Jundiaí

Em Jundiaí, 75,5% das vagas em abrigos estão ocupadas

102 vagas ofertadas pela Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS) para pessoas em situação de rua, 77 estão ocupadas


JORNAL DE JUNDIAÍ
Jonas da Silva utiliza o espaço eventualmente para tomar banho
Crédito: JORNAL DE JUNDIAÍ

Das 102 vagas ofertadas pela Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS) para pessoas em situação de rua, 77 estão ocupadas, mas a procura pelos abrigos, se comparada aos últimos anos, está estável para o período.

Segundo a unidade, mensalmente são compradas 32 vagas de curta duração, na modalidade Casa de Passagem, ofertadas pela Organização da Sociedade Civil (OSC) Serviço de Obras Sociais (SOS). Outras 60 vagas de maior duração na modalidade abrigo, ofertadas pela OSC Casa Santa Marta (20 vagas) e pelo Centro Terapêutico e Educacional Cristão (CTEC) unidades 1 e 2 (40).

Na modalidade república, quando os acolhidos moram no local, Jundiaí dispõe de 10 vagas.

A UGADS classifica o Centro Pop, por exemplo, como a 'porta de entrada' para o atendimento à população em situação de rua no município, de modo a articular os serviços da rede socioassistencial com outras políticas públicas. É também a partir do Centro Pop que são feitos os encaminhamentos para abrigamentos nas OSCs parceiras.

Entre os usuários, está Jonas Silva, de 51 anos, que utiliza o local somente para o banho. "Venho de vez em quando para tomar banho, mas nem é toda semana. Quando venho, é mais à tarde, de manhã que tem mais gente. Não venho para dormir, mas também já vim para tomar sopa, falar com a assistente social para ela me ajudar em alguma coisa."

Ele costuma ficar perto da rua Pitangueiras e se alimenta no Bom Prato. "Eu recebo o Bolsa Família, então sempre tenho o que comer. Não durmo em albergue também, dá muita confusão, tem maconheiro, tarado, psicopata, não dá para ficar lá", explica ele sobre o acolhimento no Centro Pop, que é tranquilo se comparado aos abrigos noturnos.

Helena (nome fictício), de 22 anos, estava com três amigos no local. Ela diz que o Centro Pop oferece um bom atendimento, diferente do SOS. "O Centro Pop é ótimo, ruim é o SOS. Fui expulsa de lá porque tenho depressão e não tinha o remédio. No SOS tem vaga sobrando e gente dormindo nas ruas. Se você dorme lá e não passa com psicólogo e assistente social no dia seguinte, eles não deixam mais você entrar", conta.

Ela diz que recebe alimentação e vestimentas da unidade. "Aqui eles não expulsam ninguém. Se a gente estiver cansado, a gente vem e estende o coberto aí, dorme, eles dão sopa, deixam tomar banho, dão roupa, calçado, cobertor. As pessoas que trabalham aqui tratam a gente bem. No SOS não dão coberta, tratam a gente igual animal", reclama.

ABRIGO EMERGENCIAL

O abrigo emergencial construído na Vila Aparecida com a finalidade funcionar como uma pré-triagem, devido ao risco de contaminação da pandemia, está inativo. A UGADS informa que a estrutura, montado no Centro Esportivo Jardim Ângela, iniciou suas atividades em 30 de março e foi mantida até 31 de agosto, também para a Operação Noites Frias. Havendo necessidade, a UGADS informa que poderá reativá-lo.

A unidade informa que foram registrados quatro casos positivos de covid-19 em pessoas em situação de rua, de março a junho de 2020. Estas pessoas não estavam em abrigos. Após esse período, não foram registrados novos diagnósticos positivos na cidade.

(Nathália Sousa)

 


Notícias relevantes: