Jundiaí

Empreendedorismo após os 50

A parcela de pessoas com mais de 50 anos está quebrando padrões e criando a própria forma de viver a vida


           ALEXANDRE MARTINS
Luciane Romero resolveu empreender com artesanato
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Há quem diga que os 50 são os novos 30. A parcela de pessoas com mais de 50 anos está quebrando padrões e criando a própria forma de viver a vida. E as mulheres, mais uma vez, estão protagonizando esse cenário. Na maturidade, elas estão revolucionando o significado de envelhecer e, principalmente, empreender.

Luciane Romero da Silva viu sua vida mudar radicalmente aos 44 anos, com o nascimento de sua filha, Anna Julia. Proprietária de um espaço de estética, ela interrompeu as atividades para se dedicar à maternidade, seu grande sonho. Como hobby nas horas vagas, passou a produzir artesanato em MDF. A filha cresceu, mas o artesanato nunca deixou de fazer parte de sua vida. No final de 2019, Luciana conheceu o projeto Naninhas do Bem, que confecciona bonecas acolchoadas para doar a crianças e idosos carentes. Luciane se encantou pelo projeto e decidiu ajudá-los.

"Montei uma rede de mulheres para me auxiliar nessa ação. Mas veio a pandemia e precisei interromper as atividades. No final de outubro do ano passado, decidi retomar esse trabalho e fiz um curso para trabalhar com artesanato em tecido", conta. Durante a quarentena ela também fez um curso de desenvolvimento pessoal, o qual despertou seu desejo de empreender e deslanchar nos negócios.

"Sozinha eu não teria me encontrado. Por mais que eu soubesse o que queria, não saberia como. Desbloqueei crenças limitantes e mudei minha maneira de ver a vida", conta a empreendedora. Hoje, ela confecciona bonecas em tecido, no estilo mãe e filha, e também já se prepara para lançar sua coleção de produtos para a Páscoa.

Rosely Guarnieri viu sua vida se transformar radicalmente após os 50. Após o divórcio e o falecimento da mãe, a educadora física passou por momentos de muito questionamento sobre a vida pessoal e profissional. "Me perdi emocionalmente e foi muito difícil me reencontrar", lembra.

Em 2020 decidiu abandonar sua carreira como instrutora de pilates e ioga. Foi o momento certo para investir em si própria. Hoje, aos 54 anos, Rosely é gestora de branding e negócios e possui sua própria consultoria. "Empreendi para poder ajudar as pessoas na sua ascensão profissional", conta. Realizada como empreendedora? Sim, mas Rosely diz que não descarta novos recomeços. "Enquanto houver infinitas possibilidades, não podemos deixar de acreditar que somos capazes", destaca.

Empoderamento

Na opinião da terapeuta e especialista em desenvolvimento pessoal Cristiane Nogueira, de 53 anos, as mulheres com mais de 50 já cumpriram seu papel social, do casamento, da maternidade. "O marco dos 50 anos desperta uma questão existencial", destaca.

"É nesse momento da vida que a mulher faz um levantamento de quem ela é, independente das funções que exerceu. Surge uma grande necessidade de reconhecer quem realmente ela é. E dessa necessidade vêm as descobertas ou redescobertas", conta. Para Cristiane, quando a mulher percebe o poder dessas habilidades, ela parte para um outro estágio, para desenvolver as capacidades. E as habilidades — como cuidar, cozinhar, costurar, que antes eram usadas consigo mesmas e com a família, passam a ser os ingredientes fundamentais para que se reinventem e se descubram como empreendedoras.

"A mulher se descobre capaz de fazer o que gosta, com as habilidades que já tinha, só que de uma forma mais organizada, mais estruturada, que além de proporcionar realização pessoal, ainda pode servir de fonte de renda. E muitas delas ainda se tornam as provedoras da família", finaliza.

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: