Jundiaí

Capelas fazem parte da história jundiaiense

CARINHO Fiéis sentem-se bastante acolhidos pelas singelas comunidades religiosas de seus bairros


ALEXANDRE MARTINS
Elisete sente imenso carinho pela Capela Nossa Senhora Auxiliadora
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Aqueles que possuem uma vida religiosa ativa sofreram espiritualmente com a proibição de celebrações presenciais durante a pandemia. A Igreja Católica conta com 70 paróquias em Jundiaí e diversas capelas distribuídas por toda a cidade. Engana-se quem pensa que os fiéis buscam missas apenas nas grandes igrejas, já que a procura pelas capelinhas é grande em muitos bairros e os moradores possuem vínculo especial com suas respectivas comunidades.

CAPELA SANTA CLARA

A Capela Santa Clara, localizada na Fazenda Santa Clara, está situada na região da Serra do Japi. A Associação de Amigos dos Bairros de Santa Clara, Vargem Grande, Caaguassú e Paiol Velho, responsável pelo monumento, é responsável pelo resgate da história do lugar. "Seus fundadores proprietários foram da família Roveri, italianos muito religiosos que construíram a igreja inaugurada em 1917, até hoje preservada e em processo de tombamento". A capela é considerada patrimônio arquitetônico-cultural-religioso.

Para iniciar o processo de tombamento, é necessário pesquisar sobre a história da capela e entrar em contato com os proprietários da área em que ela se encontra, verificando a possibilidade de o monumento ser mantido segundo critérios arquitetônicos e paisagísticos. Também é necessário realizar a manutenção do local e mantê-lo sinalizado, além de realizar o plantio e cultivo de ornamentais nativas. Fora os detalhes, as questões burocráticas e normativas levam tempo para que o monumento seja, enfim, considerado um patrimônio histórico.

Nos anos 80, um raio atingiu e destruiu parte das instalações da capela. Os moradores locais restauraram o lugar, que hoje é bastante visitado e mantido em parceria com a Cúria Diocesana.

"Por conta da pandemia, a capela está fechada há mais de um ano. Estamos aproveitando para trocar a fiação e esperamos que os fiéis voltem em breve", afirma a Sociedade do bairro.

CAPELA NOSSA SENHORA AUXILIADORA

Elisete Aparecida Rocco Martins, 64, é coordenadora da Capela Nossa Senhora Auxiliadora, localizada na esquina das ruas Barão de Teffé com Elias Juvenal Mello. "A capelinha é extremamente acolhedora e aconchegante, todos as pessoas sentem isso quando chegam. O convívio de todos os sábados, antes da pandemia, nos tornou uma grande família da Mãe Auxiliadora. É muito gratificante zelar pela capela e o carinho dos fiéis", conta Elisete. "Eu era a voluntária responsável para receber o dízimo na capela. Depois de algum tempo, o padre Paulo me pediu para ser a coordenadora. Sempre fui uma fiel presente e gosto do que faço", completa.

Antigamente, o local era conhecido pelos quartos que recebiam tropeiros e boiadeiros, que chegavam de longas viagens e paravam para descansar. Em 1920, algumas famílias italianas se reuniram para erguer a capela. "A primeira missa foi celebrada em maio de 1934, e contou ainda com uma quermesse e primeira comunhão", conta a coordenadora, segundo relatos que já ouviu de moradores mais antigos. "Desde então, a capela conta com o carinho e o respeito dos fiéis que a frequentam", encerra.

CAPELA SANTA CRUZ

"Eu comecei a frequentar a capelinha logo aos 8 anos. Na verdade, naquele tempo, o lugar ainda não existia. O pessoal se reunia para celebrar as missas em uma escola que fica no bairro", conta Thiago Costa, 37, fiel da Capela Santa Cruz, localizada no bairro Jardim Quintas das Videiras.

Inicialmente, os fiéis usavam o pátio de uma escola para realizar as missas, e foram muitos anos até conseguirem arrecadar fundos para a construção, realizando festas e eventos.

"Durante vários anos, fui coordenador do grupo de jovens. Tive a chance de fazer a diferença na minha vida e na dos outros. Nós podemos viajar o mundo para viver a fé da igreja. É possível participar de Vias Sacras, almoços, missas de Páscoa e tantos outros eventos", conta. "Tenho muito orgulho de toda a história que construímos", completa Costa.

"Vejo pessoas comentando sobre a dificuldade de se manter amizades por muito tempo. Eu tenho o mesmo grupo de amigos há 25 anos. Nos conhecemos ainda crianças, nos muros daquele lugar. O tempo passou, eu os vi se casando e batizando seus filhos. Tudo acontecendo dentro da Capela Santa Cruz", se emociona.

A capela vai muito além de um lugar onde as pessoas participam de celebrações. "Foi lá que eu me tornei homem, conheci meus amigos, cresci e amadureci como ser humano", afirma Costa.


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