Jundiaí

Do oriente para o Brasil, cultura coreana entra na vida dos jovens

O grande estopim começou com a ascensão da banda de k-pop BTS


Mariana Checoni
Jullia Gioia ensina coreografias originais do sucesso do k-pop, BTS
Crédito: Mariana Checoni

Cada vez mais a cultura oriental invade e se mistura com a do ocidente. Basta observar a maneira como os costumes e tradições coreanas aos poucos são inseridos no dia a dia de algumas pessoas, principalmente as mais jovens.

O grande estopim para o sucesso da cultura coreana no Brasil começou com a ascensão da banda de k-pop (gênero musical originado na Coreia do Sul, que se caracteriza por uma grande variedade de elementos audiovisuais), BTS. O grupo, também conhecido como Bangtan Boys foi nomeado, em 2020 como "maior artista global", conquistando ainda mais fãs brasileiros.

A estudante Jullia Gioia, 15 anos, conta que o amor pelo k-pop surgiu por conta da banda BTS, em 2017. "Minhas amigas gostavam bastante e sempre falavam sobre o grupo e as músicas. Por isso fui pesquisar melhor e acabei gostando também. Foi assim que fui entrando neste meio e conhecendo melhor a cultura. Começou com a música e hoje acompanho alguns animes e doramas", revela.

A influência ficou mais evidente quando a jovem, que dança desde que tinha um ano e oito meses, aprendeu as coreografias originais da banda e as implantou na escola de dança de seus pais, localizada na rua XV de novembro, em Jundiaí. "Eu comecei como auxiliar de um professor na escola, depois que ele saiu assumi as aulas de k-pop. Acredito que o diferencial é este. Quem procura essas aulas gosta de seguir as coreografias originais. Eu tento ser fiel o máximo possível para dançar da mesma forma que eles", relata.

Toda a imersão no k-pop rendeu à jovem aulas com professores de São Paulo renomados e conhecidos pela influência coreana e até mesmo uma oficina ministrada em Bragança Paulista. "As pessoas precisam conhecer melhor o estilo e as músicas antes de julgarem. Esse é um estilo muito bom de dançar e sempre tem novidades", afirma.

Jennifer Ferreira da Cruz, 18 anos, conta que o amor pelo estilo musical e pela banda começou em 2017. "Conheci a banda lendo uma fanfic (história criada por um fã). Após ler, me dei conta que nunca havia ouvido música asiática em geral, apenas Gangnam Style do Psy, quando fez sucesso. Decidi apenas pesquisar sobre e a primeira música que tive contato foi "Dope" do BTS e de cara gostei muito da batida e da dança. Imediatamente busquei a tradução das letras e foi isso que fez eu me apaixonar", conta a jovem.

Jennifer conta que a banda foi apenas uma porta de entrada para toda a cultura coreana. "Gostei tanto que continuei a pesquisar mais. Ouvi os álbuns que haviam sido lançados até aquela época e consequentemente me tornei fã do trabalho. Para mim, as mensagens, músicas, histórias e toda a trajetória tiveram um impacto que nunca havia sentido antes. Isso fez com que eu escutasse outros grupos e artistas solo de k-pop e admirasse ainda mais a cultura coreana, pois muitas músicas refletem aspectos da sociedade do país. As músicas despertaram interesse por toda a história da Coreia, como é geograficamente, costumes, idioma, comida e ainda animes e filmes produzidos no país", relata.

PRECONCEITO

Por ser uma cultura completamente diferente da que estamos acostumados no Brasil, algumas pessoas possuem muito preconceito. "As pessoas não precisam gostar ou consumir, apenas respeitar, algo que infelizmente não acontece quando se trata desse assunto. Preconceitos não vão acabar de uma hora para outra, mas seria ótimo se antes de disseminar o ódio, essas pessoas procurassem conhecer melhor a cultura e aprendessem a ter respeito por quem gosta", afirma Jennifer.

(Mariana Checoni)

 


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