Jundiaí

Em 2021, 13,9% dos mortos não tinham comorbidades

Das 193 pessoas que morreram por complicações causadas por covid, 27 não tinham comorbidades


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Variantes do vírus podem explicar mortes de pessoas sem comorbidades
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Em Jundiaí, das 193 pessoas que morreram por complicações causadas por covid este ano, 27 não tinham comorbidades, o que representa 13,9% dos óbitos registrados.

Pelo país, das 32 mil pessoas que morreram por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causadas por covid-19, 36,6% não apresentavam comorbidade.

Para o infectologista Roberto Focaccia, as novas variantes da doença são mais graves e podem ser um fator que explica o número de mortes de pessoas mais jovens e sem comorbidades. "Depois que as variantes se disseminaram, especialmente a P.1 de Manaus, a epidemiologia tem mudado. Há uma maior disseminação do vírus, formas mais graves de infecção e faixas etárias menores, incluindo até crianças. De fato temos observado que cerca de 50% dos pacientes em UTI são jovens com quadros graves e tempo de recuperação muito prolongado, e sem comorbidades prévias", revela.

Focaccia afirma que antes do surgimento das variantes admitia-se que pacientes graves sem comorbidade poderiam ter fatores genéticos e imunológicos não diagnosticados por laboratório. "Eram apenas hipóteses. Agora, não temos dúvidas de que essas variantes são muito mais agressivas explicando o novo panorama da pandemia", diz.

O coronavírus ainda é muito novo e, mesmo com tudo que os médicos e cientistas sabem, ainda há muito para ser descoberto. "É uma doença que não conhecíamos. Estamos aprendendo com sua evolução e nem sabemos como irá se comportar daqui em diante. Essas mutações ocorrem ao acaso quando os vírus se multiplicam. Isso pode gerar mutações boas para o homem, mas também mutações que aumentam a adaptação do vírus ao homem. Quanto mais pessoas pegam o covid-19, mais mutações ocorrem", revela o infectologista.

Por conta disso, as medidas de segurança são essenciais para combater a pandemia. "O isolamento é necessário para diminuir o número de casos e aliviar a assistência médica já saturada. Por exemplo, se conseguíssemos isolar em casa 80% das pessoas, o vírus encontraria muita dificuldade de disseminação. É preciso ter consciência em se proteger, pois só assim estaremos protegendo outras pessoas. É uma questão de inteligência e humanidade", completa.

ENTENDA

Com o surgimento da pandemia, a palavra comorbidades entrou frequentemente no vocabulário das pessoas. O termo se aplica quando duas ou mais doenças estão relacionadas.

A comorbidade patogênica ocorre quando duas ou mais doenças estão etiologicamente relacionadas. A diagnóstica ocorre quando as manifestações da doença associada forem similares às da doença primária. Já a prognóstica ocorre quando houver doenças que predispõem o paciente a desenvolver outras doenças.

(Mariana Checoni)

 


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