Jundiaí

Animais idosos precisam de um lar acolhedor e responsável

AMIGO PET A adoção deixou para trás os animais mais velhos dando preferência a filhotes e animais de raça e segundo os especialistas eles é que mais precisam


                               ALEXANDRE MARTINS
A aposentada Maria Celina adora animais, principalmente os mais idosos
Crédito: ALEXANDRE MARTINS

A adoção de animais durante a pandemia aumentou consideravelmente por conta do isolamento e da necessidade de as pessoas terem uma companhia em casa. Por outro lado, esta adoção deixou para trás os animais mais velhos dando preferência a filhotes e animais de raça.

Segundo a presidente da União Internacional Protetora dos Animais (UIPA), Carmela Panizza, a adoção de um adulto é sempre mais díficil. Os que conseguem são devolvidos. "Dos 230 animais aqui do abrigo, 80 possuem mais de 5 anos. Buscamos um novo lar para eles, mas para os adultos é sempre mais difícil. Às vezes leva mais de seis meses para conseguirem uma nova família", completa.

Apesar dos esforços, a maioria dos bichinhos mais velhos não é adotada. "Alguns dos animais são devolvidos e grande parte nunca encontra um lar. Existem casos em que eles são resgatados com um ou dois anos de idade e passam a vida inteira na Uipa. Aqui eles têm um lar, mas essa distinção continua sendo triste", aponta Carmela.

Ele reforça que a pandemia gerou grande impacto nas casas de adoção. "Nós organizamos feiras todos os sábados, mas o movimento diminuiu muito. Nesta última semana, apenas duas pessoas compareceram e não conseguimos doar nenhum animal, porém sempre levamos os adultos, na esperança de que eles sejam adotados. Infelizmente, isso é raro", encerra a presidente.

NOVO LAR

Apesar de difícil, há quem preferiu adotar um cão mais velho. Foi o caso da aposentada Maria Celina Del Nery Amaral, de 72 anos, que resgata animais em situação de rua sempre quando pode. "Desde criança, sempre tive cachorros e gatos. Gosto muito de animais e costumo dizer que as pessoas que não gostam de bichos não devem nem vir em casa. Sempre que vejo um deles precisando de ajuda, fico com vontade de trazer comigo. É impossível fazer isso com todos, mas eu tento", completa.

Maria resgatou Nick, seu poodle de estimação, quando ele tinha mais ou menos 6 anos. "Eu o encontrei em um dia de chuva, quando estava dando carona para uma amiga. Nós o vimos correndo pela rua, perdido e assustado. Foi difícil pegá-lo, mas eu o trouxe para casa", diz.

Ela chegou a procurar o dono nas redes sociais, mas o mesmo já não o queria mais. "O Nick tinha sido tirado dele, por conta de maus-tratos. Ele estava indo para a adoção, quando escapou. É um cachorro carinhoso e amável, não tive dúvidas quando o peguei para mim", afirma.

No caso do poodle, a adaptação foi tranquila. "Nos primeiros dias, deixei ele separado dos outros bichinhos para se acostumar e acalmar. Ele chegou com fome e desidratado, por isso fui cuidando dele antes de juntá-lo com a cachorrinha e a gata. Eles se dão muito bem", diz Maria.

Ter um animal em casa, hoje em dia, é a prioridde. "Eu não consigo ver a minha vida sem os animais. Todos chamam minha casa de pequeno zoológico, e isso na verdade me agrada. Resgataria todos se pudesse, porque bichinhos abandonados cortam o meu coração. Eles merecem um lar afetuoso e acolhedor", afirma a aposentada.

CUIDADOS

A adaptação dos animais mais velhos costuma ser um pouco mais trabalhosa do que com os jovens e filhotes, segundo explica a veterinária Paula Fernandes Raniero, de 25 anos. Os animais são extremamente sensíveis ao olfato, por isso é importante atenção aos cheiros para que os residentes da casa já comecem a se familiarizar.

"O contato visual também é importante para que um se acostume com a presença do outro, antes do contato físico. É interessante dizer que as recompensas pelos bons comportamentos são muito mais efetivas do que as repreensões pelos maus e que é preciso sempre buscar entender o tempo de adaptação de cada animal", completa a veterinária.

Para cuidar dos animais idosos, é necessário um acompanhamento especial. "As idas ao veterinário e os exames de rotina precisam ser mais frequentes porque eles possuem uma imunidade já afetada e debilitada. Quanto antes as doenças forem detectadas, antes elas conseguem ser tratadas para prolongar não só o tempo, como a qualidade de vida do paciente", diz Paula.

A prioridade deve ser a prevenção e não o tratamento. "Recomendamos isso porque a resposta dos idosos é mais lenta e menos efetiva do que nos animais jovens", afirma.

Uma dica importante é ter um profissional confiável para cuidar do seu animal. "A relação de confiança entre tutor e veterinário ajuda muito no acompanhamento, prevenção e tratamento dos bichinhos", orienta.

(Giovana Viveiros)

SERVIÇO

A Uipa realiza feiras de adoção todos os sábados, das 10h às 13h, na Avenida 9 de Julho, 20350.

 


Galeria de Fotos


Notícias relevantes: