Jundiaí

Carga viral do coronavírus também prejudica os rins

MULTISSISTÊMICO Na Região do AUJ, apenas Jundiaí tem pacientes em tratamento contra a covid-19 fazendo hemodiálise


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A cada 10 pacientes infectados pelo coronavírus, dois terão complicações e desenvolvendo quadros graves
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O coronavírus representa perigo para os pulmões e leva a maioria das vítimas à morte por causa justamente da insuficiência respiratória, porém a doença pode afetar outros órgãos como o coração, o cérebro e os rins.

Jundiaí é a única cidade da Região do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) que registra pacientes internados com covid-19 em hemodiálise. Segundo a prefeitura, na última quinta-feira (11) havia 10 pacientes com a doença fazendo a diálise. O Hospital São Vicente (HSV), referência no tratamento da covid em Jundiaí, possui o suporte necessário aos pacientes para este tratamento.

Segundo o nefrologista Fernando Frattini Neto o vírus no organismo bombardeia os rins, assim como outros órgãos e por isso os afeta. "A cada 10 pacientes infectados pelo coronavírus, dois terão complicações maiores. Essa parte desenvolve um quadro mais grave. O vírus pode envolver o rim e levar a um processo inflamatório", relata.

Na maioria dos casos, acontece uma lesão primária do pulmão e o envolvimento dos rins, assim como o envolvimento de outros órgãos. "Ocorre uma inflamação multissistêmica e o rim é um dos órgãos que pode entrar em falência", explica Frattini.

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), além dos pacientes renais crônicos, agora há pessoas que, após a infecção pelo coronavírus, manifestaram uma rápida perda de função renal e precisam da diálise. Relatos anedóticos, de centros europeus e da experiência brasileira inicial, apontam para uma maior incidência de injúria renal aguda (IRA) em pacientes sob ventilação mecânica. Entre 20% a 50% dos casos precisam do suporte.

Um estudo desenvolvido pela Sociedade Americana de Nefrologia também aponta este tipo de perda, a estimativa é que 20% a 40% dos pacientes internados com covid-19, portanto, em estado grave, sofram com alguma alteração nos rins.

RISCO

A doença renal crônica é uma comorbidade, portanto, eleva o risco de pacientes que contraem o coronavírus evoluírem para um quadro mais grave da doença.

Frattini Neto diz que essa inflamação multissistêmica causa uma síndrome pós-covid, que debilita o paciente e tem lenta recuperação. "Tem muito paciente que evolui mal após a recuperação, mas não tem relação com a intubação. Tivemos pacientes que teve lesão renal e precisaram de mais acompanhamento, pelo menos de 30 dias após a doença. Há pacientes renais crônicos que precisam fazer diálise tendo covid e as clínicas estão precisando se adaptar a essa realidade", explica.

Segundo levantamento feito pela SBN, a mortalidade pelo coronavírus é cerca de 40 vezes maior em pacientes dialíticos, ou seja, que fazem a hemodiálise, quando comparado à população geral.


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