Jundiaí

Janeiro tem saldo positivo de 423 postos de trabalho

No Posto de Atendimento do Trabalhador (PAT) foram disponibilizadas 953 vagas em janeiro


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Larissa Gonçalves diz que o primeiro bimestre teve boa geração de vagas
Crédito: ARQUIVO JJ

O saldo de empregos no mês de janeiro em Jundiaí fechou em 423 postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Em relação a janeiro de 2020, Jundiaí teve um resultado melhor neste ano. Houve 459 vagas na Indústria, 461 postos em Serviços, 82 na Construção Civil. Os negativos foram Agropecuária (com menos 10 postos) e Comércio (com menos 569).

Segundo a Unidade de Gestão de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (UGDECT) de Jundiaí, o resultado positivo em alguns setores e em relação a 2020 reflete os esforços da administração para criar um ambiente favorável aos negócios no município. A aproximação entre o poder público e a iniciativa privada é um dos fatores que aquecem este mercado e, apesar do momento que atravessamos, os dados mostram que a recuperação gradual da atividade econômica brasileira já tem alguns reflexos na cidade.

No Posto de Atendimento do Trabalhador (PAT) foram disponibilizadas, por exemplo, 953 vagas em janeiro e 1.003 em fevereiro. Em março estes números vão aumentar, segundo a UGDECT.

Para o diretor-titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) Jundiaí, Marcelo Cereser, mesmo em cenário de novo agravamento da pandemia, o baque da Indústria não deve ser tão alto quanto o observado no ano passado.

"O mundo não sabia o quanto ia durar. A previsão de termos uma vacina era de cinco anos e hoje, mesmo com o contágio mais alto, estamos em isolamento e isso vai fazer com que a curva se achate. Agora temos fatos novos, com a compra de 200 milhões de doses de vacina anunciada pelo Ministério da Saúde até o final de julho. Isso mostra que estamos em um cenário diferente do visto ano passado. Hoje temos complicações, como as variantes, mas a pandemia é mais previsível."

Segundo ele, esta estabilidade maior faz com que as demissões não aconteçam como em 2020. Acredita, inclusive, que o poder de compra reduzido afeta a Indústria, mas a recuperação econômica pode acontecer até o final do ano. "Temos uma inflação forte dos insumos e isso faz com que o poder aquisitivo seja prejudicado. Só em alimentos, a inflação subiu 27%. A falta de dinheiro é ruim para reorganizar a economia. Se a gente não tiver vacina em volume, a gente pode ter um cenário difícil pela frente."

Ele reforça que, nos próximos três meses, ainda haverá incertezas e o segundo semestre deve ser melhor que o segundo trimestre. "Acho que pode ter demissões em um futuro próximo, mas a economia precisa voltar a se equalizar. E podemos não ter demissão, mas arrefecimento na curva de contratações", estima.

IMPACTO

O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e Região (Sincomerciários), Milton de Araújo, diz que a pandemia foi a motivação para as demissões do setor, que teve o maior saldo negativo de janeiro. "Ano passado teve número maior de contratação, mas neste ano a pandemia que é responsável pela diminuição. O comerciante estava em dúvida se ia dar lucro, se ia vender por causa da pandemia. Não contrataram sem saber o que ia acontecer. Essa crise causada pela pandemia que fez o comércio demitir e diminuir contratação."

A coordenadora de RH, Larissa Gonçalves, diz que o saldo positivo em janeiro se deve ao fato de que a expectativa de retomada estava maior. "Janeiro teve aumento de vagas, fevereiro também e março estava caminhando para isso, mas agora já tivemos projetos de contratação cancelados, inclusive contratações para a Páscoa. Acredito que elas voltem com a diminuição das mortes da pandemia."

Quando o comércio fecha, a logística dispara por causa do ecommerce, então, geralmente, um setor perde e outro ganha. "Por exemplo, subiu preço de material de construção por causa da demanda, mas os bancos, que fazem financiamento, baixaram as taxas e aumentaram o valor do financiamento, então a construção se aproveita do momento. Estão potencializando a entrega de imóveis", diz ela sobre o setor que teve saldo positivo mesmo com a alta no valor dos insumos.

Por conta dessas oscilações decorrentes da pandemia para as contratações, Larissa vê a vacinação de trabalhadores como uma prioridade. "Me preocupa a chegada do Inverno. Acho que teria que mudar o plano de vacinação e imunizar primeiro quem sai diariamente para trabalhar, em logística, varejo, fábricas. Acho que a imunização de funcionários do comércio essencial deveria ser uma prioridade."

(Nathália Sousa)

 


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