Jundiaí

Personalidades de rua tocam e cantam para garantir sustento

O canto e a música são uma maneira de divertir e ao mesmo tempo ganhar dinheiro


                     ALEXANDRE MARTINS
Silmara Caetano toca louvores para quem passa pela Barão do Triunfo
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Quem caminha pelas ruas do Centro de Jundiaí se depara com personalidades que fazem do canto e da música uma maneira de divertir e ao mesmo tempo garantir sustento.

Com sua inseparável sanfona, o morador de Várzea Paulista, Geraldo Moisés dos Santos, de 75 anos, passa parte do dia tocando o instrumento para quem passa pela rua. Deficiente visual, ele conta que há 40 anos escolheu a rua Barão de Jundiaí para ganhar seu dinheiro.

"Aprendi a tocar sozinho. Nunca fiz aulas e ninguém me ensinou. Toco o que as pessoas pedem e músicas que me dão vontade", afirma ele, logo após tocar um sucesso de Roberto Carlos.

Natural de Rondonópolis, em Mato Grosso, ficou cego depois de contrair uma doença, que não lembra o nome, mas fala que era comum nas galinhas do sítio em que morava. "Cheguei em Jundiaí em 1970 e desde então toco para animar as pessoas e conseguir o dinheiro para o meu pãozinho de cada dia", relata.

Ele costuma ganhar de R$50 a R$60 por dia com a música. "A pandemia fechou todo o comércio e isso faz com que eu ganhe menos, mas sigo fazendo minha música", conta.

Dois sonhos dominam a mente do músico. O primeiro é reencontar o irmão, Joaquim Moisés dos Santos e o outro é ganhar uma sanfona nova. "Espero pela visita dele desde que cheguei na cidade, mas ele nunca veio. Gostaria muito que ele viesse me procurar. Quanto ao instrumento, faz sete anos que toco essa sanfona todos os dias, mas não tenho dinheiro para comprar outra", relata.

LOUVORES

Não muito longe dali, na rua Barão do Triunfo, Silmara Miguel Caetano, de 43 anos, toca violão e canta louvores para quem passa ou trabalha por ali. "Eu moro no bairro Santa Gertrudes e venho para o Centro tocar e conseguir um dinheirinho quase todos os dias. É assim que consigo o meu sustento", afirma.

A artista, que não aprendeu a fazer contas muito bem e também tem dificuldade para ler e escrever, afirma que tem a ajuda do irmão para saber quanto conseguiu arrecadar diariamente. "Eu não sei quanto consigo, pois não aprendi a contar. Meu irmão que conta quanto eu arrecadei todos os dias e me dá o dinheiro. A maioria das pessoas gosta e ajuda, mas algumas sentem vergonha de jogar uma moeda, pois acham pouco. Para mim, qualquer centavo é bem-vindo e faz diferença", ressalta.

Muito religiosa, Silmara afirma que tocar foi um dom que aprendeu de uma forma especial. "Deus me ensinou. Nunca precisei fiz nenhuma aula. Ele quem me deu esse dom maravilhoso", conta.

 


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