Jundiaí

Em março, internações duram mais tempo e são mais graves

Em comparação entre os picos da doença em julho e este mês, o tempo de internação médio aumentou


Arquivo pessoal
Alexandre Lourenço diz que ainda não se sabe se as variantes são mais mortais
Crédito: Arquivo pessoal

O novo avanço da pandemia do coronavírus em todo o país marca o aumento de contágios, internações e mortes e, em Jundiaí, não é diferente. Segundo dados do Hospital São Vicente de Paulo, março é o pior mês da pandemia.

Em janeiro, a unidade registrou 230 internações. Em fevereiro, foram 208. Já em março, entre os dias 1º e 16, o HSV já tem registro de 283 internações.

Em comparação entre julho de 2020, pico da pandemia no ano passado, e março de 2021, o tempo de internação médio passou de 10,59 dias para 15,09 dias. Também foi observado o uso maior dos respiradores, utilizados quando o paciente já não consegue respirar sozinho. Em julho de 2020, 70% dos internados necessitavam de ventilação mecânica. Neste mês, 83,39% dos internados precisam do aparelho.

Segundo o microbiologista da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Alexandre Lourenço, um dos culpados deste avanço mais agressivo da pandemia observado neste momento pode ser o próprio coronavírus, se esforçando para se adaptar melhor ao ser humano.

"A princípio, as internações seguem um ritmo semelhante ao das infecções. Sobem as infecções, sobem as internações. Isso é esperado, independente de qualquer outra variável, mas temos as variantes. O SARS-CoV-2, agente da covid-19, sofre mutações à medida que é transmitido de pessoa a pessoa. E isso pode permitir, sim, que ele vá se adaptando, ou seja, vencendo melhor nossas defesas."

Para ele, porém, as especulações e casos sugestivos da mudança da pandemia em decorrência das mutações do coronavírus precisa de comprovação científica. "O que sabemos até agora é que a variante de Manaus (P1) é mais transmissível. Quanto a ela ser mais perigosa, mais letal, ainda precisamos de confirmação, embora os relatos médicos de Manaus e de outras partes do país apontem para isso."

No entanto, este pico da doença em março não se deve exclusivamente às mutações. "Sem dúvida o avanço da covid-19 se deveu em grande medida ao relaxamento por parte da população das medidas de isolamento, uso de máscara e higiene. As variantes provavelmente têm peso também, especialmente aquelas que já foram confirmadas como mais transmissíveis. Essas tendem a desalojar as variantes anteriores em um determinado local e a se tornarem predominantes", explica.

Ainda de acordo com dados do São Vicente, a faixa etária dos contaminados também apresenta diferenças. O intervalo de idade com maior número de internações ainda é o de 60 a 69 anos, porém, a segunda faixa etária mais prevalente em julho do ano passado era de 70 a 79 anos e a terceira a de 50 a 59 anos. Atualmente, a segunda mais prevalente é de 50 a 59 anos e a terceira é de 40 a 49 anos. Isso mostra que pessoas mais jovens estão precisando mais de internações.

(Nathália Sousa)

 


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