Jundiaí

Alta dos combustíveis impacta toda a indústria

CUSTOS Da matéria-prima ao consumidor final, todo produto passa por diversos tipos de transportes


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Carlos Alberto De Marchi é impactado duas vezes, como produtor rural e na comercialização
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Somente neste ano, a gasolina teve alta de 34,78% e o diesel de 27,72% nas refinarias. E, sendo o combustível necessário na maioria das operações industriais, o aumento na primeira ponta da cadeia de distribuição acaba refletindo para o consumidor final.

O reajuste da Petrobras, maior empresa do ramo no Brasil, levou em consideração as variações do mercado internacional, inclusive a variação cambial. O novo reajuste, válido desde ontem (19) é o 3º do diesel e o 4º da gasolina no ano. Na prática, a gasolina foi de R$ 2,25 para R$ 2,48 o litro nas refinarias. Já o diesel foi de R$ 2,24 para R$ 2,58 o litro na refinaria.

Segundo o diretor de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp Jundiaí), Marcio Ribeiro Júlio, o aumento dos combustíveis reflete em todo o consumo da sociedade. "O custo do transporte representa geralmente de 12% a 25% do valor do produto final. Estamos em um momento complicado, com sucessivos aumentos de impostos. É importante considerar o poder de compra das pessoas e o preço do combustível impacta neste poder", relata.

Ele explica que que o aumento dos combustíveis não é um aumento singular, diversos outros impostos têm aumentado e tudo isso tem um efeito bastante nocivo para a indústria e também para a agropecuária. "O aumento do diesel aumenta diretamente o valor dos transportes e o impacto nos transportes contamina a indústria em geral", explica ele.

BOMBA

O valor dos combustíveis, com este vertiginoso aumento, faz com que o produto final seja impactado, já que todo o processo encareça. Para o diretor industrial de uma empresa de polpas de frutas e legumes congelados, que tem plantio e distribuição próprios, Carlos Alberto De Marchi, o combustível faz parte de toda a produção, da roça ao cliente final.

"O impacto dos combustíveis e derivados de petróleo é grande para a indústria e, especificamente a nossa, que está ligada com o agro. Trata de uma cadeia completa. O impacto da gasolina, do diesel e do gás não é só na entrega, começa no campo, porque também somos produtores. Os valores vão se sobrepondo nas etapas de produção, é sequencial", alega ele sobre o combustível que altera o valor de todos os processos.

O diretor-superintendente de uma empresa que produz itens voltados à construção civil, Manoel Fernandes Flores, diz que, não só o combustível, mas o petróleo em si mais caro tem gerado acréscimos na produção, já que muitos itens feitos pela empresa são de plástico.

"O combustível impacta diretamente na nossa frota e no frete porque vendemos para o Brasil todo e exterior. Como parte da nossa matéria-prima é originária do petróleo, também sentimos neste sentido. Em abril de 2020, o barril de petróleo estava U$ 11, agora já está U$ 50, vem aumentando absurdamente nos últimos meses. O repasse para o consumidor é inevitável, se a indústria não repassa, trabalha com prejuízo", explica Manoel.

SOBREVIVÊNCIA

Se a alta impacta indústrias que vendem produtos diversos, para empresas que oferecem o transporte, o aumento é bastante danoso. Gerente logístico de uma empresa de transportes, Wilton Pereira, fala que o frete não varia para cima como o combustível, pelo contrário.

"O valor do diesel aumenta, então a tendência é o cliente querer reduzir o custo do serviço que ele contrata. A concorrência é desleal nesse sentido, porque nem todos preferem a excelência do serviço, preferem pagar menos", conta o gerente.

Pereira fala que, com isto, os empregos acabam sendo perdidos. "Precisa ter cortes no lucro e até na mão de obra por causa da alta. Se o índice de frete não acompanha o diesel, como sobrevivemos? Só tem acréscimo e o frete está congelado."

 


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