Jundiaí

COLUNA DO MARTINELLI: A educação é a melhor arma contra a discriminação racial


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Crédito: Reprodução/Internet

Nesse, 21 de março, comemora-se o DIA INTERNACIONAL CONTRA A DISCRIMINAÇÃO RACIAL, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1969, nove anos após o denominado Massacre de Sharperville, cidade próxima a Johannesburg, na África do Sul e que vitimou quase 250 pessoas participantes de uma manifestação contra a Lei do Passe que exigia da população negra, a exibição de cartões de identificação, contendo os locais onde podiam circular. Embora o movimento fosse pacífico, o exército não hesitou em utilizar armas para conter a população negra que saiu às ruas reivindicando seus direitos, o que causou um saldo de sessenta e nove mortos e aproximadamente cento e oitenta feridos.

Trata-se de uma data muito importante, reveladora de algumas das faces cruéis do racismo, que não hesita em atirar em pessoas indefesas. Infelizmente, decorridos quarenta anos, ainda vivemos num mundo onde as diferenças de raça, cultura, crenças, sexo ou condições sociais são motivos para discriminação, marginalização, lutas e preconceitos. Há perseguições e desrespeito contra idéias, comportamentos e povos. Atrás disso, está grande e injustificada prepotência de seres humanos que se julgam superiores a outros.

Evidencia-se por isso, que promover a igualdade é de extrema importância para o desenvolvimento social e econômico de um país, principalmente o Brasil, no qual há “o preconceito de se negar o preconceito”, mas ele continua forte e revela constantemente suas mazelas. A educação é a melhor arma, já que sem ela, a mobilidade social estará emperrada e a própria sociedade permanecerá refém de suas limitações, de suas desigualdades e de suas distinções. Mais do que nunca, é preciso combater veementemente todas as formas de intolerância e exclusão social, constituindo-se tal premissa num compromisso não só do governo, mas de toda a população em geral.

Há um preceito que diz todos são iguais perante a lei, inexistindo qualquer fundamento ou comprovação científica que justifique a aversão contra algumas pessoas, a não ser uma concepção falsa com opiniões sem lógica, fruto da ignorância daqueles que discriminam. No dia em que cada um souber respeitar o próximo, não haverá lugar para tais manifestações, que anulam totalmente a dignidade e pelo qual sentimentos são aniquilados, impedindo a viabilização da cidadania, já que é imprescindível proscrever o arbítrio para garanti-la integralmente.

DIA DA FLORESTA – 21 de março também é o Dia Mundial das Florestas conforme deliberação da Organização das Nações Unidas, numa iniciativa que visa reconhecer as florestas e seu manejo sustentável como fundamentais para o desenvolvimento, a erradicação da pobreza e a conquista dos objetivos de desenvolvimento do milênio. Trata-se de excelente oportunidade para uma reflexão séria, para medidas concretas relacionadas à sua proteção e para uma gestão responsável sobre elas, objetivando sua conservação sustentável em benefício das atuais e futuras gerações. Com efeito, elas guardam uma grande riqueza em sua diversidade, tais como vegetação natural, animais de variadas espécies, minérios e outros recursos de manifesto interesse para o homem, principalmente de ordem econômica, o que vem provocando uma exploração até insana, já que muitas vezes deixam de ser restauradas. Tal descontrole faz com que desapareçam e produzam graves conseqüências: destruição da biodiversidade; erosão e empobrecimento dos solos; enchentes e assoreamento dos rios; redução dos índices pluviométricos; elevação das temperaturas; desertificação e proliferação de pragas e doenças, entre outros males.

O descuido com a questão ambiental, às vezes, pela ganância de alguns, ou pela falta de cuidado cônscio de muitos outros, está sendo nocivo para toda a população mundial, o que suscita providências urgentes entre elas a de desenvolver uma responsabilidade ecológica que nada mais é do que expandir para muito além dos limites da nossa existência individual o princípio de proteção do coletivo. Se continuarmos a percorrer o caminho do desrespeito ao meio ambiente, estaremos comprometendo o destino de nossos filhos, netos e bisnetos.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaiense de Letras e de Letras Jurídicas ([email protected])


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