Jundiaí

Vacinação para pessoas de 60 anos até o fim de abril

ESPERANÇA Até o fim de abril, Jundiaí quer concluir a imunização de profissionais da saúde e idosos de 60 anos


Arquivo pessoal
Marília Mota diz que as medidas sanitárias são essenciais agora
Crédito: Arquivo pessoal

Mesmo dependente de um plano nacional de vacinação e da produção estadual de imunizantes, a campanha de vacinação em Jundiaí quer atender profissionais de saúde e pessoas de 60 anos até o final de abril. A vacina, até agora, se mostrou eficaz contra a disseminação do coronavírus e é o único instrumento de contenção eficiente.

Com os atrasos na liberação de doses, a imunização de idosos e profissionais da saúde pode ser concluída apenas em abril, como prevê o gestor da Unidade de Promoção da Saúde (UGPS) de Jundiaí, Tiago Texera. "Em abril, a capacidade de produção das vacinas deve ser ampliada no país. Chegando mais IFA [Insumo Farmacêutico Ativo], espero que em abril seja concluída a vacinação de profissionais da saúde e idosos, que é a população que tem mais risco de ter complicações com a doença."

"Em março, a gente termina a aplicação da 1ª e 2ª doses em dois terços dos profissionais da saúde. Este um terço faltante, aproximadamente 5 mil profissionais que não atuam em hospitais, precisam tomar a 1ª dose ainda. O estado, neste momento, está priorizando os idosos, não sabemos quando vamos receber a 1ª dose desses 5 mil", diz Texera. Atualmente, Jundiaí aplicou cerca de 33 mil doses da vacina, sendo quase 24 mil 1ª dose e cerca de 10 mil 2ª dose.

Para Texera, a administração da vacinação se complica ao passo que o governo estadual amplia faixas etárias na campanha sem concluir o envio de doses necessárias para as faixas anteriores. "O estado abriu a vacinação para quem tem mais de 75 anos, mas não terminou de enviar as doses necessárias para o grupo com mais de 77 anos. Ampliar sem concluir 100% do envio das doses anteriores traz mais trabalho para os municípios", afirma Tiago acrescentando que Jundiaí depende somente do envio das doses para a vacinação, já que a estrutura municipal tem capacidade ampla de imunização.

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo informou, através de nota, que o governo estadual enviou doses para vacinação dos público-alvos previstos na campanha a todos os municípios e que todas as grades enviadas aos municípios contêm doses destinadas às faixas etárias indicadas pelo PEI (Plano Estadual de Imunização). Não informou porém sobre o envio do número insuficiente de doses a cada público-alvo nas etapas ampliadas quase semanalmente.

A nota informa ainda que a destinação de mais vacinas pelo Ministério da Saúde é crucial para continuidade da campanha e expansão dos públicos-alvos e que a distribuição das doses e critérios para a ampliação das faixas etárias são definidos a partir do PNI (Programa Nacional de Imunizações) e à medida em que o Ministério viabiliza novos quantitativos.

VARIÁVEIS

Dentista e epidemiologista da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Marília Jesus Batista de Brito Mota explica que este aumento desenfreado de casos visto agora se deve a diversos fatores. "Além dos encontros de fim de ano, teve o Carnaval, e a nova variante, que tem maior transmissibilidade. Esta nova variante também tem mudado o perfil epidemiológico da doença, apresentando casos mais graves em jovens. Além disso, temos um relaxamento das medidas de prevenção, pelo período prolongado que temos enfrentado a pandemia."

Com o perigo das variantes, Marília considera arriscado prever a volta à normalidade. "Podemos apresentar uma queda do número de casos devido à redução na circulação de pessoas na Fase Vermelha, em conjunto com a vacinação dos idosos, mas precisamos ainda usar máscaras, higienizar as mãos, evitar aglomerações e sair sem necessidade, visitar familiares e amigos até que tenhamos uma boa parcela da população vacinada. Alguns cientistas calcularam o percentual necessário de vacinação, que varia de acordo com o tipo de vacina, de 70% a 90%. Mas são projeções incertas, pois ainda estamos no processo de conhecer melhor esta doença."

Infectologista, Roberto Focaccia avalia que o Brasil começou a vacinação com inércia. "Foram oferecidas vacinas americanas ao Brasil no meio do ano passado, mas o governo não comprou e agora corremos atrás das vacinas, dependemos do exterior. O número de doses que o país ia adquirir está reduzindo cada vez mais. Para a vacinação ter eficácia coletiva, tem que ser feita rapidamente, mas neste momento é feita a conta-gotas. É possível que no segundo semestre tenhamos um número mais elevado de doses, mas não sabemos o quanto é necessário para acabar com as transmissões."

O médico conta o porquê da demora pode gerar mais variantes do vírus. "Quanto mais casos, mais mutações. O vírus vai se adaptando ao ser humano e a mutação ocorre ao acaso, na multiplicação. Na maioria das vezes, elas são maléficas, como as últimas detectadas." Estas mutações intensificam a situação, como ocorre agora, mas para Focaccia trata-se ainda da primeira onda da pandemia, que oscila e agora está em crescimento exponencial.

 


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