Jundiaí

Cenário de isolamento social não afeta o espírito aventureiro

NATUREZA Durante período caótico causado pela pandemia, diversas famílias encontram refúgio, sossego e tranquilidade em meio ao ar livre


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Giovana Gonçalves acredita que a filha aprende muito na natureza
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Tem se tornado cada vez mais comum o interesse pelas viagens independentes, inclusive neste período de pandemia. Por todo o país, pessoas buscam estreitar seus laços com a natureza com o objetivo de obter uma melhor qualidade de vida e fugir dos ambientes fechados.

Adriana Galvão Dinofre tem 36 anos e é psicopedagoga. Ela, seu marido Marcelo e o filho Caio, de dois anos, adoram viajar em família. "Meus pais faziam pequenas viagens todos os anos, das quais tenho memórias afetivas positivas. Quando conheci meu marido, fomos cultivando esse gosto e realizando vários passeios e viagens juntos", diz a psicopedagoga.

Apesar da paixão, o isolamento não foi totalmente esquecido. "Me preocupo com a pandemia. Viajar estava fora dos planos, mas foi a alternativa que encontramos para proporcionar maior qualidade de vida e estimular o contato do nosso filho com a natureza", diz Adriana.

A família decidiu adaptar o carro para os passeios. "Nosso sonho era ter um carro 4x4, para irmos a locais mais distantes. Quando nosso filho tinha seis meses, planejamos nossa primeira viagem pelo sul do Brasil. Compramos uma geladeira veicular e esse foi o primeiro passo", explica Marcelo Dinofre, de 38 anos, gestor de TI. "Fizemos muita pesquisa, o objetivo é usar cada espaço disponível. Atualmente dispomos de geladeira, pia e mangueira externa, iluminação, fogão e sistema de compressão de ar", completa.

A meta da família é conhecer toda a América um dia. "A sensação é de liberdade! Sentir a natureza e ver o nascer do sol é maravilhoso. Certamente essa é uma experiência positiva para o nosso filho", encerra Adriana.

ESCAPATÓRIA

Giovana Roberta Gonçalves Nogueira, de 32 anos, é professora e adora viajar. "Manter esse costume durante a pandemia foi um jeito de cuidar da saúde mental. Eu e meu marido Messias temos uma filha de três anos, a Maria Luiza. Moramos em apartamento e estamos dando aulas a distância. Acampar sempre foi um amor, mas agora tem sido nossa escapatória", explica.

A preocupação com a pandemia resulta em muitos cuidados. "Nós acampamos com a nossa própria barraca e levamos nossas refeições, para ter contato mínimo com outras pessoas.", diz Giovana. "Também sempre buscamos lugares próximos a natureza, em ambientes bem amplos e arejados. Não adaptamos nosso carro ainda, mas temos planos", completa.

A família percebeu uma grande economia ao viajar de carro. "Pela idade, a Malu já paga passagem e algumas hospedagens. Nesse sistema de acampar, economizamos porque vamos com o nosso carro e uma barraca. Geralmente ela não paga diárias nos locais que acampamos", diz. "O problema agora é o valor da gasolina, mas acredito que tudo voltará ao normal", completa a professora.

"Acampar nos deixa realizados, transmite paz e liberdade. Desse jeito, conseguimos ensinar valores para nossa filha, fazer ela perceber como as coisas simples são valiosas na hora de criar memórias", encerra a mãe.

PÉ NA ESTRADA

Além das famílias, existem aqueles que gostam e até preferem viajar sozinhos. É o caso do policial militar Henrique Toschi, de 31 anos. "Sempre tive esse espírito aventureiro. Me interesso por camping, pescarias, cachoeiras, praias e todos os lugares e atividades que me conectarem com a natureza", explica.

O policial acredita que não corre tanto perigo viajando, mesmo com o vírus em circulação. "Eu trabalho na linha de frente, tenho contato direto com a população. Trabalho com escoltas em presídios e hospitais, tenho uma rotina agitada. Com certeza eu estou mais exposto no meu trabalho do que isolado em um acampamento", diz.

"Comprei minha Kombi há cinco meses, trabalhei intensamente e fiz todas as modificações nela. Supre as necessidades de um motorhome industrial e tenho muito prazer em dizer que tudo foi fruto do meu esforço e criatividade", diz Toschi.

Para o policial, as viagens não pesam no bolso. "Estou em uma viagem, saí de Jundiaí e fui até o Uruguai. Agora estou voltando pelo litoral, conhecendo todas as praias. Se fosse para pagar passagens e hospedagens, eu não faria nada disso".

Toschi está adorando a experiência. "O sentimento é de realização, de viver em vez de apenas sobreviver. Eu procuro viver intensamente como se cada dia fosse o último", diz. "Por isso, acredito que o que nós levamos dessa vida é a vida que de fato escolhemos levar", encerra.


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