Jundiaí

Jd. do Lago registra dobro de mortes de outros bairros

COVID-19 Com 43 óbitos, moradores relatam descaso com medidas de segurança e população idosa


                ALEXANDRE MARTINS
Leonardo Graciano afirma que situação é triste, pois conhecidos morreram
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

Com 1.389 casos confirmados de covid-19 e uma população estimada de 22.355 pessoas, o Jardim do Lago é o segundo bairro com maior número de infecções causadas pelo vírus, ficando atrás somente do Jardim Novo Horizonte, com 2.361. Mesmo que o número de casos confirmados seja praticamente a metade do bairro com mais registros, um dado que chama atenção é o número de mortes registradas desde o início da pandemia. Foram 44, o dobro dos outros bairros da cidade, que permanecem na casa dos 20.

Moradora do bairro há 35 anos, a doceira Lucinda Aparecida Lopes, 53 anos, relata o descaso dos moradores com as medidas de segurança. "A maioria das pessoas que vejo andando na rua está sem máscara. Ela está presente, mas sempre de maneira errada, no queixo ou com o nariz descoberto, ou até mesmo segurando na mão", afirma.

Lucinda mora na rua da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro, com uma Unidade Sentinela e afirma que muitas pessoas que passam pelo local, têm atitudes incorretas. "As pessoas colocam a máscara depois que estão lá dentro. Quando saem, além de tirar o item, descartam no chão, em frente ao ponto de ônibus", revela.

A doceira conta que o bairro é majoritariamente habitado por idosos. "O que menos vemos aqui são crianças. Muitos idosos residem na vizinhança. Eu moro aqui há 35 anos e a maioria já estava aqui antes de eu me mudar", conta.

A diarista Neusa Machado da Paixão, de 48 anos, mora no bairro há pouco mais de um ano. Em seu ir e vir, revela que é muito difícil ver pessoas usando máscara. "Mesmo tomando todos os cuidados, em casa, tivemos covid. Eu, meu marido e meus filhos. Foi leve, não precisamos ir para o hospital, mas deu medo. Não é brincadeira e mesmo assim as pessoas não estão levando a sério", relata.

A operadora de caixa de um mercado do bairro, Bianca Silva, 27 anos, mora e trabalha no Jardim do Lago há pouco mais de dois anos e reforça que a maioria dos moradores que frequentam o local, só colocam a máscara ao entrar. "Muitas vezes até quando entram, não colocam a máscara corretamente. Temos que chamar atenção e pedir para que respeitem as medidas de segurança", conta.

Bianca conta que além de ser um bairro com muitos idosos, eles não param em casa. "Acredito que o grande número de infecções seja por conta disso. Como o coronavírus se apresentava de maneira mais grave em idosos e a maioria não respeitou as medidas, isso se reflete nos altos números", relata.

A jovem ainda revela que muitas festas clandestinas estão acontecendo pelo bairro e que não há fiscalização eficiente. "Principalmente aos fins de semana, percebemos que algumas casas recebem um grande número de pessoas, gerando aglomeração e causando incômodo aos vizinhos", afirma.

PREOCUPAÇÃO

Para comerciantes do bairro, a situação é muito preocupante. Aos 21 anos, Leonardo Graciano, gerente do mercado da família, diz estar triste ao ver que os amigos de seus avós, que ele conhece desde criança, estão morrendo vítimas da doença. "Está assustador. Todos os dias nós vemos ambulâncias chegando e saindo do postinho. Elas pegam os pacientes mais graves e levam para o hospital", relata.

Seu maior medo é por conta dos parentes que também moram no bairro. "Eles estão resguardados, ficando em casa. Inclusive meus tios, que são mais novos estão evitando sair por conta do número de casos", diz.

Desde o início da pandemia, muitos idosos que moravam no Jardim do Lago quando o bairro inaugurou, faleceram. "É muito triste. Perdemos conhecidos de anos de convivência. É uma situação calamitosa, que precisa da conscientização de toda a população", completa o jovem.


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: