Jundiaí

Lockdown de madrugada não exerce muito impacto

RESTRIÇÃO Estabelecimentos que funcionam durante o dia não serão afetados pela proposta


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Marcio Ribeiro Julio diz que a mudança não atinge a indústria
Crédito: ARQUIVO JJ

O lockdown anunciado pelo governador João Doria nesta quinta (24) visa a contingência de aglomerações, um dos motivos para o aumento de casos de covid-19 e internações neste momento. Com início na sexta-feira (26), a medida restringe a circulação de pessoas entre 23h e 5h e inicialmente se estenderá até 14 de março para todo o estado, inclusive Jundiaí. A fiscalização do toque de recolher será feita por equipes do Procon e da Polícia Militar..

Na prática, porém, a principal mudança é o endurecimento da fiscalização contra aglomerações em qualquer horário e a realização de eventos proibidos aos finais de noite e madrugadas. Os serviços essenciais continuarão a funcionar normalmente durante qualquer período, inclusive o horário restrito. Também não haverá advertência, multa ou impedimento à circulação de trabalhadores.

O diretor do Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Jundiaí, Marcio Ribeiro Julio, comenta que havia a preocupação de que esse decreto pudesse afetar o deslocamento de alguns funcionários no horário de final do segundo turno e início do terceiro turno, mas isto não irá acontecer. "Como é uma recomendação, focada na parte de aglomeração de pessoas, não irá afetar um grande impacto específico para a indústria", diz.

COMÉRCIO

Para comerciantes que trabalham em horário comercial, embora haja o temor de um novo retrocesso da cidade no Plano SP, este lockdown não os atinge. No ramo de decoração e joalheria, Azor Genaro acredita que abrir a loja sem clientela também é ruim. "Se ficar aberto sem poder funcionar direito tem despesas também. Desde o início da pandemia, caiu 90% do movimento, parou tudo. Acho que se precisasse fechar 15 dias para conter a pandemia, valeria a pena, melhor do que ficar desse jeito", comenta.

Alessandra Sanches, de uma loja de tecidos, diz que a medida não altera nada. "Para nós, não muda nada e não acho que vá mudar nada na situação da pandemia. O abre e fecha é horrível, as pessoas ficam em dúvida."

Ela diz que viu o movimento da loja cair cerca de 40% desde o início da pandemia e por isso acha que a medida é tardia. "Eu acho que na situação que chegamos é difícil, agora é só enxugar gelo. Acho que as pessoas precisam ter consciência."

Já para Amadeu Paes, proprietário de um posto de combustíveis que funciona 24h, o toque de recolher durante a madrugada será prejudicial para os negócios. O movimento caiu cerca de 30% desde o início da pandemia. "Se não tem ninguém na rua, não tem movimento, eu não tenho cliente. Funciono 24h porque o movimento é razoável, mas assim vai cair. Se puder ficar aberto, eu vou deixar aberto", diz ele, que também teme pelo retrocesso de fase, pois afasta a clientela com o trabalho e estudo remotos.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio), Edison Maltoni, o comércio não pode ser considerado como vilão nesta pandemia. "Os comportamentos de risco, como aglomerações de pessoas e o não uso de máscaras, colocam em risco o combate ao coronavírus."

Segundo o presidente da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí, Mark William Ormenese Monteiro alerta que é preciso mais empatia da população com as famílias vítimas do coronavírus e com os comerciantes, que estão sendo obrigados a fechar seus estabelecimentos porque não aguentam a crise. "Se a população não colaborar, vai demorar muito mais tempo para sairmos desta situação e podemos, inclusive, ter restrições mais sérias", diz.

LOCAL

A Prefeitura de Jundiaí informa que está editando o decreto para adequação do município às novas definições do Plano SP. O documento será publicado até sexta-feira (26), na Imprensa Oficial do Município.

Jundiaí contabilizou 82% dos leitos de UTI da rede pública ocupados ek conforme o plano estabelecido localmente, a taxa para transbordo é acima de 80%, com cenário indicativo de crescimento na utilização. No momento, a cidade não registra a condição. Conforme a necessidade, mais leitos serão abertos para o atendimento da população. Contudo, é fundamental que a população mantenha o atendimento às regras sanitárias.

DENÚNCIAS

Denúncias de eventos ilegais e de funcionamento de estabelecimentos não essenciais no período de restrição poderão ser feitas pelo site www.procon.sp.gov.br e pelo telefone 0800-771-3541.

 


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