Jundiaí

Nem a covid pôde parar o amor no tempo de quarentena

NAMOROS Jovens contam suas experiências ao conhecerem o amor, mesmo com contato limitado


Arquivo Pessoal
Bruna Zanella e Mateus Zillo ficaram os seis primeiros meses de namoro em casa, para se conhecerem melhor
Crédito: Arquivo Pessoal

A pandemia transformou a vida de muitas pessoas em todo o mundo. Aulas e trabalhos em casa, on-line, novos jeitos de consumir, mudanças de hábitos de higiene e até mesmo a maneira de se relacionar com outras pessoas.

Ao mesmo tempo que muitos relacionamentos sofreram términos, muitos outros iniciaram nesse período, tornando a expressão "amor nos tempos de quarentena" um sentimento vivido constantemente.

Foi o caso da jornalista Maria Luisa Simoes, 21 anos e do produtor audiovisual, Lucas Domizio, 25 anos. O casal se conheceu no trabalho e "ficou" a primeira vez em dezembro de 2019. "Continuamos 'ficando' esporadicamente e fomos pro Carnaval do Rio de Janeiro juntos ano passado, mas como amigos. Quando voltamos para São Paulo resolvemos que íamos ficar sem compromisso e duas semanas depois veio a pandemia. Eu voltei para o interior para ficar com a minha família e ele ficou em São Paulo. Achamos que isso esfriaria a relação e não teria continuidade", conta Maria Luisa.

Ao contrário do que pensaram, a pandemia uniu o casal em vez de afastar. "A gente conversava todos os dias, mil assuntos diferentes e isso fez com que um conhecesse melhor o outro, mesmo a distância. Mandávamos fotos do que a gente fazia na quarentena, o que estávamos comendo, assistindo e até criamos uma playlist para compartilhar as músicas que cada um gostava. Cerca de três meses depois, ele pediu para ir ao interior me ver, fez um teste para a covid e foi", relata a jovem.

Após o final de semana juntos, veio o namoro. "Estamos juntos há sete meses e sempre brincamos que temos um namoro de quarentena, pois nunca fizemos coisas de casal juntos, por exemplo, nunca fomos ao cinema ou ao parque. A primeira vez que saímos pra comer foi em dezembro, cinco meses depois do início do namoro", revela.

Maria Luisa conta que o casal está sempre inventando algo para fazer e isso que torna o namoro gostoso. "Sempre criamos algo pra fazer, mesmo que em casa. É um namoro muito intenso, são sete meses que parecem dois anos, porque como a gente fica muito em casa, só nós dois, sem nos reunir com outras pessoas além de nossos familiares, estamos completamente imersos na vida do outro. Não vemos a hora de tudo passar e a gente poder desbravar a vida juntos, somos muito gratos por esse tempo", afirma.

AMOR VIRTUAL

A história de amor do casal Daniele Roveri, 26 anos, e Matheus Fagundes Lopes, 24 anos, começou um pouco diferente. Juntos há cinco meses, se conheceram pelo Tinder. "Saímos a primeira vez em setembro, quando o comércio, bares e restaurantes voltaram a abrir. Tanto ele quanto eu tínhamos ficado trancados em casa desde março e sabíamos que estávamos bem. Além disso, tomamos todos os cuidados e sempre nos protegemos", conta Daniele.

Os encontros em tempos de quarentena tiveram que se adaptar. Passeios românticos foram transformados. "Foram poucas oportunidades. Nosso primeiro encontro foi em um barzinho. Depois disso, conseguimos ir uma vez no cinema e uma vez em um cinema drive-in. Depois fomos em casas de amigos ou na casa um do outro e assim estamos juntos até agora", conta ela.

A coordenadora pedagógica Bruna de Carvalho Zanella, 25 anos e o veterinário Mateus Sibinel Zillo, 26 anos, prestes a completar 11 meses de namoro, contam que o namoro de quarentena tem um fator que beneficia o relacionamento, dá para conhecer mais o parceiro em menos tempo. "Começamos a namorar em março, no começo da pandemia. Até uns seis meses de namoro não fizemos nada, somente frequentávamos a casa um do outro. Passamos mais tempo juntos, sem nada para atrapalhar. Quando passamos para a fase amarela e saímos para pescar, ir ao cinema, restaurantes ou casas de amigos pela primeira vez, nossa relação já estava fortalecida", explica.

O casal se conheceu pelo Instagram e quem tomou a iniciativa foi Bruna. "Eu estava no Instagram e vi um post da veterinária que minha prima é proprietária. Era uma foto dele com um cachorro. Mandei uma mensagem falando 'se for solteiro é lindo, se namora finge que não mandei nada'. Minha prima mostrou a mensagem para ele, que começou a me seguir", conta.

Os caminhos se desencontraram, pois no perfil de Bruna aparecia que ela estava em São Paulo e não em Jundiaí. "Ele pensou que eu era de São Paulo e não me chamou para conversar porque achou que era muito longe. Quando minha prima explicou que eu era de Jundiaí ele me chamou para conversar e descobrimos muitos gostos em comum, amor pelos animais, passeios, filmes, comidas. Conversávamos o dia todo, até que ele me convidou para comer um pastel com a família dele", revela.

Bruna conta que teve medo da pandemia, mas acabou cedendo. "No início fiquei com medo da covid, mas já estava isolada há um mês e ele mais tempo ainda então resolvi ir. Conversamos um tempão e nos beijamos pela primeira vez. Alguns dias depois ele me pediu em namoro, para nos conhecermos melhor e tentar algo sério. A partir disso não largamos mais um do outro. Sempre rolou um medo por nossas famílias, mas tomamos todos os cuidados e fizemos testes de covid para ter certeza", relata.

Mateus ressalta que todos os encontros do casal foram feitos em casa. Às vezes na dele, outras na dela. "Há cerca de três meses fomos no shopping pela primeira vez, não estávamos saindo para nada. E posso afirmar que não fez falta alguma para o nosso relacionamento essa falta de lugares para nos encontrar", conta.


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