Jundiaí

Trilheiros buscam contato com a natureza e atividade em grupo

OFF-ROAD Desafios, perigos e adrenalinas marcam as pessoas que fazem trilhas, além do constante contato com a natureza e as amizades criadas no caminho


ARQUIVO PESSOAL
Cristiano Campregher Lacerda afirma ser terapêutico fazer as trilhas
Crédito: ARQUIVO PESSOAL

O mundo "off-road" se apresenta como uma experiência única para aqueles que gostam de se aventurar com seus veículos, em carros, motos ou bicicletas. Os benefícios vão desde o contato com a natureza ao companheirismo criado pelos adeptos que não abrem mão de fazer as trilhas independentemente das condições do tempo.

Desde os 15 anos, o autônomo Lucas Delasta, de 30 anos, faz trilhas de jipe e de moto. Escolhe os finais de semana por conta do trabalho e por conseguir reunir sua turma. Os lugares desbravados vão desde a Serra do Japi a Serra do Jalapão. Adrenalina difícil de se livrar.

"Desde pequeno sempre gostei de motos de trilha e motocross. Com 12 anos ganhei minha primeira moto de trilha e a partir daí comecei minha jornada nesta atividade. Aos 15, fui trabalhar em uma oficina de jipes e desde então comecei a fazer trilhas de jipe também", conta.

Delasta nunca faz as trilhas sozinho. Por considerar uma atividade perigosa, sempre participa em grupo. "Realizamos trilhas na Serra do Japi, Serra da Cantareira (SP), Serra Jalapão (ES), Serra do Mar (RJ), Salesópolis, Castelhanos, Cajamar e em algumas pistas particulares também. Para as viagens de fora do estado, vamos com caminhonetes ou carretas para levar as motos", afirma.

A preparação para as viagens consiste em deixar os equipamentos de segurança em ordem, além de separar e levar itens como a cinta de reboque, diversas ferramentas, pequenas peças para reposição, uma emenda de corrente e um "tyre repair" para os pneus.

"Precisamos sempre ter cuidado e atenção com as motos, além de enorme responsabilidade em relação à nossa segurança. Tive alguns amigos que já se machucaram durante a trilha e sair de lá ferido não é fácil, pois tem vias que são longas e demoradas", alerta Delasta.

Com o início da pandemia, o autônomo teve que diminuir as viagens e os passeios. Além disso, reduziram o número de pessoas do grupo para realizar as trilhas e também decidiram por não fazer paradas nos locais de encontro para evitar aglomerações.

"Os benefícios de se fazer trilha é o contato com a natureza, a enorme adrenalina gerada e principalmente o companheirismo e o trabalho em equipe", afirma Lucas.

PAIXÃO SOBRE QUATRO RODAS

Aos 39 anos, o vendedor Cristiano Campregher Lacerda, com 10 anos de trilhas no currículo, separa os finais de semana para fazer seus passeios com seu inseparável jipe. "Gosto muito desse universo off-road. Comprei o jipe para fazer algo que fosse prazeroso e juntasse com o gosto de dirigir. E também adoro carros antigos, o jeep, além de ser um carro lendário, é um instrumento de fazer amizades, sempre nos juntamos com uma galera para fazer trilhas leves ou pesadas e esse pessoal acaba fazendo parte dessa família sobre quatro rodas", comenta.

Lacerda realiza a atividade junto com a esposa e com pelo menos mais dois jipes de amigos. "No caso de alguém quebrar ou ter qualquer tipo de problema, temos que ter com quem contar. Apenas um jipe só é perigoso, se der alguma coisa errada e, por ser em lugares de difícil acesso, a situação fica muito complicada", afirma.

O jipeiro costuma fazer trilhas na Serra do Japi e na Serra do Mursa, em Várzea Paulista, além de ir para outros lugares como praias. "Nossa preparação para as viagens é até simples. Vamos nos conversamos pelos grupos do WhatsApp. Nos programamos com comidas e bebidas para consumir durante o caminho."

Segundo o vendedor, é aconselhável levar o máximo de ferramentas possíveis. "Normalmente, por ser carros adaptados e com mais de 50 anos, alguma coisa sempre acontece, e com as ferramentas conseguimos resolver boa parte dos problemas na hora. Já durante a semana, faço os reparos gerais e conserto tudo o que estragou, também faço uma boa lavagem, engraxo e verifico óleo e água. Depois é só esperar para a próxima aventura", comenta.

Com a chegada da pandemia, o ritmo de viagens caiu, mas Lacerda segue com seus passeios sempre que possível. "Estamos evitando ao máximo sair de casa, somente para ir a mercados e postos de gasolina, e consequentemente nossas viagens deram uma boa diminuída. Quando resolvemos ir, sempre levamos máscaras e álcool em gel para as paradas, mesmo sendo lugares abertos e arejados, mas não usamos as máscaras quando estamos dentro do jipe", afirma.

Fazer trilhas com seu jipe traz inúmeros benefícios. "É como uma terapia, pois você conhece lugares lindos após ter que passar por trajetos complicados e de difícil acesso. Além disso, também tem o desgaste físico, devido a locais em que eu tenho que descer do jipe e ajudar os amigos nas manobras e, com isso, nós acabamos andando bastante a pé, mas tudo isto se tornou uma atividade terapêutica para mim."


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