Jundiaí

Fase Vermelha assusta tanto quanto a evolução da pandemia

RIGOR Com o estado de São paulo à beira de um colapso de saúde, a medida tenta frear o aumento das infecções e internações e desafogar os hospitais


                         ALEXANDRE MARTINS
A partir de sábado, o comércio não essencial está proibido de abrir
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A partir deste sábado (6), até pelo menos o dia 19, Jundiaí, assim como todo o estado de São Paulo, fica na Fase Vermelha do Plano SP o que significa a abertura apenas dos serviços essenciais. Nas próximas 48 horas o município irá avaliar o cenário local para medidas específicas, conforme as necessidades identificadas.

Com relação a serviços como o transporte público, ainda não há alterações previstas. Na Fase Vermelha poderão funcionar apenas comércio de alimentos, remédios e combustíveis, indústria e construção civil. As demais atividades permanecerão fechadas podendo atender apenas nas modalidades delivery ou retirada.

O gestor Unidade de Promoção da Saúde (UGPS) de Jundiaí, Tiago Texera acredita que neste momento da pandemia no município, a restrição é bem-vinda. "Estamos vivendo um bom momento para diminuir a circulação de pessoas porque o sistema de saúde de Jundiaí ainda não está saturado, como em outras regiões do estado que já não tem leitos. Se tivermos uma Fase Vermelha de verdade nestes 15 dias, poderemos impedir a saturação do sistema de saúde e desafogar o sistema hospitalar. É possível que, se a circulação de pessoas e as infecções diminuírem, possamos ir para fases menos restritivas depois do dia 19", conta ele sobre a relação, provada cientificamente, entre a diminuição do contato e das transmissões em concomitância.

Escolas e estabelecimentos religiosos têm critérios de funcionamento, assim como mercados, mas não são impedidos de abrirem desta vez.

MUDANÇAS DE ROTINA

Após a anúncio de fechamento, muita gente aproveitou para fazer as compras. A analista fiscal Naiara Freitas, de 34 anos, diz que já estava se programando para ir ao Centro.

"Eu acho que o fechamento é prejuízo para todo mundo. A covid não vai passar tão cedo e fechar o comércio não vai mudar. Acho que fechando tudo neste momento vai causar desemprego e de todo modo vai aglomerar mercado, porque o que tem aberto aglomera do mesmo jeito."

Para quem trabalha no comércio, as alternativas são as mesmas adotadas no ano passado. "Vamos trabalhar com a porta fechada ou vendas pelo WhatsApp. Eu comecei na loja depois da Fase Vermelha, mas quem já estava aqui diz que conseguiu se adaptar bem. Não acho que tem muita necessidade de fechar o comércio. Tem muitas mortes, claro, mas fechar o comércio e não fechar escola, por exemplo, não sei se ajuda. A gente pretendia vender bem neste mês, mas com isso agora, desanima", diz o vendedor Thales Gaspar Rosa, de 23 anos.

Lanchonetes podem funcionar na Fase Vermelha, mas não para consumo no local. Para algumas, isto é praticamente o mesmo que não abrir, como é o caso da lanchonete onde Elisângela da Silva Alves, de 23 anos, é gerente. "O movimento cai drasticamente. No ano passado a gente fechou a frente e ficou só trabalhando com retirada, vamos fazer do mesmo jeito. Acho que na Fase Vermelha o movimento cai uns 90% porque a maioria das pessoas quer sentar para comer."

Lídia Bruno Meneses, de 52 anos, e Joel Pereira Meneses, de 73, são catadores de papelão e, indiretamente, dependem do comércio. "É péssimo quando fecha, a gente fica sem condições de trabalhar, daqui tiro o sustento e se não abre loja, não tenho papelão. É ruim, mas não tem o que fazer, a gente precisa entender", declara Joel.

Lídia lamenta não receber mais o auxílio. "Quando ficou tudo fechado, o que nos salvou foi o auxílio emergencial. Por dia, a gente pega uns 60 quilos de papelão, quando tem menos catador, consegue pegar até 100 quilos. Se o comércio fica fechado, não tem nada", lamenta.

NECESSÁRIA

Ainda de acordo com o gestor de Saúde, desde o dia 25 de fevereiro saímos da casa dos 120 leitos ocupados por pacientes covid, dois óbitos e 110 contaminados por dia, passando para 130 a 140 leitos ocupados por dia. Em março houve uma acelerada. "A média, em três dias, é de 163 pessoas ocupando leitos por dia. Neste mês, começou a aceleração da doença", explica Texera.

Ele ressalta o comprometimento regional para que o sistema de saúde não seja saturado. "Hoje o governo anunciou a ampliação dos leitos de UTI no estado, principalmente nas regiões mais saturadas. Temos diálogo constante com o Departamento Regional de Saúde de Campinas e pedem organização da Região de Jundiaí para não saturar aqui e precisar de leitos de outras região", diz o gestor. (veja matéria sobre leitos abaixo)

 


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