Jundiaí

Endometriose precisa de diagnóstico precoce para qualidade de vida

As dores fortes podem ser confundidas com cólicas menstruais


ARQUIVO PESSOAL
Luciana Oliveira diz que tinha cólicas e fluxo menstrual muito intenso
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

Março é conhecido como o 'Mês Mundial da Conscientização da Endometriose', uma doença crônica que causa muita dor e até infertilidade em mulheres. Em Jundiaí, as pacientes com suspeita da doença são tratadas inicialmente em UBS e, mesmo com a pandemia, o atendimento esteve normalizado.

Caracterizada com com dores fortes, ela pode ser confundida com cólicas menstruais o que dificulta o diagnóstico imediato. Este foi o caso da Luciana Oliveira, de 42 anos, diagnosticada o ano passado.

"Eu desconhecia essa doença e todo ano eu comentava das cólicas fortes que eu sentia com o ginecologista durante os exames de rotina, mas nenhum médico fez exames para saber. Sou mãe, tenho três filhos, então não sou infértil", comenta.

A partir do diagnóstico, a cirurgia de histerectomia foi rápida. "Comecei a sentir sintomas mais fortes a partir do meio do ano passado e descobri que tinha a endometriose. A minha foi a ovariana. Fiz a histerectomia há um mês, mas não foi total. Tirei o útero, trompas e o ovário esquerdo, o ovário direito eu ainda tenho uma parte", diz ela ao lembrar da cirurgia de remoção do útero.

A medicação foi sendo alterada gradualmente. "Eu tomava medicação normal de cólica, mas variava mês a mês. Notei que eu fui mudando a medicação, trocando por conta os remédios por mais fortes, mas após a cirurgia não usei mais remédio", conta Luciana sobre a solução para as fortes dores da endometriose.

CONHECER PARA TRATAR

O ginecologista e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), João Bosco Ramos Borges, explica que a endometriose é geralmente caracterizada pelas fortes dores, mesmo não sendo regra.

O tecido que fica dentro do útero, o endométrio, se desenvolve fora do útero, causando dor e infertilidade. "Toda cólica menstrual persistente e progressiva, ou seja, a dor de um ano atrás é menor que a de hoje, intensa e que não cede às medidas adotadas em uma cólica menstrual comum pode ser endometriose. A infertilidade também pode ser um sinal da doença."

João Bosco alerta sobre a importância do diagnóstico precoce, uma vez que a doença diminui a qualidade de vida da paciente devido aos sintomas incômodos. "Uma pesquisa da Unicamp diz que demora cerca de oito anos para a mulher receber o diagnóstico depois dos primeiros sintomas. O diagnóstico precoce é importante para o tratamento hormonal. Existem as endometrioses superficial, tratada com hormônios, a ovariana, com cirurgia, e a profunda, que exige um tratamento mais intensivo."

TRATAMENTO

Em pacientes com dor pélvica crônica, relacionada ao ciclo menstrual, é feita a inibição do ciclo por meio de tratamento medicamentoso.

Nas que desejam engravidar e não podem ter o ciclo interrompido ou nas que têm dor persistente é realizado o encaminhamento para o Ambulatório de Saúde da Mulher para avaliação e exames diagnósticos indicados caso a caso. Em casos mais graves, as pacientes podem ser encaminhadas para a Unicamp.

(Nathália Sousa)

 


Notícias relevantes: