Jundiaí

Não essenciais ficam à mercê das mudanças

ADEQUAÇÕES As permissões a estabelecimentos não essenciais acompanham às mudanças da pandemia


ARQUIVO PESSOAL
Denise Lança de Moraes Zanetti entende a situação delicada
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O Plano SP tem constantes mudanças, tanto de fases, alteradas conforme a gravidade da situação pandêmica em cada região do estado, quanto das regras. Assim, os proprietários de estabelecimentos não essenciais ficam confusos e por vezes prejudicados por terem que cumprir as normas, em especial da redução de horários.

A queda no faturamento unida a demissões constantes têm feito empregados e empregadores a procurar alternativas para não agravar a situação financeira.

Dependendo de outro setor, a Indústria, o proprietário de uma concessionária de veículos, Tchoy Storani, conta que ainda não se recuperou da crise por causa da falta de produtos. "Utilizamos todos os benefícios concedidos pelo governo. É questão de sobrevivência. No início da pandemia precisei fazer uma adequação e acredito que as pessoas que demitiram também estão se adequando com o quadro. A questão das mudanças de fase causam mais impacto no cliente, mas a gente está trabalhando on-line e está dando certo", diz Tchoy, que hoje tem 25 funcionários.

Para ele, outros setores impactados também refletem no negócio dele, considerado a ponta de uma cadeia. "O problema é a oferta de carros zero quilômetro, tem mais gente procurando do que carro disponível. Primeiro nossos clientes tinham medo e depois não tivemos carro e, faltando zero, altera todo o mercado. Não consigo captar carro usado. Subiu bastante o preço de carro, mas mesmo assim a procura é alta, as pessoas resolveram investir."

AJUDA

O governo federal chegou a lançar programas de assistência a empresas, como o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), mas a ajuda não hegou a todos. O resultado é que empresas médias e pequenas têm dificuldades para se manterem neste cenário e pessoas que dependem diretamente destas empresas também.

Dono de um bar na Vila Rami, Adilson Felipe, conhecido como Camarão, diz que a assistência oferecida não chegou a ele. "Tinha ajuda quando a pandemia começou, pela Caixa Econômica, pelo BNDES. A prefeitura (de Jundiaí) também disse que ia ajudar os pequenos negócios, mas a burocracia é muito grande. Tive amigos que também não conseguiram, foi uma balela."

Ele conta que contou com o suporte de amigos para não fechar. "Além de bons clientes, tenho amigos que me ajudam. Só não quebrei por causa desses amigos. É revoltante que tudo que acontece na pandemia é culpa de bar. Somos pequenos, mas ajudamos a sustentar o Brasil", conta ele que aderiu aos protocolos todos para poder funcionar.

Ele conseguiu manter os três funcionários no bar. "Não demiti. Tenho somente três funcionários e eles entendem a situação porque fazem rodízio de trabalho de acordo com o dia. Um deles é solteiro, mas os outros são casados e tem a minha parte também, tenho uma família para sustentar, minha mãe tem Alzheimer, tenho uma filha de 19 anos que tem paralisia cerebral e minha esposa não trabalha porque cuida dela. Dependem de mim", fala Adilson sobre o trabalho e consequentemente os rendimentos reduzidos neste período.

INCERTEZAS

A tatuadora Denise Lança de Moraes Zanetti, a Chicletinho, fala que sente mais impactos quanto às mudanças nas fases. "Eu não tenho funcionário, mas o que gera inseguranças é essa mudança de regras até dentro das fases. Tem que saber o tempo todo o que pode e não pode porque a Fase Laranja, por exemplo, mudou. Na primeira Fase Laranja, a gente não podia funcionar, agora pode. A gente tem receio de estar trabalhando e infringindo a lei."

Chicletinho diz que, mesmo com as mudanças, dá prioridade sempre à saúde por isso entende as restrições. "Neste sentido do abre e fecha, a gente entende os dois lados. É necessário o trabalho e também prezar pela saúde. A gente precisa trabalhar, mas se tiver que escolher, lógico que a saúde é o mais importante. É difícil falar o que a gente defende agora. Acho que não saber o que será o futuro bagunça o emocional de todo mundo."

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: