Jundiaí

Trabalhadores da alimentação amargam perda de emprego

PANDEMIA Com o fechamento de estabelecimentos e a suspensão de eventos, muitos dos prestadores de serviços continuam desempregados


ARQUIVO PESSOAL
Paulo Rogério Cândido está desempregado há cerca de seis meses
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

A pandemia mudou a dinâmica de funcionamento de diversos setores da economia e o mais impactado no Brasil e em Jundiaí, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), foi o de Serviços. No município, de março a dezembro de 2020, o saldo de vagas do setor fechou no negativo, com 777 demissões a mais que contratações.

Especificamente o trabalho de garçons, copeiros, recepcionistas, entre outros, que atuam em bufês, restaurantes e bares, foi bastante impactado, com o fechamento de estabelecimentos durante alguns meses e a suspensão da realização de eventos.

Ainda segundo o Caged, somente na categoria de trabalhadores deste setor, que atuam com alimentação, foram 928 vagas perdidas e não repostas entre março e dezembro do ano passado em Jundiaí. Majoritariamente, essas demissões ocorreram em restaurantes e lanchonetes.

Desempregado há seis meses, Paulo Rogério Cândido trabalhava em dois empregos, mas hoje não tem nenhum. Enquanto o setor de eventos não retorna, ele vive com as parcelas do seguro-desemprego. "Trabalhava como garçom em um bufê e também era promotor de vendas, mas fui demitido em agosto, por causa da pandemia. Como garçom, eu era freelancer e estava no bufê desde quando ele abriu. A maioria dos garçons trabalha assim, de freelancer, não tem carteira assinada, então é até difícil para conseguir algum auxílio", conta.

Ele lamenta a fonte de renda perdida enquanto não for possível a realização de eventos. "Toda festa que tinha, eu trabalhava. Agora não tenho mais renda enquanto não voltar a ter festa. Neste mês, recebo a última parcela do seguro-desemprego e o próximo mês tenho zero renda. Conheço poucos garçons registrados, em bufês e em restaurantes também, a maioria é freelancer."

Para Cândido, seria bem-vinda alguma ajuda para esta categoria. "Infelizmente acho que as festas não voltam tão cedo. Eu mesmo não tenho vínculo com sindicato e muitos profissionais fizeram acordos. Acho que ajudaria algum auxílio ou pelo menos uma cesta básica porque mercado está bem caro", reclama ele, que tem um filho de 10 anos.

Bruna Fernanda da Silva, que trabalhava como garçonete freelancer, também aguarda pelo retorno. "Eu trabalhava em um bufê infantil quando chamavam ou até mesmo em festa de empresa. Não trabalho com isso desde antes da pandemia. Garçons que trabalhavam assim estão em outros empregos agora", relata.

E ela chegou a tentar outra área. "Trabalhei como cuidadora de idosos, mas estou desempregada no momento. Não recebi o auxílio emergencial, mas seria necessário", conta.

RECURSOS

Para ajudar estes trabalhadores que perderam o emprego no ano passado, o Governo Federal ofereceu o Auxílio Emergencial, suspenso em dezembro após pagar três parcelas de R$ 600 e e três de R$ 300 a 67 milhões de brasileiros.

Neste ano, o auxílio deve voltar a ser pago, mas o valor cai para R$ 250 e o benefício é voltado apenas para quem recebe algum tipo de assistência social, como o Bolsa Família. Com o corte de beneficiários, apenas 40 milhões de brasileiros devem receber o valor. O plano ainda passa por adequações.

O Benefício Emergencial (BEm), criado pelo Ministério da Economia durante o período de pandemia para a preservação de empregos, teve 83.990 acordos fechados em Jundiaí, de abril e dezembro do 2020. A suspensão de contrato foi a modalidade mais utilizada, seguida pelas reduções salariais, de 25%, 50% e 70%, respectivamente.

Serviços, que foi o setor mais impactado pela pandemia, também foi o que mais aderiu ao BEm no município, responsável por 41,7% dos acordos. Em seguida, a Indústria fechou 31,8% dos acordos e o Comércio 25,3%. Os demais setores, Agropecuária e Construção Civil têm números mais baixos.


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