pandemia, por gostar muito de geriatria e gerontologia e por questões de mercado. Para uma pessoa ser cuidadora de idosos, ela precisa gostar de pessoas e buscar uma formação. É um serviço que precisa de habilidades técnicas, então é necessária uma formação na área", pontua.

Segundo o professor de cursos na área da saúde no Senac Jundiaí, inclusive de cuidador de idosos, Marcos Aurélio Zuim, acredita que a demanda aumentou durante a pandemia por dois motivos. "Aumentou por pessoas que tinham idosos, alguns morando sozinhos, e queriam o cuidado para evitar que o idoso saísse de casa. Também há muitas pessoas que não conseguiram cuidar dos idosos neste momento e precisaram contratar um profissional para verificar pressão, dar banho, enfim. A contratação aumentou, mas pedem em muitos casos para que o cuidador more na residência do idoso neste momento de pandemia."

Zuim acredita que a tendência crescente da pandemia já existia há algum tempo. "Antes da pandemia já estava aumentando a demanda e depois da pandemia vai continuar. Segundo o IBGE, a tendência é que no Brasil, até 2060, cerca de 25% da população seja idosa. Na Europa já há carência desta mão de obra, inclusive tem muitos brasileiros que vão para lá para trabalharem como cuidadores. No Brasil a incidência já é alta e pode até vir a faltar o profissional", lembra ele sobre a demanda alta que já é realidade, mas tende a crescer ainda mais.

AMOR AO PRÓXIMO

O cuidado com idosos passou a ser necessário, mesmo quando os velhinhos têm mobilidade, não são acamados, às vezes pela simples companhia, que muitos idosos que moram sozinhos não têm. Mas, ao mesmo tempo, neste momento há o temor quanto à presença de alguém que vai de fora para a casa, devido ao risco de contaminação pelo coronavírus. Sendo assim, profissionais capacitados, que conhecem os cuidados necessários são demandados.

Segundo a cuidadora Isabel Roncati, de 56 anos, que trabalha profissionalmente há dois anos, o serviço requer paciência e comprometimento. "Eu trabalhava em uma padaria e ia bastante idoso lá, eles gostavam de conversar e eu percebia que muitos iam só para conversar. Então falei para algumas amigas que eu queria trabalhar como cuidadora. É um serviço que requer paciência porque não é fácil, os idosos reclamam que não fazem mais o que faziam na juventude, quando têm Alzheimer, repetem a mesma frase várias vezes", comenta.

Para ela trata de um trabalho que se aprende a cada dia e está muito em alta. "Com certeza aumentou a demanda. Sempre vejo pessoas procurando cuidador. Acho que filhos muitas vezes não têm muita paciência, cuidar de idosos é como uma batalha no dia a dia", explica.

OFERTA

Em Jundiaí, tanto o Fundo Social de Solidariedade de Jundiaí (Funss), como no Hospital Universitário (HU), ofereceram cursos para cuidadores de idosos informam que neste momento não há a oferta da qualificação.


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