Jundiaí

Poupar vira prioridade para 69% das pessoas

EDUCAÇÃO FINANCEIRA Pandemia levou brasileiro a enxergar a importância de ter uma reserva de emergência e reduzir gastos desnecessários no dia a dia


ALEXANDRE MARTINS
Lígia sempre poupou dinheiro. Com isso alcançou seus objetivos e hoje ensina seus alunos a fazerem o mesmo
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Devido à crise econômica gerada pela pandemia da covid-19, o brasileiro entendeu que precisa economizar. De acordo com uma pesquisa da consultoria Oliver Wyman, 69% das pessoas querem poupar dinheiro assim que a crise sanitária passar.

Essa mudança de comportamento está diretamente ligada ao fato de que ao longo de um ano de pandemia muitos tiveram seus salários reduzidos ou até mesmo perderam o emprego. Porém, para o educador financeiro Reinaldo Domingos esse pensamento coletivo também está relacionado à criação de novos hábitos. "Sem sair de casa as pessoas viram que não precisam comprar roupa e sapato todo mês, que não precisa comer fora toda dia, que é possível reduzir o consumo. E após um ano fazendo isso, torna-se hábito", explica.

A pesquisa mostra que a renda de 46% dos entrevistados diminuiu neste período. O número é próximo ao do total de pessoas que reduziram suas economias: 47%. Ainda segundo a Oliver Wyman, apenas 16% dos brasileiros conseguiram economizar mais ao longo dos últimos meses.

Domingos alerta para os vilões da pandemia: Os alertas de promoção on-line. "Se por um lado o brasileiro deixou de gastar no shopping porque está fechado e em outras coisas, por outro a cada segundo ele está sucestível a promoções e gatilhos na internet", afirma, o autor de diversas livros e programas de educação financeira.

DESDE O COFRINHO

Ligia Carla de Souza, 41 anos, aprendeu a economizar desde pequena. "Meu pai sempre dizia para guardar o dinheiro que a gente ganhava para realizar um sonho maior. Foi assim que eu aprendi a poupar", conta.

Seu primeiro grande objetivo foi alcançado aos 18 anos: Comprou um carro à vista com dinheiro que economizou desde a infância. "O segundo grande sonho surgiu quando eu entrei no magistério. Decidi que queria abrir uma escola e comecei a juntar cada centavo para realizar meu objetivo."

O terreno era do pai, mas todo o resto foi construído e mobiliado com o dinheiro dela. Até hoje Lígia aplica o método de poupar dinheiro para alcançar objetivos maiores tanto como pessoa física, quanto como pessoa jurídica. "Na escola, por exemplo, eu tenho dois caixas. O do 13º dos funcionários, porque, como trabalhamos com doze mensalidades apenas, eu preciso ter esse caixa para pagar os professores no final do ano. O outro caixa é para melhorias, reformas, novo mobiliário. No final do ano eu vejo quanto consegui economizar e invisto de novo na escola."

Em casa ela faz o mesmo. "Ensino meu filho de 7 anos a importância de guardar dinheiro desde agora e já tenho um investimento para ele onde coloco R$ 200 todos os meses. É pouco se pensar em um mês, mas até os 18 anos vai ter um valor bom para a faculdade ou mesmo para comprar um carro."

Ela economiza de 15% a 20% de sua renda. Com esse dinheiro, viaja, troca de carro e mantém sempre uma reserva para não passar perrengue.

CAIXA D'ÁGUA

Reinaldo Domingos faz uma alusão entre a reserva financeira e a caixa d'água de uma residência. "Você vai consumindo a água, mas também vai entrando mais água na caixa e se a água da rua acaba, você tem ali uma reserva. O mesmo ocorre com a reserva financeira. Ela deve ser constante, poupar o tempo todo para sempre ter uma reserva caso ocorra alguma crise."

DESPERDÍCIO

Segundo Domingos, o excesso e o desperdício em casa somam de 30 a 50% de gastos. "A luz que não apaga ao sair do quarto, o banho que poderia ser mais, a roupa nova que não precisava, tudo isso conta. Precisamos rever nossos hábitos de consumo", afirma.

Esses são erros que Lígia não comete no seu dia a dia. "Eu nem tenho cartão de crédito, compro tudo à vista e estou sempre de olho nos desperdícios."

A dica de Reinaldo é simples: Dar o antídoto primeiro. "Converse com sua família sobre sonhos, sobre o que querem alcançar. Coloca um objetivo para alcançar e depois disso alerta todo mundo que cortar desperdícios vai ajudar a chegar nesse sonho. Coloque notinhas nas tomadas, geladeira, perto da porta, visível para a família. Crie o objetivo para ter o que buscar, desse jeito as pessoas conseguem cortar gastos desnecessários e passar a economizar."

PARA CRIANÇAS

Agora ela assumiu a missão de ensinar seus alunos a economizar também, por isso incluiu um projeto de empreendedorismo na escola. "Aos seis anos eles começam aprendendo a economizar, a gente incentiva a compra de um cofrinho para juntar moeda e o resultado é incrível, os pais relatam como eles começam a procurar dinheiro, alertam sobre luz acesa", conta.

Ao longo dos anos as crianças passam por várias fases de aprendizado de educação financeira e no nono ano criam um projeto de empreendedorismo. "Queremos ensinar a eles a ganhar seu próprio dinheiro."

Para o especialista em educação financeira, essa é a melhor fase para aprender a ser um bom gestor do próprio dinheiro. "É preciso que a criança aprenda para podermos ter gerações com melhor consciência financeira."


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